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Chapter 1: Dívida de Sangue e Aço

Kaelen sobrevive ao teste de qualificação no Campo de Provas utilizando uma técnica proibida, mas a Academia altera o protocolo retroativamente, transformando sua vitória em uma dívida impagável. Valerius, seu rival, revela que o custo de reparo do seu mech dobrou, forçando Kaelen a enfrentar um novo ciclo de pressão imediata.

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Dívida de Sangue e Aço

O chassi do Centurião-4 gemia sob o peso da própria obsolescência, cada vibração metálica reverberando no cockpit como um aviso rítmico de falha iminente. Kaelen sentia a pulsação do motor de essência através do assento; ele operava em menos de 15% da capacidade nominal, um estado de agonia que qualquer outro cadete teria abandonado meses atrás. No painel frontal, o contador de dívida da Academia projetava um brilho âmbar, quase vermelho, que dançava sobre seus olhos: CRÉDITOS EXIGIDOS PARA QUALIFICAÇÃO: 500. SALDO ATUAL: 12.

— Kaelen, o tempo esgotou — a voz metálica da Mestra Elara ecoou pelos alto-falantes do Campo de Provas, fria e desprovida de qualquer empatia. — Se o seu mech não cruzar a linha de ignição em dez segundos, seu registro como cadete será cancelado e seus ativos, confiscados para liquidação imediata.

Nas arquibancadas de metal polido, Valerius estava de pé, observando o desastre com um sorriso que não chegava aos olhos. Ele era a personificação da elite, um cultivador cujos recursos nunca eram escassos, apenas esperados. Ao lado dele, os outros cadetes riam. Para eles, Kaelen não era um competidor; era apenas uma falha de sistema prestes a ser corrigida.

Kaelen não respondeu. Ele não podia se dar ao luxo de gastar energia com palavras. Seus dedos dançaram sobre o painel de comando, ignorando os protocolos de segurança. Ele acessou uma pasta oculta de seu terminal, um diretório corrompido que ele chamava de "O Legado do Sucateiro". Ali, escondida entre manuais técnicos descartados, estava a técnica proibida: uma sequência de sobrecarga que forçava o núcleo a consumir a própria integridade estrutural do chassi como combustível. Era um suicídio técnico, mas a alternativa era a sarjeta.

Com um clique, o motor rugiu. O ar na Arena de Provas mudou, tornando-se pesado com o cheiro de ozônio e metal queimado. O Centurião-4 avançou, não com a graça dos modelos de elite, mas com a brutalidade desesperada de um animal encurralado. Kaelen sentiu o impacto do primeiro golpe do simulador de combate viajar pelo chassis enferrujado. O medidor de essência piscava em um laranja doentio: 4%. A margem de erro para a aprovação era de 5%. Ele estava, tecnicamente, morto.

— Desista, sucata ambulante — a voz de Valerius ecoou pelos alto-falantes, carregada de desdém. O Mech de Valerius, um protótipo com acabamento em liga de obsidiana, pairava sobre a arena como um predador entediado. — Você está queimando o pouco crédito que lhe resta apenas para prolongar o vexame.

Kaelen ignorou o rival. A técnica proibida era um parasita; ela exigia que ele cedesse sua própria vitalidade para estabilizar o fluxo de essência. Cada vez que ele acelerava o núcleo, o frio cortante da exaustão espiritual mordia seus ossos, tornando sua visão turva. Ele sacrificou a estabilidade do braço direito do mech, desviando toda a energia para os propulsores de salto. O Centurião-4 disparou, um borrão de ferro velho que rasgou o ar, passando pela barreira de qualificação no exato milissegundo em que o cronômetro travou.

O silêncio na arena foi absoluto. Kaelen desceu do cockpit, as pernas bambas, a pele pálida sob o suor frio. O relógio da Academia parou a contagem. Ele sobreviveu. Mas ao caminhar até o terminal de auditoria para retirar suas recompensas, o vidro holográfico não exibiu um crédito positivo. Em vez disso, o visor piscou em letras vermelhas: Dívida de Manutenção de Infraestrutura — Penalidade por Uso de Técnica Proibida: 5.000 Créditos de Essência.

— Isso é impossível — Kaelen sibilou, a voz rouca. — A técnica estava em um manual descartado. Não havia restrição no protocolo.

— O protocolo mudou dez minutos atrás, Kaelen — Valerius estava parado logo atrás, observando a tela com os braços cruzados, o emblema de prata de sua linhagem brilhando sob as luzes da arena. — E a peça que você precisa para consertar esse lixo? Acabou de dobrar de preço no mercado local. O medidor de dívida piscou em vermelho sangue, indicando que seu próximo teste não seria apenas por glória, mas por sobrevivência imediata.

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