Chapter 6
O despertar de Lucas não foi um alívio, mas o início de uma contagem regressiva. A dor no centro de seu peito não era apenas física; era o lembrete pulsante da técnica proibida, uma fisgada gélida que acompanhava cada batimento cardíaco. Ele se sentou no catre improvisado do alojamento, o ar viciado do setor de bolsistas pesando como chumbo. Com um esforço deliberado, forçou sua percepção interna para o meridiano principal. A visão foi brutal: a rachadura, antes contida, agora exibia uma teia de instabilidade de 9,2%.
— Você não deveria estar de pé, Lucas — a voz de Ana veio do canto. A menina, pálida e envolta em mantas finas, observava-o com olhos grandes demais para o rosto magro. A medicação que a mantinha estável era a única razão para ele ainda tolerar aquele inferno acadêmico.
— O duelo contra o Terceiro Discípulo de Jian é amanhã, Ana. Se eu não estiver de pé, não estarei vivo — respondeu ele, a voz rouca. Lucas abriu a interface do seu registro acadêmico no ar. O número 129º brilhava com uma ironia cruel. Ele estava sem créditos, exaurido pelo leilão do Núcleo de Cristal, e a técnica de dobra de fluxo, embora poderosa, havia drenado não apenas sua energia, mas sua margem de erro. O sistema da Academia, impulsionado pela vigilância agressiva de Elder Huo, não perdoava. O Torneio de Acesso ao Pavilhão Interno fora antecipado para daqui a quarenta e oito horas. Era uma armadilha perfeita.
No Bazar das Sombras, o cheiro de ozônio e ferrugem era mais espesso do que de costume. Lucas caminhava com o capuz puxado, sentindo o peso do meridiano no peito. Ele encontrou o Velho Meng atrás de uma banca de artefatos quebrados. Sem rodeios, Lucas estendeu a mão vazia. “Preciso de um amplificador de fluxo. O duelo de amanhã é uma tentativa de homicídio autorizada pelo Elder Huo.”
Meng soltou uma risada seca, o som de cascalho sob botas. “Você é ambicioso, garoto. Mas Huo bloqueou suas transações oficiais. Qualquer
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