The Visible Gain
Lucas acordou com o meridiano do peito ardendo como se alguém tivesse enfiado um ferro em brasa e esquecido de tirar. O alívio temporário da dobra proibida já se desfazia — a energia que ele forçara a circular em ângulo instável voltava a vazar pelos rasgos antigos, lenta, mas insistente. Ele apertou a palma contra o esterno, sentindo o calor úmido do suor misturado com algo mais viscoso. Sangue. Pouco, mas real. Seis dias e algumas horas até o ciclo travar. Ele se levantou da esteira fina, ignorou a tontura e foi direto ao jade público do corredor principal do Pavilhão das Contribuições Internas.
A placa de transmissão flutuante ainda mostrava o ranking provisório da noite anterior: 138º — Lucas Vale — Faixa Cinza. Subira nove posições. Nove. Mas o jade não mentia: a seta ao lado do nome piscava em cinza opaco, não em prata. Aprovação parcial. Núcleo ainda não formado. Bolsa mantida por um fio.
Ele mal teve tempo de respirar fundo antes da voz conhecida cortar o ar.
“Já acordado, lanterna cinza? Achei que ia dormir até o meio-dia lambendo as feridas.”
Zhao Lin surgiu no corredor acompanhado pelos dois inevitáveis — Gao e Wei, ombros largos, olhares vazios de quem recebe ordens e acha que isso basta para ter valor. Os três pararam a cinco passos, bloqueando a passagem natural para a área aberta de negociação.
Lucas não respondeu de imediato. Contou as respirações, mediu o espaço entre eles. Zhao Lin abriu um sorriso fino.
“Você me deve metade do crédito semanal da bolsa. Compensação pela humilhação no Pilar. Todo mundo viu você subir de forma… duvidosa. Eu poderia ter feito barulho. Ainda posso.”
Lucas ergueu os olhos devagar.
“Metade da bolsa é mais do que você ganhou ontem apostando contra mim. E o ranking não registra favores. Só números.”
Zhao Lin estreitou os olhos. “Então vamos resolver com números. Um duelo de fluxo simples. Sem combate físico. Quem estabilizar o circuito mais rápido leva o crédito da semana do perdedor. Público. Aqui mesmo.”
Lucas sentiu o meridiano pulsar em protesto só de pensar naquilo. Mas recusar agora era assinar a sentença da bolsa. Ele assentiu uma vez.
Os discípulos ao redor já formavam semicírculo. Dois jade de medição foram trazidos. Lucas sentou-se de pernas cruzadas, palmas para cima. Zhao Lin fez o mesmo, o sorriso ainda colado no rosto.
O fluxo começou. Lucas deixou a energia circular no padrão básico — nada de dobra proibida, só o que o meridiano rachado aguentava sem rasgar mais. Zhao Lin era mais limpo, mais treinado. Mas Lucas contava com a raiva contida do outro. Raiva fazia as pessoas forçar demais.
No terceiro circuito, Zhao Lin acelerou. Lucas acompanhou, sentindo a rachadura no peito abrir como papel molhado. Dor lancinante subiu pela garganta. Ele engoliu sangue e manteve o fluxo estável por pura teimosia.
Zhao Lin vacilou primeiro. O circuito dele tremeu, perdeu coesão. O jade apitou. Vitória por margem mínima.
Lucas
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