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Chapter 1: O Preço da Elegância

Beatriz, à beira da falência, enfrenta a humilhação pública em uma gala de elite. Rafael, o homem do seu passado, intervém comprando suas dívidas e forçando um noivado falso para proteger seus próprios interesses corporativos, mantendo o segredo do filho de Beatriz como moeda de troca.

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O Preço da Elegância

O vestido de seda azul-noite, alugado por uma fração do preço original, pesava sobre os ombros de Beatriz como uma sentença. Cada passo pelo salão da Fundação Alencar era um exercício de equilíbrio; ela não estava apenas caminhando sobre saltos de doze centímetros, mas sobre a linha tênue entre a respeitabilidade social e a falência absoluta. No bolso de sua clutch, o aviso de despejo que chegara naquela manhã parecia queimar, uma lembrança física de que, fora daquelas paredes douradas, sua vida era um castelo de cartas prestes a ruir.

Beatriz ajustou o sorriso, mantendo-o frio e impecável. O ar-condicionado potente do salão não era suficiente para esfriar o calor da humilhação que subia por seu pescoço. Ela precisava de um investidor, de um milagre, de qualquer coisa que impedisse que o nome de seu filho fosse arrastado pela lama dos tribunais de falência. Não havia margem para erro; cada gesto seu era observado por olhares famintos por um deslize.

— Beatriz, querida — a voz untuosa de Marcelo, o colunista social mais temido de São Paulo, cortou seu campo de visão. Ele se aproximou, o brilho dos olhos denunciando que ele sabia mais do que deveria. — Ouvi rumores sobre a liquidação da sua empresa. Dizem que o escritório na Faria Lima está quase vazio. Algum comentário para meus leitores antes da queda oficial?

O estômago de Beatriz deu um solavanco, mas ela manteve a postura. Sua dignidade era sua única armadura. Antes que pudesse formular uma resposta que não a incriminasse, uma mão firme, porém contida, fechou-se ao redor de seu antebraço. A pressão era familiar, autoritária e gélida. Rafael estava ali.

— Você está me devendo essa dança, Beatriz — a voz dele era um murmúrio aveludado, carregado de um escárnio que não alcançava seus olhos frios. Sem esperar a resposta, ele a conduziu para longe do colunista, atravessando a galeria de espelhos até o terraço isolado do salão.

O ar noturno era cortante, mas o calor que emanava de Rafael, encostado nela contra o peitoril de mármore, era mais perigoso. O contraste entre a iluminação dourada do salão e a escuridão do terraço criava uma moldura de predador e presa.

— O que você quer, Rafael? — sibilou ela, tentando ignorar a proximidade dele.

— Quero evitar que você seja devorada viva lá dentro — ele respondeu, deslizando um envelope sobre o mármore. — Comprei suas dívidas. Todas elas. A partir de agora, você não responde mais ao banco ou aos credores. Você responde a mim.

Beatriz sentiu o sangue fugir do rosto. A revelação era um golpe direto em sua autonomia. — Você não tinha o direito...

— Eu tenho o poder — ele a interrompeu, inclinando-se até que seus rostos estivessem a centímetros de distância. — Preciso de uma noiva para limpar minha imagem corporativa antes da fusão. Você precisa de alguém que esconda sua falência e garanta que o seu segredo — ele pausou, o olhar caindo sobre o ventre dela, então subindo para seus olhos com uma intensidade predatória — continue enterrado. Aceite o contrato, ou amanhã o mundo saberá exatamente onde você esteve nos últimos cinco anos.

Beatriz travou o maxilar. O desespero competia com a fúria. Aceitar significava submissão, mas recusar era condenar seu filho à exposição total. Ela não tinha saída.

Retornando ao salão, Rafael assumiu o controle. Ele envolveu a cintura dela com uma possessividade calculada, forçando-a a caminhar sob os holofotes da elite. Quando o mesmo colunista social tentou se aproximar novamente, Rafael o silenciou com um olhar que prometia o fim de sua carreira.

— Ela está comigo — disse Rafael, a voz alta o suficiente para ser ouvida pelos curiosos ao redor.

Beatriz sentiu a pressão dos dedos dele afundando levemente em sua pele. Ele a estava reivindicando, não como um parceiro, mas como uma propriedade. Rafael inclinou-se, sussurrando em seu ouvido enquanto forçava um sorriso para as câmeras que já começavam a registrar o momento:

— Sorria, Beatriz. Você não tem escolha. O contrato é a única coisa que separa você da ruína absoluta.

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