Novel

Chapter 2: A Primeira Prova de Fogo

Beatriz e Rafael sobrevivem à primeira prova pública do noivado na gala da Fundação Alencar. Rafael protege Beatriz de um colunista social com uma agressividade inesperada, revelando que sua possessividade vai além do contrato. Ao retornarem à mansão, Rafael apresenta um envelope contendo documentos sobre o passado da família de Beatriz, elevando a chantagem a um novo nível pessoal.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

A Primeira Prova de Fogo

O ar-condicionado do salão da Fundação Alencar não era suficiente para dissipar a eletricidade estática que emanava da multidão. Beatriz sentia o peso do vestido de seda como uma armadura, fina demais para protegê-la dos olhares que, ela sabia, já calculavam o valor de cada joia que ela não possuía mais. Ao seu lado, a presença de Rafael era uma sombra sólida, um lembrete constante de que sua liberdade fora precificada e vendida para cobrir dívidas que ela, um dia, acreditou serem estritamente privadas.

— Sorria, Beatriz. O colunista da Society está observando — a voz de Rafael era um murmúrio baixo, um comando disfarçado de conselho. Ele mantinha a postura impecável de quem nunca precisou pedir permissão para ocupar um espaço.

Beatriz forçou os músculos da face, mantendo o queixo erguido. O desespero era uma pulsação surda em suas têmporas, mas sua dignidade era a última fronteira entre ela e a aniquilação social. Ela sentia o segredo sobre seu filho como uma âncora, uma ameaça que Rafael segurava na palma da mão com uma displicência que a enfurecia.

— Não preciso de lembretes, Rafael — ela rebateu, a voz mantendo uma polidez gélida. — Sei exatamente o que este contrato exige de mim.

Antes que ele pudesse responder, Marcelo, o colunista social mais temido de São Paulo, interceptou o casal perto do bar. Seu sorriso era predatório, fixo como uma máscara de porcelana.

— Então, Beatriz, o silêncio é a nova estratégia das falidas? Ou devo perguntar como uma empresa à beira do despejo de repente encontra um salvador com o sobrenome Sampaio? — Marcelo inclinou-se, sua voz cortando o burburinho do salão como uma lâmina. — O mercado está curioso. É amor ou apenas uma liquidação de ativos?

Beatriz sentiu o sangue fugir de seu rosto. O segredo sobre o pai de seu filho, guardado sob camadas de silêncio e medo, pulsava sob sua pele. Ela não podia ser humilhada ali, não com o futuro de sua família pendurado por um fio.

— Marcelo, sua dedicação ao entretenimento alheio é quase tão notável quanto sua falta de decoro — respondeu ela, embora seu coração martelasse contra as costelas. — Rafael e eu temos assuntos que não dizem respeito à sua coluna.

O colunista abriu a boca para retrucar, mas foi silenciado por uma mão que pousou com firmeza inabalável no ombro de Beatriz. Rafael deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Marcelo. A temperatura ao redor deles pareceu cair dez graus.

— Minha noiva não é um tópico de fofoca, Marcelo — disse Rafael, a voz desprovida de qualquer cordialidade. — Se a sua coluna insistir em confundir especulação com jornalismo, terei o prazer de comprar o grupo editorial que a publica apenas para garantir que você esteja desempregado até o amanhecer.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Marcelo empalideceu, balbuciando um pedido de desculpas antes de recuar apressado para a multidão. Beatriz ficou atônita. A ferocidade de Rafael não estava no contrato; ele acabara de gastar capital político real para protegê-la.

Mais tarde, na varanda privativa, o ar estava carregado com o cheiro de chuva e o perfume caro de Rafael.

— Você não precisava ter sido tão agressivo — disse ela, a voz ainda trêmula.

Rafael fechou o espaço entre eles, a sombra de seu terno engolindo o brilho dos refletores. Seus olhos escuros percorriam o rosto dela com uma possessividade que não constava nas cláusulas.

— A reputação dele é irrelevante, Beatriz. Mas a sua, enquanto estiver sob a minha proteção, é um ativo que não permitirei que seja depreciado. Você é minha noiva, querendo ou não. E eu não costumo tolerar que ninguém toque no que é meu.

O termo "meu" atingiu Beatriz como um golpe. Ela percebeu, com um calafrio, que Rafael não a via apenas como uma fachada corporativa; ele estava reivindicando-a pessoalmente.

O trajeto de volta até a mansão de Rafael foi um exercício de silêncio denso. Beatriz observava as luzes de São Paulo passarem, sentindo o peso da aliança que ele a obrigara a usar como uma algema invisível. Ao entrarem no escritório, o ambiente era austero, impregnado pelo cheiro de mogno e charutos. Rafael apontou para um envelope pardo sobre a mesa de vidro.

— O que é isso? — a voz dela soou mais firme do que sua coragem permitia.

Rafael encostou-se à mesa, observando-a. Beatriz abriu o envelope e, ao ler o conteúdo, o ar faltou em seus pulmões. Eram documentos sobre sua própria família, segredos que ela acreditava terem sido destruídos anos atrás. A armadilha não era apenas financeira; era pessoal, profunda e impiedosa.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced