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Chapter 1: Café da Manhã no Exílio

Helena enfrenta a ruína financeira após o divórcio, sendo encurralada por seu ex-marido, Ricardo, em um evento social. Arthur Viana intervém, revelando que possui provas da corrupção de Ricardo e oferecendo um noivado falso como única forma de Helena recuperar sua posição e se proteger, sob a condição de que ela se torne seu escudo corporativo.

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Café da Manhã no Exílio

O silêncio na cobertura do vigésimo andar não era paz; era o eco de uma sentença de morte social. Helena observava o café esfriar na xícara de porcelana, o vapor cessando muito antes de ela conseguir dar o primeiro gole. Sobre a mesa de mogno, o envelope de couro sintético com o selo do escritório de advocacia de seu ex-marido parecia emitir um zumbido elétrico. Ela não precisava abrir para saber o conteúdo. O divórcio, finalizado há menos de uma semana, já estava sendo devorado pelos abutres da mídia, mas aquela notificação era o golpe final.

Ela abriu o envelope, recusando-se a tremer. Congelamento de ativos. A alegação era uma fraude contábil, uma manobra suja de Ricardo para reaver cada centavo do acordo que ele mesmo havia assinado. Se ela não contestasse aquilo em quarenta e oito horas, a cobertura, as contas bancárias e até as ações da fundação que ela mantinha seriam sugadas para o buraco negro dos processos dele. Ele não queria apenas o fim do casamento; ele queria a aniquilação pública dela. Helena caminhou até a parede de vidro. A cidade parecia indiferente à sua ruína, brilhando com uma arrogância que ela costumava compartilhar. Agora, ela era apenas um alvo. O telefone vibrou. Um convite para o evento de gala da fundação de Arthur Viana. Uma oportunidade ou um suicídio social.

O salão do Hotel Fasano fervilhava. Helena ajustou o colar de pérolas, sentindo o metal frio contra a pele como uma algema. A cada passo, o peso de sua ruína financeira parecia mais evidente, uma sombra que a acompanhava desde que as contas haviam sido bloqueadas.

— Helena, querida, que surpresa vê-la aqui — a voz de Ricardo cortou o ar. Ele estava impecável, cercado por investidores que, até pouco tempo atrás, eram os maiores clientes da empresa que ela ajudara a construir. — Achei que, com a liquidação dos bens, você estaria ocupada demais organizando caixas de mudança.

O riso contido dos presentes foi o golpe final. Um jornalista de coluna social, atraído pelo cheiro de sangue, aproximou-se com o celular em punho.

— Helena, é verdade que a mansão no Morumbi foi posta à venda por um valor emergencial? O mercado diz que você está operando com liquidez negativa. Algum comentário sobre a falência iminente?

Helena sentiu o sangue fugir do rosto. A humilhação era a matéria-prima de sua extinção social. Ricardo deu um passo à frente, pronto para desferir o golpe final, quando uma sombra maior se interpôs entre eles. Arthur Viana não precisava elevar a voz para silenciar o salão. Ele apenas pousou a mão no ombro de Helena, um gesto de posse que enviou um choque elétrico pela espinha dela.

— O mercado diz muitas coisas, a maioria delas irrelevante — Arthur disse, a voz fria e cortante. Ele olhou para o jornalista com um desdém que fez o homem recuar. — E quanto ao divórcio, Ricardo, talvez você devesse se preocupar mais com as assinaturas que deixou em documentos que não deveria ter tocado.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Arthur não a soltou. Ele se inclinou, o hálito quente roçando o ouvido dela enquanto o mundo ao redor parecia perder a cor.

— O seu jogo acabou, Helena — sussurrou ele. — E eu sou a única saída disponível.

Minutos depois, eles estavam no escritório particular de Arthur. O ambiente cheirava a couro envelhecido e uma neutralidade metálica. Não havia quadros, apenas uma vista panorâmica de São Paulo que fazia a cidade parecer um tabuleiro de xadrez onde ela acabara de perder a última peça. Arthur não a convidou para sentar. Ele apenas deslizou uma pasta de couro sobre a mesa de mogno.

— O divórcio não foi apenas uma separação de bens, Helena. Foi uma liquidação da sua existência — a voz de Arthur era um barítono frio. — Seu ex-marido não quer apenas o dinheiro. Ele quer que você desapareça do mapa social para que o desvio de capital do fundo da família nunca seja rastreado.

Helena abriu a pasta. Seus dedos tremeram, mas ela forçou a mão a ficar firme. Ali, entre documentos legais, estava a prova: o registro das dívidas ocultas, os laranjas, a assinatura de Ricardo em transações que, se expostas, o enviariam para a prisão. O estômago dela deu um nó. Era a alavancagem que ela precisava, mas o preço estampado no contrato ao lado era um noivado falso de seis meses.

— Você quer que eu seja sua vitrine — Helena levantou o olhar, encarando-o. O rosto de Arthur era uma fortaleza de traços precisos e olhos que pareciam ler cada uma de suas fraquezas. — Você precisa de uma imagem de estabilidade para fechar a fusão com os fundos europeus.

— Eu preciso de um escudo — corrigiu Arthur, aproximando-se até que o espaço entre eles fosse perigoso. — E você precisa de um teto. A oferta de Arthur não era um pedido; era uma sentença. Ou ela aceitava o noivado, ou perdia tudo o que lhe restava.

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