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Chapter 4: Leilão de Almas

Kaelen vence o leilão contra Valerius, assumindo uma dívida insustentável para adquirir um núcleo de essência anômalo. Ao instalá-lo no Centurião-4, ele descobre que o item contém uma consciência aprisionada que começa a drenar sua vitalidade.

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Leilão de Almas

O ar no subsolo da Academia era denso, saturado com o cheiro de ozônio e o desespero de quem não tem mais nada a perder. Kaelen ajustou o capuz, sentindo o peso frio dos 7.500 créditos de dívida acumulada sobre seus ombros. Era um débito que não apenas drenava seus recursos, mas que, segundo o protocolo de auditoria, começava a consumir sua própria cota de essência vital. O relógio holográfico na parede do salão marcava o tempo restante para o próximo ciclo de testes: 10 horas e 42 minutos.

No centro do salão de leilões clandestino, o Núcleo de Essência Purificada pulsava com uma luz azulada, uma relíquia instável extraída de um naufrágio nas zonas mortas. Era a única peça capaz de estabilizar o motor do Centurião-4 antes da auditoria de desempenho. Sem ele, o mech seria reduzido a sucata em menos de doze horas.

— Quinhentos créditos — anunciou Kaelen, a voz cortando o murmúrio dos herdeiros de seitas que ocupavam os camarotes superiores.

Um riso seco ecoou vindo das sombras à direita. Valerius emergiu, seus trajes de seda refletindo o brilho do núcleo.

— Seiscentos — disse Valerius, os olhos fixos em Kaelen com um escárnio predatório. — Você não tem o que é preciso, lixo. Esse núcleo é apenas um lembrete de que sua ascensão termina aqui, hoje.

Kaelen apertou os punhos até os nós dos dedos embranquecerem. Ele não tinha reservas, apenas o blefe desesperado de quem já estava no fundo do poço. Ele sabia que, se perdesse, sua dívida seria reclassificada como 'irrecuperável', o que significava a execução imediata de sua licença de operador.

— Setecentos — disparou Kaelen.

Valerius soltou uma gargalhada, um som cortante que atraiu olhares de desprezo dos outros cadetes.

— Oitocentos. E eu dobro a aposta para cada centavo que você conseguir arrancar do chão. Você é um desperdício de espaço, Kaelen. A Academia vai liquidar seu mech e sua dignidade na mesma hora.

Kaelen olhou diretamente para os olhos de Valerius. Ele não hesitou. — Mil e duzentos.

O silêncio foi absoluto. Valerius hesitou, o sorriso congelando. Ele não esperava que Kaelen arriscasse um valor que ultrapassava o limite de sua linha de crédito pessoal. Antes que o rival pudesse responder, o martelo do leiloeiro bateu. Kaelen tinha o núcleo, mas o preço era uma dívida que o sistema da Academia agora registrava em vermelho-sangue, pulsando em seu campo visual.

Ao sair do salão, Valerius bloqueou seu caminho.

— Você comprou um caixão, não uma peça de motor — sibilou o rival, antes de desaparecer na multidão.

De volta ao hangar, Kaelen não perdeu tempo. O relógio da Academia brilhava em um vermelho agressivo: faltavam menos de dez horas. Ele arrastou a caixa reforçada até a baia de manutenção e iniciou a integração forçada. O sistema da Academia disparou um alerta: Aviso — Protocolo de Segurança 17-B: Fusão de núcleo não-autorizado. Interromper ou incorrer em multa adicional.

Kaelen ignorou a notificação, sobrepondo os comandos de segurança com a técnica proibida que aprendera nas sombras. O metal do Centurião-4 gemeu sob a pressão da nova essência. À medida que o núcleo era fundido, o painel do mech começou a emitir uma frequência que não deveria existir.

"A escada... ela se alimenta de nós," uma voz sussurrou diretamente no córtex de Kaelen.

Ele cambaleou, batendo as costas contra o chassi do mech. O hangar estava vazio, mas a voz era clara, orgânica, possuindo uma cadência que gelava sua espinha. O núcleo não era apenas uma fonte de energia; era um receptáculo, e a consciência aprisionada nele estava despertando. Kaelen tentou estabilizar a respiração, mas sentiu uma pontada aguda em seu peito. O núcleo não estava apenas alimentando o motor; ele estava drenando sua vitalidade para otimizar a máquina. A cada batida do motor, ele perdia um pouco de si mesmo, um preço que a técnica proibida nunca mencionou. O próximo teste de elite não seria apenas uma prova de habilidade; seria uma corrida contra o próprio colapso enquanto as vozes do núcleo começavam a revelar os segredos podres da Ascensão da Academia.

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