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Chapter 5: O Peso do Segredo

Após o atentado, Arthur e Beatriz se refugiam na mansão, onde ele lhe entrega o controle de uma subsidiária estratégica para garantir sua posição na assembleia. De volta ao evento social, Beatriz recebe uma ameaça de Ricardo, o ex-noivo, mas decide usar a chantagem a seu favor, enquanto Arthur demonstra uma possessividade protetora que altera a dinâmica do contrato.

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O Peso do Segredo

O ar na sala de segurança blindada do edifício Valente tinha o gosto metálico de ozônio e pólvora. Beatriz não tremia, embora o sangue que manchava a manga de seu vestido de seda fosse o lembrete visceral de que o atentado no corredor não fora um aviso, mas uma execução frustrada. Arthur a mantinha contra a parede de aço, o corpo dele agindo como um escudo humano, os dedos cravados em seus ombros com uma possessividade que não admitia recusa.

— Respire — ordenou ele, a voz baixa, vibrando contra o pescoço dela. O olhar de Arthur, habitualmente um mapa de frieza corporativa, estava em chamas. Ele inspecionou o corte em seu braço com uma precisão cirúrgica, ignorando o próprio ferimento no ombro. — O mentor não teria arriscado um ataque direto se não estivesse acuado. Ele sabe que a pasta que você carrega é a sentença de morte dele.

Beatriz apertou o couro da pasta contra o peito. A adrenalina, antes um caos, agora se organizava em uma clareza cortante. — Ele não quer apenas a holding, Arthur. Ele quer que eu desapareça antes da assembleia. Você me trouxe para este jogo, mas não me avisou que as peças eram descartáveis.

Arthur inclinou a cabeça, o rosto a centímetros do dela. A proximidade era uma negociação silenciosa de poder. — Você nunca foi descartável. Você é a única coisa que mantém o consórcio longe da minha garganta. E, a partir de hoje, a única que detém o poder de destruí-los.

Horas depois, na biblioteca da mansão, o silêncio era pesado como chumbo. Beatriz folheava os documentos recuperados; cada página cifrada era a confissão de que o homem que ela chamara de figura paterna orquestrara a derrocada de sua família. Arthur entrou, seus passos ritmados ecoando no mogno. Ele parou atrás dela, cercando-a sem tocá-la, uma barreira física contra o mundo exterior.

— O conteúdo é tóxico — ele disse, a voz tensa. — Ele entregou a holding ao consórcio que financiou o ataque hoje. Você não deveria estar olhando isso sozinha.

Beatriz ergueu os olhos, a dignidade mantida por um fio de raiva. — E você sabia. Por isso o contrato. Por isso a pressa.

Arthur suspirou, um movimento raro de vulnerabilidade que ele imediatamente mascarou. Ele deslizou um documento sobre a mesa: o controle acionário de uma subsidiária estratégica. — Isso não é um presente. É uma arma. Se você quer sobreviver à assembleia, precisa de poder real, não apenas do meu nome. Com isso, você deixa de ser uma substituta e se torna uma sócia.

No salão de baile do Hotel Unique, a farsa precisava continuar. Beatriz caminhava pelo salão, o vestido de seda como uma armadura. Arthur, a poucos metros, observava cada movimento dela. Quando um acionista arrogante tentou abordá-la, Arthur interveio com um passo deliberado, sua presença física extinguindo a ousadia do homem. Beatriz percebeu, então, que a possessividade de Arthur não era controle corporativo; era uma necessidade crescente de protegê-la, uma urgência que ele tentava disfarçar como dever contratual.

No jardim do hotel, o ar tornou-se rarefeito. Um mensageiro deixou um envelope lacrado sobre a mesa de mármore. Beatriz o abriu com dedos firmes: um bilhete de Ricardo. O ex-noivo estava de volta, ciente da farsa, exigindo os documentos da auditoria em troca de seu silêncio.

Beatriz olhou para o envelope e depois para Arthur, que a observava das sombras do salão. Ela não se curvou. Guardou o bilhete, decidida a usar a chantagem contra o próprio Ricardo. Ela não era mais a herdeira acuada; era uma jogadora. Arthur se aproximou, seus olhos encontrando os dela com uma intensidade que prometia perigo e proteção em igual medida. O jogo havia mudado, e o contrato, antes uma prisão, tornara-se o campo de batalha onde ambos agora lutariam lado a lado.

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