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Chapter 7: O Peso da Ascensão

Kaelen descobre que a Academia recicla cadetes eliminados como combustível. Após uma vitória custosa no torneio, ele se infiltra no Subnível 4 e obtém o 'Mapa da Colheita', confirmando que a hierarquia é uma farsa industrial, enquanto a drenagem do núcleo parasita começa a apagar suas memórias.

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O Peso da Ascensão

O ar no Setor Industrial tinha o gosto de metal queimado e ozônio. Kaelen ajustou a máscara, sentindo o núcleo parasita em seu peito — um batimento fantasma, rítmico e faminto, que não era seu. A dívida de 8.700 créditos pulsava em seu visor como uma sentença de morte. Faltavam nove horas para a rodada de meio de temporada. Ele não estava ali por peças; estava ali porque Mestra Elara o observava como um espécime em uma placa de Petri, e ele precisava saber o porquê.

Ao contornar uma pilha de carcaças de mechs, Kaelen parou. Não eram peças descartadas. Eram câmaras de vidro fosco, verticais, alinhadas como sarcófagos. Três cadetes da classe de elite, desaparecidos desde o último ciclo, estavam suspensos ali. Tubos de sucção perfuravam suas espinhas, drenando bioenergia diretamente para um duto central. O painel de controle brilhava com uma luz fria: Conversão de Biomassa em Combustível de Alta Densidade: 98% de Eficiência. O horror não foi um choque; foi uma revelação gélida. A Academia não expulsava os perdedores. Ela os reciclava.

Horas depois, o Campo de Provas fervilhava. Valerius, no alto da plataforma, observava Kaelen com o desdém de quem olha para uma ferramenta prestes a ser fundida.

— Você ainda respira, Kaelen? — a voz de Valerius ecoou, polida e cruel. — Elara espera que você dure três minutos. Não queremos que o combustível de reposição venha estragado.

Kaelen não respondeu. Ele silenciou o sussurro do núcleo, uma voz antiga que exigia memórias em troca de potência. Quando a buzina soou, ele ativou a técnica proibida. O mundo tornou-se uma geometria de vetores de fragilidade. Ele sentiu sua vitalidade ser sugada, a visão periférica escurecendo, enquanto o Centurião-4 respondia com uma velocidade impossível. Ele desferiu um único golpe, preciso, quebrando o núcleo do oponente. Mas, ao ver o mech inimigo colapsar, Kaelen sentiu um vazio. Minutos de sua memória simplesmente evaporaram, substituídos pela fome do núcleo.

Ele acordou no vestiário, as mãos trêmulas. A vitória era pública, mas o custo era uma lacuna mental que o aterrorizava. Ele precisava de peças para estabilizar o sistema antes da final, ou seria o próximo a virar combustível.

Kaelen infiltrou-se no Subnível 4, o coração da Academia. O núcleo exigia drenagem; ele forçou a absorção das luzes de emergência, deixando um rastro de lâmpadas estouradas. Ao forçar a trava da câmara de manutenção, não encontrou apenas peças. Encontrou um terminal de acesso direto ao sistema de colheita.

Seus dedos, trêmulos pelo efeito colateral da técnica, navegaram pelos registros até baixar um drive de dados: o mapa da colheita. Não era apenas combustível; era um esquema industrial de escravidão espiritual. A hierarquia da Academia era uma farsa desenhada para sustentar a elite com o sangue dos desesperados. O alarme de segurança soou, um lamento ensurdecedor. Guardas mecanizados, movidos pela mesma energia drenada dos estudantes, avançavam pelo corredor. Kaelen olhou para o drive em sua mão e para a escuridão à frente. Ele não tinha para onde fugir, mas agora detinha a prova definitiva de que a escada que ele subia era, na verdade, uma esteira para o abatedouro.

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