A Final: Aço contra Verdade
O ar na Arena de Elite tinha gosto de ozônio e desespero. Kael ajustou o cinto de sincronização, sentindo o Sucata vibrar sob seus pés — um lamento metálico que ressoava em seus próprios ossos. No visor, o cronômetro da dívida brilhava em um vermelho agressivo: 04:59. Faltavam cinco minutos para a detonação remota que a Academia planejava transformar em seu túmulo público.
Ao seu lado, Valéria posicionou seu Vanguard-IV com uma elegância que ele sabia ser uma fachada. Seus olhos se cruzaram através do vidro reforçado. Não havia mais o desdém de outrora; apenas a tensão fria de quem carregava um segredo capaz de derrubar a Torre. Ela havia entregue o código de override, mas o risco permanecia absoluto.
— Candidato Kael, a sincronização está limitada a 40% por razões de segurança — a voz do Juiz, filtrada e desprovida de humanidade, ecoou pela arena. — Qualquer tentativa de sobrecarga resultará em desqualificação imediata.
Kael não respondeu. Ele sentiu a conexão com os dutos ancestrais da Torre, um fluxo de energia bruta que o Sucata absorvia como um pulmão faminto. O protótipo Pré-Torre não estava apenas operando; ele estava se fundindo à estrutura da própria arena. O dreno de energia vital latejou em suas têmporas, mas ele o ignorou, focando no pulso metálico do frame.
04:12. Valéria avançou com o Vanguard-IV. Ela disparou uma rajada de supressão, mas o ângulo era deliberadamente impreciso. Ela não estava tentando derrubá-lo; estava criando a abertura.
— Kael, agora! — a voz dela soou pelo canal privado, distorcida pela estática. — A Academia bloqueou os protocolos de saída. Se você não drenar o núcleo da arena, a detonação será inevitável.
Kael sentiu o calor do código de override fluindo por seus dedos, uma interface proibida soldada clandestinamente na base do Sucata. Ele forçou a sincronização. O mundo ao redor tornou-se um fluxo de vetores de energia. O Sucata, antes limitado, rugiu, absorvendo a voltagem dos dutos ancestrais. O metal do seu frame gemeu, mas a energia fluiu, purificando os circuitos corrompidos pela sabotagem acadêmica.
04:58. Faltavam dois segundos para a detonação. Kael injetou o código. Em vez da explosão, um pulso eletromagnético varreu a arena, silenciando as luzes da transmissão oficial e jogando o setor de elite em uma penumbra alaranjada. A detonação da Academia falhou.
Valéria hesitou, o Vanguard-IV oscilando pela perda súbita de estabilidade. Ela sabia que o código funcionara. Kael aproveitou a micro-abertura. Com a energia da Torre fluindo através de seus circuitos, ele avançou. O Sucata não era elegante, mas era brutalmente eficiente. Kael desferiu um golpe preciso, desarmando o braço principal do frame de Valéria, forçando-a ao chão da arena.
O público, antes em silêncio, explodiu em um clamor de choque e revolta ao verem as telas de transmissão exibirem, em tempo real, os logs de sabotagem da Academia. Kael estava prestes a declarar sua vitória, mas o chão sob o Sucata cedeu com um estrondo ensurdecedor. A fundação da Torre, drenada de sua estabilidade, começou a desmoronar. O edifício não era apenas um prédio; era uma máquina viva, e ela estava acordando sob seus pés.