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Chapter 4: Sobrevivência no Nível de Aço

Kaelen chega ao portão da zona industrial de prova com o cronômetro da auditoria de integridade marcando menos de 14 horas. Seu mech está em lockdown parcial e o parasita consome vitalidade. Ele força a instalação parcial do núcleo estabilizador adquirido no leilão, ganhando +31.2% de eficiência no núcleo proibido ao custo de integridade física crítica (67%). O portão se fecha atrás dele com estrondo, selando-o dentro da zona com o estabilizador semi-instalado e a dívida de +47.300 Fluxo ainda pendente. Dentro da zona industrial saturada de néon, Kaelen é emboscado por três cadetes aliados de Valéria pilotando mechs Calibração 7.5. Apesar da superioridade numérica e técnica dos inimigos, ele ativa o núcleo proibido a custo de vitalidade severa, libera uma explosão cinética direcionada que desativa dois mechs e força a ejeção dos pilotos. O terceiro foge transmitindo coordenadas para Valéria. Kaelen ganha pontos cruciais de prova, mas sofre danos críticos no mech e queda drástica de vitalidade. A zona entra em lockdown parcial, selando-o dentro com exigência de pontos adicionais para sair, enquanto o tempo até a auditoria de integridade continua correndo. Ferido e com o mech falhando, Kaelen acessa o núcleo de dados abandonado e descobre um registro antigo revelando que a Escada de Provas é uma jaula projetada pela elite para manter endividados. Ele instala o núcleo estabilizador, ganhando +47% de eficiência e estabilidade temporária do parasita, mas com custo de sobrecarga futura e dívida agravada. No final, a zona se fecha, prendendo-o dentro com danos críticos no mech.

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Sobrevivência no Nível de Aço

A Entrada no Aço em Chamas

Kaelen sentiu o peso da mochila bater contra as costas como se cada grama do núcleo estabilizador fosse feito de chumbo derretido. O cronômetro holográfico flutuava no canto da visão: 13 horas e 47 minutos até a auditoria de integridade começar a queimar seu contrato de sangue de dentro para fora.

O portão da Zona Industrial de Prova se erguia à frente — duas placas de titânio negro cravejadas de rebites do tamanho de punhos, iluminadas por néon vermelho que pulsava como artéria exposta. Acima, letras garrafais queimavam no ar:

ZONA DE CALIBRAÇÃO 7+ SOBREVIVÊNCIA ABERTA — EFICIÊNCIA MÍNIMA EXIGIDA: 1.94x CANDIDATOS ABAIXO DO LIMITE: ELIMINAÇÃO AUTOMÁTICA

Seu mech de calibração 7 estava trancado em lockdown parcial desde o teste de estresse do leilão. Os servos de perna direita mal respondiam, e o núcleo de conversão proibido — aquele parasita que Mestre Vane chamava de “presente envenenado” — já começava a sugar vitalidade em pequenos espasmos que subiam pela coluna como facas quentes.

Kaelen apertou o passo. Não havia fila. Candidatos que chegavam atrasados simplesmente não entravam.

Ele ergueu o pulso. O bracelete de identificação piscou vermelho.

「Kaelen Voss — Dívida líquida: +47.300 Fluxo de Éter」 「Status: Em atraso crítico」 「Acesso liberado — 13:46:12 restantes」

O portão rangeu. Uma fresta de meio metro se abriu com estalo hidráulico. Calor industrial soprou no rosto dele — cheiro de óleo queimado, ozônio e metal superaquecido.

Dentro, o chão era gradeado. Abaixo, tubulações vermelhas pulsavam com fluido luminescente. Torres de resfriamento vomitavam vapor que se condensava em gotas ácidas antes de atingir o solo. Ao longe, silhuetas de outros mechs se moviam entre sombras — cadetes já posicionados, testando alcance, calibrando sensores.

Kaelen deixou a mochila cair. Abriu o zíper com dedos que tremiam de fadiga acumulada. O núcleo estabilizador de alta densidade brilhou frio lá dentro — um cilindro negro facetado, veias de prata correndo pela superfície como circuitos vivos.

Ele arrancou a placa de acesso do peito do mech. O mecanismo rangeu em protesto. Fios rompidos pendiam como veias cortadas. O parasita dentro do núcleo proibido reagiu imediatamente — uma pontada aguda subiu pelo esterno, como se alguém tivesse enfiado uma agulha de gelo direto no pericárdio.

— Vamos lá, seu filho da puta — murmurou Kaelen entre dentes. — Você comeu minha família. Agora vai me deixar viver mais um dia.

Ele encaixou o estabilizador no soquete principal. A conexão foi imediata e violenta.

Um estalo seco. Faíscas azuis correram pelos braços do mech. O HUD interno piscou:

「Instalação parcial detectada」 「Eficiência do núcleo proibido: +28.4%」 「Consumo vital estimado: 1.7% por minuto em idle」 「Aviso: sobrecarga térmica iminente se conexão não for completada」

A dor veio em onda. Não era só física — era como se o próprio Fluxo de Éter estivesse sendo arrancado dele em tiras. Kaelen rangeu os dentes até sentir gosto de sangue. Forçou a segunda fase da conexão mesmo assim. O estabilizador desceu mais um centímetro. Outro estalo. Mais faíscas.

「Eficiência estabilizada: +31.2%」 「Lockdown parcial removido — pernas direita recuperadas a 84%」 「Aviso crítico: integridade estrutural do piloto em 67%」

Kaelen respirou fundo. O ar dentro da cabine cheirava a cobre quente. Ele flexionou os dedos do mech. A perna direita respondeu — lenta, mas respondeu.

De repente, o portão atrás dele começou a fechar.

Um aviso ecoou pelos alto-falantes industriais:

「Janela de entrada encerrada.」 「Candidatos remanescentes: 17」 「Próxima fase: Emboscada Livre — eliminação por incapacitação ou saída de zona」

O estrondo final do portão selando a entrada foi como um caixão batendo tampa.

Kaelen olhou para o cronômetro: 13 horas e 41 minutos.

Dívida líquida piscando no canto da visão: +47.300 Fluxo.

E o parasita, agora um pouco mais calmo com o estabilizador semi-instalado, sussurrava no fundo da mente: Mais. Sempre mais.

Ele engoliu em seco, engatou a marcha do mech e avançou para dentro da névoa vermelha.

A prova tinha começado.

Emboscada dos Herdeiros de Neon

O cronômetro da auditoria de integridade marcava 13 horas e 47 minutos quando Kaelen atravessou a última comporta pressurizada do Setor Central. O ar cheirava a óleo superaquecido e metal mordido por corrente elétrica. Tubulações grossas como troncos corriam pelas paredes, pulsando com vapor que chiava ao escapar pelas juntas mal soldadas. Neon azul e magenta rasgava a penumbra, refletindo em placas de titânio corroído e transformando cada sombra em lâmina.

Seu mech — agora oficialmente Calibração 7.1 após o conserto emergencial — rangeu ao dar o primeiro passo na plataforma principal. O núcleo estabilizador ainda estava no coldre da coxa, embrulhado em tecido isolante; instalá-lo ali dentro seria suicídio. O parasita já mordia sua medula toda vez que ele pedia mais de 12% de saída.

Três silhuetas se destacaram contra o brilho de uma fornalha industrial distante.

Mechs de linha Montez, Calibração 7.5, blindagem espelhada, lançadores de pulsos montados nos antebraços. Os pilotos nem se deram ao trabalho de ocultar os emblemas da casa. Valéria nem precisava estar presente para marcar território.

— Rato de esgoto achou que podia comprar um brinquedo de elite e sair vivo — disse o da esquerda, voz amplificada pelo vox do cockpit. — O rumor que você plantou no leilão já custou três pontos de crédito da família. Isso aqui é juros.

Kaelen não respondeu. Seus dedos dançaram no painel tátil. O HUD piscou:

Dívida líquida: +47.312 Fluxo Vitalidade restante estimada: 41% Saída máxima segura do parasita: 11,8%

Ele abriu os canais públicos da zona de prova. Deixar tudo gravado era a única forma de pontuar oficialmente.

— Três contra um, calibração superior, emboscada premeditada. — Sua voz saiu calma, quase entediada. — Registro iniciado. Protocolo de sobrevivência padrão.

Os três avançaram em formação delta. O central disparou primeiro: dois pulsos de plasma que queimaram o ar e explodiram contra o escudo cinético de Kaelen, jogando-o três metros para trás. O impacto fez seus dentes baterem. O parasita respondeu com uma pontada que subiu pela coluna como arame farpado.

Ele rolou para trás de uma coluna de resfriamento. Vapor explodiu ao redor dele, escondendo o movimento. Os três mechs abriram os holofotes — luz branca crua que apagava qualquer sombra útil.

— Para de se esconder, Montez quer ver o sangue no chão — gritou o da direita.

Kaelen respirou fundo. Sentiu o núcleo estabilizador pulsar contra a coxa, quente, quase vivo. Ainda não. Primeiro ele precisava que eles se aproximassem.

Ele saiu da cobertura correndo baixo, zigzagueando entre as tubulações. O da esquerda tentou flanqueá-lo; Kaelen girou o torso do mech e lançou uma rajada de estilhaços de baixa densidade — munição barata, mas o bastante para forçar o outro a erguer o escudo.

Nesse segundo de distração, ele ativou o parasita a 14,2%.

A dor veio instantânea, como se alguém tivesse aberto sua caixa torácica com uma chave de fenda cega. Seu campo visual ficou vermelho nas bordas. Mas o ganho foi imediato: o núcleo proibido converteu o débito acumulado em uma onda cinética pura.

Ele plantou os pés, girou o braço direito num arco curto e liberou.

Explosão cinética direcionada – 87% de contenção

O ar tremeu. Uma esfera de força invisível saiu do punho do mech e atingiu os dois flanqueadores em cheio. Blindagem espelhada rachou como vidro temperado. Os cockpits dos dois mechs se abriram em emergência; os pilotos foram ejetados em cápsulas de salvamento que bateram contra as tubulações com estrondo metálico.

O HUD atualizou:

Pontos de prova adquiridos: +820 Eficiência de combate registrada: 214% acima da média da Calibração 7.1 Vitalidade restante estimada: 28%

O terceiro mech recuou, já transmitindo.

— Coordenadas confirmadas. Ele está usando conversão proibida. Valéria, confirmação visual. — A voz tremia. — Estamos fora.

O mech inimigo disparou uma cortina de fumaça eletrônica e sumiu entre as tubulações mais altas.

Kaelen caiu de joelhos. Sangue quente escorreu do nariz e pingou no painel. O parasita estava faminto agora; cada respiração parecia sugar mais oxigênio do que os pulmões conseguiam fornecer.

Ele abriu o coldre da coxa com dedos trêmulos. O núcleo estabilizador brilhou frio sob a luz neon.

Se instalasse agora, talvez conseguisse estabilizar o parasita antes que ele consumisse o que restava de vitalidade. Se não instalasse, a próxima emboscada — ou a que viria depois — o mataria.

Treze horas e 41 minutos até a auditoria de integridade.

O som metálico de uma comporta se fechando ecoou ao longe.

As luzes da zona piscaram uma vez. Vermelho. Bloqueio de setor.

O mech rangeu, sistemas travando em sequência. Danos críticos acumulados: estrutura 17%, núcleo de energia 41%, mobilidade 62%.

A voz sintética da zona soou nos alto-falantes quebrados:

Integridade estrutural crítica. Zona de prova em lockdown parcial. Evacuação não autorizada. Sobrevivência mínima exigida para desbloqueio: 180 pontos restantes.

Kaelen fechou os olhos por um segundo. O gosto de sangue e metal enchia a boca.

Ele ainda não tinha terminado de pagar o preço da última vitória.

E a Escada, como sempre, não esperava ninguém respirar.

O Registro Esquecido e o Fecho da Jaula

O mech de Kaelen arrastava a perna hidráulica esquerda com um chiado metálico que ecoava como moedas de dívida caindo no concreto. O visor rachado piscava em vermelho intermitente: integridade 19%. Vitalidade pessoal: 31%. O núcleo estabilizador ainda não instalado queimava no compartimento de emergência contra seu peito, quente como o contrato de sangue que pulsava em suas veias.

Ele forçou a entrada no Núcleo de Dados Abandonado, uma sala escura onde painéis antigos piscavam como olhos moribundos. O ar cheirava a ozônio queimado e ferrugem antiga. Luz neon fria vazava por rachaduras no teto, iluminando consoles cobertos de poeira que ninguém tocava havia ciclos.

— Tempo... — murmurou Kaelen, voz rouca dentro do capacete. O cronômetro da auditoria de integridade marcava 11 horas e 47 minutos. Menos de doze até o sistema declarar falha permanente e travar sua Escada para sempre.

Sentou-se no chão frio, ignorando a dor que subia pela coxa. Com dedos trêmulos, arrancou o painel lateral do mech e puxou o núcleo estabilizador de alta densidade. O artefato pulsava com uma luz azul densa, contrastando com o brilho vermelho do parasita proibido já incrustado em seu núcleo central.

O registro esquecido apareceu quando ele conectou o cabo improvisado ao console mais próximo. Uma voz sintética antiga crepitou:

“Origem da Escada de Provas, ciclo zero. Não é sistema de mérito. É jaula. Elite criou o Fluxo de Éter para converter dívida familiar em controle perpétuo. Cada prova pública coleta dados de combate para refinar o algoritmo que mantém os de baixo endividados. Quebra o ciclo...”

A transmissão cortou com estática. Kaelen congelou. Não era só uma prova. Era um mecanismo projetado para sugar gente como ele. A família Montez, a dívida de sangue... tudo alimentava a mesma máquina.

— Filho da puta... — sussurrou ele, mas não havia tempo para raiva. O mech gemia, sistemas falhando em cascata. Ele alinhou o núcleo estabilizador ao slot danificado.

Instalação começou. Uma onda de energia fria invadiu o sistema. Números saltaram no HUD:

Eficiência de combate: +47% Estabilidade do parasita: temporariamente contida Vitalidade projetada: +31% por 43 minutos

O ganho era brutalmente visível. A perna hidráulica parou de arrastar. Os servomotores responderam com força renovada. Por um instante, Kaelen sentiu o poder mudar de mãos — não mais sobrevivendo, mas controlando o fluxo dentro do próprio corpo. O parasita se acalmou, como se o estabilizador o tivesse acorrentado.

Mas o preço veio imediato. Uma queimação subiu pelo braço esquerdo, onde o contrato de sangue reagia à nova ligação. Dívida líquida no visor: +47.300 Fluxo, agora com juros de risco ativados. E o núcleo avisou em vermelho vivo:

“Aviso: integração com parasita proibido causa sobrecarga irreversível em 43 minutos. Integridade óssea em risco.”

Kaelen riu seco, sem humor. Ganhou tempo, ganhou força, mas a jaula só apertou mais. Ele copiou o fragmento do registro para seu implante neural — prova de que a Escada era uma fraude maior do que imaginava. Isso mudava tudo. Valéria, a elite, o sistema inteiro... agora ele tinha uma arma contra eles.

Levantou-se. O mech respondeu melhor, mas o chão tremeu. Alarmes distantes soaram. A zona de prova entrava em protocolo de fechamento total.

Correu para a saída, cada passo ecoando com o som metálico da dívida que ainda ditava o ritmo. Portas de aço começaram a descer com estrondo hidráulico. Ele mergulhou sob a última, mas o mech ficou preso no batente.

Metal rangeu. O visor ficou completamente vermelho. Alerta final:

“Danos críticos no chassis. Lockdown da zona ativado. Cadete Kaelen preso até auditoria completa.”

O estrondo final selou a saída. Silêncio. Apenas o zumbido baixo dos sistemas morrendo e o pulsar quente do núcleo estabilizador contra sua pele, lembrando que o ganho de +47% tinha acabado de comprar uma jaula mais apertada.

E em algum lugar lá fora, Mestre Vane ainda não sabia que o reset do ranking estava prestes a apagar tudo se ele não escapasse dessa armadilha antes do amanhecer.

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