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Chapter 2: O Custo da Eficiência

Kaelen enfrenta a manipulação de mercado de Valerius, que compra todas as peças necessárias para o reparo de seu mech. Para contornar a escassez, Kaelen utiliza uma técnica proibida que sacrifica sua memória de curto prazo para aumentar a eficiência do Centurião-4. Ele vence o teste público contra um veterano, mas o sistema da Academia reclassifica seu status, elevando sua dívida para 7.500 créditos e tornando o próximo degrau da Escada ainda mais inalcançável.

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O Custo da Eficiência

O Hangar de Manutenção da Academia cheirava a ozônio e metal queimado, um odor que grudava na pele como uma sentença. Kaelen observava o Centurião-4, seu único ativo e sua maior fonte de dívida. O chassi de liga leve, marcado pelas cicatrizes da manobra proibida que o salvara no Campo de Provas, estalava enquanto esfriava. O painel de status projetava uma luz vermelha intermitente: Integridade Estrutural: 32%. Créditos de Essência: -5.000.

— Auditoria retroativa, Kaelen. O protocolo de combate foi atualizado cinco minutos após o seu teste — a voz de Mestra Elara cortou o silêncio. Ela caminhava entre as baias com a elegância predatória de quem conhece cada engrenagem do sistema. — O uso da técnica de fluxo reverso foi classificado como 'dano ao patrimônio da seita'. A multa cobriu o saldo da sua vitória.

Kaelen sentiu o peso da dívida como uma aura física, uma pressão que parecia esmagar seus pulmões. Sem o Centurião-4 reparado, o próximo ciclo da Escada seria sua execução pública.

— Eu cumpri os objetivos — Kaelen respondeu, a voz rouca, sem desviar o olhar do mech. — A técnica foi a única forma de atingir a meta de tempo. Se a Academia quer eficiência, ela tem que aceitar o custo da ferramenta.

Elara parou ao lado dele, observando o núcleo de energia instável. — A Academia quer resultados, não justificativas. Se você não subir de rank antes do fechamento do ciclo, sua dívida se tornará uma sentença de servidão. Conserte-o. Ou não volte.

O cheiro de ozônio ainda impregnava as vestes de Kaelen quando ele cruzou os portões do Setor de Componentes. Ele precisava de um atuador nível 3, usado, a única peça capaz de estabilizar o joelho do Centurião. Ele caminhou até o balcão da 'Sucata do Velho Zé', jogando seus últimos créditos sobre o balcão. O som das moedas foi seco, sem brilho.

— Preciso de um atuador nível 3 — disse Kaelen.

O velho soltou uma risada rouca, cuspindo no chão. — O preço dobrou há dez minutos, rapaz. Sinto muito. Ordens de cima.

Uma sombra se projetou sobre o balcão. Valerius, impecável em seu uniforme de cadete de elite, aproximou-se com um sorriso que não chegava aos olhos. Atrás dele, dois mechs de escolta mantinham a postura rígida.

— Você tem um gosto peculiar para lixo, Kaelen — Valerius disse, sua voz carregada de um desdém polido. — Comprei todo o estoque de peças compatíveis com o seu modelo sucateado. Não por necessidade, mas para garantir que você não manche a arena com aquele seu Centurião capenga.

Valerius inclinou-se, o perfume caro contrastando com o cheiro de graxa de Kaelen. — O preço da peça que você precisa acabou de dobrar no mercado local, e eu acabo de comprar o último exemplar. Boa sorte tentando subir a Escada com um mech que não consegue nem se manter em pé.

Naquela noite, na oficina clandestina, Kaelen tomou uma decisão irreversível. Ele não tinha peças, mas tinha o fragmento proibido da Mestra Elara. Ele conectou os cabos de transferência, forçando o metal sucateado a aceitar a essência de um núcleo danificado. A dor foi imediata, como agulhas de gelo perfurando seus nervos, mas a eficiência do mech disparou. Ao desconectar os cabos, Kaelen piscou e percebeu que não conseguia se lembrar do rosto de sua mãe. O poder tinha um custo, e ele estava pagando com sua própria identidade.

Na manhã seguinte, na Arena de Provas, Kaelen enfrentou um veterano. O Centurião-4 rangeu, mas a técnica proibida o fez mover-se com uma velocidade antinatural. Kaelen desestabilizou o oponente com um golpe preciso. A vitória foi clara, pública e humilhante para o veterano.

Mas, ao descer da cabine, o sistema da Academia emitiu um aviso sonoro. A vitória não trouxe o bônus esperado. Em vez disso, a Escada recalculou seu status para 'cadete de elite', o que imediatamente disparou uma taxa de manutenção de alto nível, debitando juros que ele não podia pagar. A dívida subiu para 7.500 créditos. Ele havia vencido a luta, mas o sistema acabara de aumentar a altura do próximo degrau.

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