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Chapter 2: A Máscara de Vidro

Beatriz e Lucas enfrentam o escrutínio público na gala. Lucas defende Beatriz de um ataque de Helena com uma demonstração de possessividade que confunde os convidados. No caminho de volta, a tensão entre eles aumenta, mas um recibo médico esquecido por Beatriz no carro de Lucas coloca em risco o segredo sobre Sofia.

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A Máscara de Vidro

O ar-condicionado do salão de baile da gala de caridade era gélido, mas o suor frio que escorria pela espinha de Beatriz não tinha relação com a temperatura. Ela ajustou o decote do vestido, sentindo o peso do olhar de Lucas Valente sobre si. Ele estava impecável, o terno sob medida moldando a postura de um homem que possuía o ambiente, enquanto Beatriz era apenas o acessório contratual que ele acabara de adquirir para limpar sua própria reputação.

“Sorria, Beatriz,” ele sussurrou, a voz baixa e carregada de uma autoridade que a fez endurecer. “Eles estão esperando o espetáculo. Se você parecer uma prisioneira, o investimento que fiz na sua dívida será um desperdício.”

Beatriz forçou os músculos do rosto, sustentando o olhar dele. “Eu não sou sua funcionária, Lucas. Sou uma parceira de negócios. Lembre-se da nossa cláusula de autonomia.”

“A autonomia termina onde a minha reputação começa,” ele retrucou, aproximando-se o suficiente para que o perfume amadeirado dele dominasse seus sentidos, um lembrete físico de que o contrato de noivado era o único muro entre ela e a liquidação de seus bens na segunda-feira.

A tensão foi interrompida pela aproximação de Helena, uma socialite cujo interesse pelo império de Lucas era tão notório quanto sua crueldade. Ela parou diante deles, os olhos percorrendo Beatriz com um desdém gelado.

“Lucas, querido, que surpresa vê-la fora de seu exílio,” a voz de Helena cortou o ar com precisão cirúrgica. Ela vasculhou o rosto de Beatriz em busca de uma rachadura. “Ouvi rumores de que seus bens foram bloqueados. O noivado é um contrato de aluguel ou uma tentativa desesperada de evitar o leilão?”

O sangue de Beatriz gelou. A menção ao leilão não era apenas um ataque; era uma ameaça à sua agência. Ela sentiu a urgência de Sofia, escondida em casa, dependendo daquele contrato para manter o teto sobre sua cabeça. Beatriz abriu a boca para responder, mas Lucas foi mais rápido. Ele invadiu o espaço pessoal de Beatriz, posicionando-se atrás dela, com uma mão firme repousando na base de sua coluna. O toque era possessivo, carregado de uma eletricidade brutal que silenciou o salão.

“Helena,” disse Lucas, a voz desprovida de qualquer calor, “se você se preocupa tanto com a saúde financeira dos outros, talvez devesse olhar para a sua própria gestão. Beatriz não está sob proteção; ela é a única pessoa nesta sala cujas escolhas eu não ouso questionar. Cuide da sua taça, ou eu cuidarei de garantir que você não seja convidada para o próximo evento de caridade.”

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Helena empalideceu, recuando diante da frieza de Lucas, enquanto os olhares ao redor oscilavam entre o choque e a especulação. O gesto de Lucas fora tão possessivo que a plateia começou a questionar se aquilo era realmente um arranjo de negócios ou algo muito mais perigoso.

Afastados brevemente para o terraço privativo, longe dos sussurros, Beatriz confrontou-o. “Você foi longe demais. Aquele teatro foi convincente, mas perigoso. O contrato estipula discrição, Lucas.”

Ele caminhou até a mureta, observando as luzes de São Paulo. “A discrição é para quem tem algo a esconder, Beatriz. Eu tenho um império sob ataque. Se eles acharem que sou um homem apaixonado o suficiente para ignorar a lógica, eles recuam. O seu desconforto é o preço da sua casa.”

“Minha dignidade não faz parte do lote de ativos que você comprou,” ela retrucou, embora a proximidade dele estivesse minando suas defesas. A atração era uma armadilha, e ela sabia disso.

De volta ao sedã blindado após a gala, o silêncio era pesado. Beatriz encostou a cabeça no vidro, o cansaço cobrando seu preço. Lucas, ao volante, mantinha os nós dos dedos brancos contra o couro. “Você foi brilhante,” ele soltou, a voz rouca. “Quase esqueci que estamos apenas atuando.”

“Não confunda sobrevivência com afeto,” ela respondeu, tentando manter a distância. Ao se mover para ajeitar a bolsa, um pequeno papel escorregou do forro e caiu no console central. Lucas parou o carro bruscamente. Ele recolheu o item: um recibo de uma clínica pediátrica, datado daquela mesma semana. O olhar dele, antes carregado de uma possessividade protetora, tornou-se afiado, quase predatório. Ele observou o nome no papel, depois Beatriz, a precisão do seu silêncio congelando o sangue dela. O noivado, antes um escudo, começava a se transformar em uma armadilha sem saída.

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