Novel

Chapter 7: A Herança de Sangue

Beatriz confronta Lucas após flagrá-lo com as provas da paternidade de Leo. Lucas revela que a separação de ambos foi orquestrada por um mentor comum, transformando a dinâmica de 'noivado falso' em uma aliança defensiva necessária contra uma conspiração maior.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

A Herança de Sangue

O silêncio no apartamento de Beatriz, geralmente um refúgio de controle, soava agora como uma afronta. Eram três da manhã, e a luz do escritório estava acesa, uma linha fina e acusatória sob a porta. Quando ela empurrou a madeira pesada, não encontrou a solidão que esperava, mas Lucas Montenegro sentado em sua poltrona de couro, com a caixa de recordações de Leo aberta sobre a mesa de mogno. O ar na sala mudou de temperatura instantaneamente. Beatriz sentiu o sangue fugir de seu rosto, mas manteve a coluna ereta, a mão ainda travada na maçaneta como se pudesse impedir que a realidade invadisse seu espaço.

— Você não tem o direito de estar aqui — a voz dela saiu fria, um bisturi de precisão que mal escondia o tremor de sua raiva. — Isso é invasão, Lucas. É uma violação de qualquer acordo que tenhamos assinado.

Lucas não se levantou. Ele segurava uma pequena foto de Leo aos dois anos, os dedos roçando as bordas com uma reverência que Beatriz achou insuportável. Seus olhos, normalmente calculistas e distantes, estavam carregados com uma tempestade de culpa e um desespero que ela não sabia como decifrar. Ele não parecia o magnata arrogante que a arrastara para aquele noivado falso; parecia um homem que acabara de perder o chão.

— Eu vi o fideicomisso — ele disse, a voz rouca, quase um sussurro que preencheu o silêncio opressor. — E então encontrei isso. Eu não estava procurando por segredos, Beatriz. Eu estava procurando por uma forma de proteger a empresa contra os Viana, mas acabei encontrando a prova de que você me escondeu uma vida inteira.

Beatriz entrou no cômodo, fechando a porta com um estalo seco. Ela precisava recuperar o terreno. — Eu escondi o que era meu. O que você abandonou há cinco anos, quando escolheu acreditar em papéis forjados em vez de mim.

Lucas levantou-se, o movimento predatório e preciso. Sem desviar os olhos, jogou uma pasta de couro sobre a superfície polida entre eles. O som seco ecoou como um tiro. — Cinco anos atrás, não foi azar. Foi uma sabotagem orquestrada. Abra. Veja quem assinou a ordem de despejo da sua vida.

Beatriz hesitou. O medo de que o passado alcançasse Leo a paralisou, mas a curiosidade foi um veneno mais forte. Ao abrir o dossiê, o nome no topo da página fez seu sangue gelar. O inimigo não era um estranho; era seu próprio mentor. O papel tremia em suas mãos, mas a caligrafia na assinatura era inconfundível. — Ele não apenas queria a sua empresa, Bia. Ele queria você fora do mapa. Se não fosse pelo meu erro de julgamento naquela época, você não teria fugido com nada. Eu fui um tolo, mas não fui o único a ser manipulado.

— E o que você quer agora? — ela perguntou, a voz mal saindo da garganta. — Que eu agradeça por você ter descoberto tarde demais?

— Eu quero que você pare de lutar contra a única pessoa que pode garantir que Leo nunca saiba o que é perder tudo. O noivado não é mais uma farsa, Beatriz. É a única armadura que nos resta contra eles.

Beatriz sentiu o peso das palavras. Ele não estava pedindo perdão; estava oferecendo uma aliança de sangue. O perigo real não era mais o segredo de Leo, mas a conspiração que agora apontava diretamente para suas vidas. Ela olhou para a foto de Leo na mão de Lucas e, pela primeira vez, notou a semelhança inegável no formato dos olhos, na curva da mandíbula. O DNA era uma sentença que ela não podia mais ocultar.

— Se eu aceitar isso — ela sussurrou, aproximando-se, a proximidade forçando uma tensão elétrica entre eles — você terá que jogar conforme as minhas regras. Leo não é um peão no seu jogo imobiliário.

Lucas tocou levemente na mão dela, um gesto de proteção que, pela primeira vez, não parecia uma encenação para a plateia, mas uma promessa que custava caro demais. — Ele é a única coisa real que me restou, Beatriz. E eu vou queimar o mundo inteiro antes de deixar que qualquer um toque nele.

Beatriz aceitou o noivado como uma necessidade estratégica, mas o perigo real pulsava em suas veias: ela estava começando a confiar no homem que ela jurou nunca mais deixar entrar. O baile de gala da próxima semana não seria apenas uma aparição pública; seria o palco onde ela teria que decidir se o noivado falso era, de fato, a única realidade que ela ainda podia suportar.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced