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Chapter 2: O Preço da Proteção

Helena assina o contrato de noivado com Arthur, trocando sua autonomia por proteção contra o ex-marido. Em um evento público, Arthur utiliza sua influência para silenciar Ricardo e um jornalista difamador, estabelecendo Helena como sua protegida. O capítulo termina com Helena descobrindo que o interesse de Arthur por ela possui raízes em segredos familiares obscuros.

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O Preço da Proteção

O silêncio na cobertura de Arthur Viana não era de paz; era a ausência de som que precede um impacto. Helena encarava as folhas de papel timbrado sobre a mesa de mogno, o documento pesando como chumbo. Em quarenta e oito horas, a justiça bloquearia seus ativos restantes, deixando-a sem nada além da humilhação que Ricardo impusera a ela diante de toda a elite paulistana. Agora, a salvação tinha o nome de um contrato de noivado e o custo de sua autonomia.

— As multas rescisórias são proibitivas, Helena — Arthur disse, a voz desprovida de qualquer calor. Ele estava parado diante da janela de vidro do chão ao teto, a silhueta recortada contra as luzes de São Paulo. — Você não é apenas um escudo contra a imprensa. Você é o rosto da fusão europeia. Se o noivado for rompido antes do prazo, a penalidade não será apenas financeira; sua reputação será o colateral final.

Helena leu a cláusula 4.2 novamente. Não era apenas proteção; era uma aquisição. Ela sentiu o estômago revirar. O olhar dele, quando se virou, não continha benevolência, mas uma precisão cirúrgica.

— Você me trata como uma peça no seu tabuleiro, Arthur — ela disse, mantendo a voz firme, embora suas mãos estivessem geladas. — Prefiro ser a rainha no jogo do que o peão sacrificado por Ricardo.

Ela assinou. O som da caneta contra o papel parecia o estalo de uma algema invisível.

Horas depois, o brilho dos lustres do Fasano não aquecia o salão; para Helena, o ambiente era uma câmara de vácuo. Ela ajustou o colar de diamantes — um empréstimo de Arthur, símbolo de uma solvência que ela não possuía — e manteve a coluna ereta. Ao seu lado, a presença de Arthur era uma muralha de alfaiataria impecável. Ele não a tocava, mas seu braço, oferecido como suporte, exercia uma pressão constante que a lembrava de que, pelas próximas quarenta e oito horas, ela era um ativo sob custódia.

Ricardo se aproximou, um sorriso predador desenhado no rosto.

— Uma jogada interessante, Viana — Ricardo comentou, a voz carregada de veneno enquanto girava a taça de cristal. — Mas todos sabem que Helena não tem mais nada para oferecer além de um sobrenome em ruínas. Por que se dar ao trabalho de carregar esse peso morto em público?

Helena sentiu o sangue pulsar nas têmporas. Antes que pudesse responder, Arthur se moveu. Ele encurtou a distância, sua mão deslizando das costas de Helena para a curva de sua cintura, com uma firmeza que era menos um gesto de afeto e mais uma marcação de território.

— O que Helena oferece, Ricardo, é algo que você nunca teve capacidade de compreender: lealdade e valor estratégico — a voz de Arthur era baixa, perigosa. — E se você voltar a dirigir a palavra a ela, não serão apenas seus negócios que sofrerão uma auditoria. Será a sua existência pública.

Ricardo empalideceu, recuando diante do olhar gélido de Arthur. Mas a tensão não dissipou; ela apenas mudou de forma. Marcelo, um colunista de escândalos, tentou se aproximar logo em seguida, buscando brechas na narrativa do casal.

— Helena, o noivado relâmpago… é uma jogada de mestre ou um pedido de socorro?

Arthur não permitiu que ela respondesse. Com um movimento sutil, ele bloqueou o jornalista.

— Marcelo, o seu jornal publica amanhã uma matéria sobre a liquidez de certas contas offshore, não é? — Arthur sorriu, um gesto que não alcançava os olhos. — Seria uma pena se os investidores descobrissem quem realmente financia a sua coluna.

O jornalista recuou, pálido e derrotado. A multidão observava, silenciosa, o poder bruto de Arthur. Ele conduziu Helena para o terraço, longe dos olhares famintos. O ar era cortante. Arthur soltou a cintura dela, mas o magnetismo entre eles vibrava como um fio de alta tensão.

— Você não precisava ter sido tão implacável — Helena murmurou, tentando conter o tremor residual de suas mãos.

Arthur se voltou para ela, os olhos escuros percorrendo seu rosto com uma intensidade que a fez recuar até bater na mureta de concreto.

— Negações padrão são para pessoas que têm algo a provar. Nós ditamos a narrativa — a voz dele era um sussurro aveludado, mas carregado de uma autoridade que não admitia réplica. — A partir de hoje, qualquer um que tente manchar a sua imagem está atacando a minha. E eu não permito que nada de meu seja depreciado.

Ele a olhou com uma posse tão crua que Helena sentiu o chão fugir sob seus pés. Ela trocara um carcereiro por outro, mas o perigo, desta vez, era muito mais atraente e letal. Enquanto ele se afastava para atender a uma chamada, Helena notou, esquecida sobre a mesa lateral, uma pasta que ele deixara aberta. O nome de seu pai estava na primeira página, acima de um documento que não tinha relação nenhuma com a fusão europeia. O motivo de Arthur tê-la escolhido era muito mais escuro do que apenas negócios.

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