Chapter 9
O sino de bronze da Academia tocou às quatro da manhã, um som metálico e impiedoso que cortou o silêncio do alojamento dos discípulos externos. Lucas Vale não precisou abrir os olhos para saber que o tempo havia acabado. O relógio de areia invisível que Elder Huo virara estava quase vazio. Ele sentou-se na esteira de palha, sentindo o latejo familiar e insuportável no centro do peito. Sua instabilidade meridiana, agora travada em 15%, não era apenas um número; era uma vibração constante, como se algo estivesse serrando seus ossos por dentro.
Doze horas. Se ele entrasse no Pilar de Ascensão naquele estado, o sistema — calibrado por Huo para execução sumária — o transformaria em cinzas antes que pudesse canalizar o primeiro fio de energia. A memória de Ana, com a respiração curta e o rosto pálido, invadiu sua mente. Se ele falhasse, a bolsa seria cortada, e o remédio que mantinha a febre dela sob controle desapareceria na mesma tarde. Não havia margem para erro, apenas a necessidade brutal de um estabilizador de fluxo de grau médio.
Ele se moveu como uma sombra pelos corredores. O depósito de materiais era uma fortaleza de zumbidos arcanos. Ao dobrar o corredor dos componentes de condensação, Lucas congelou. Zhao Lin estava parado diante de uma bancada, supervisionando dois guardas de Elder Huo. O rosto de Zhao, ainda marcado pelo revés público recente, exibia uma mistura de humilhação e sede de vingança.
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