O Módulo Proibido
O Hangar 4 não era um lugar de glória; era um cemitério de metal onde o cheiro de ozônio e graxa queimada mascarava o medo. O V-7 de Kael tremia, um chassi de sucata que gemia sob o peso de um segredo. Sob a carcaça, o módulo proibido — uma peça de tecnologia banida que brilhava com um azul gélido e doentio — pulsava em sincronia com o batimento cardíaco de Kael.
— Desligue o protocolo de segurança, Mestre Aris! — Kael gritou, a voz cortando o zumbido elétrico que fazia seus dentes vibrarem. O cronômetro do teste de recall, projetado em um holograma trêmulo sobre o cockpit, marcava 07:42.
Aris, com as mãos manchadas de óleo negro e o rosto marcado por décadas de sobrevivência nas sombras, não se moveu do terminal. — Se eu fizer isso, o sistema de segurança vai travar os atuadores permanentemente. Você está operando com uma tecnologia que a Academia baniu antes mesmo de você nascer. Se a equipe de manutenção chegar e vir esse brilho, não será apenas a sua expulsão. Será o fim da sua linhagem.
Kael não desviou o olhar. Ele forçou o comando de ignição fria. O Mech soltou um guincho metálico, uma reclamação de ferro contra ferro. A energia, faminta e instável, começou a drenar através dos circuitos. Kael sentiu a vibração pulsar diretamente em sua espinha através do link neural, uma corrente fria que ameaçava reescrever suas sinapses. Ele estava sendo consumido pela própria vantagem que acabara de adquirir.
O estrondo das botas de combate no corredor interrompeu o silêncio tenso. O capataz da facção de Lívia, flanqueado por dois técnicos, invadiu o hangar. — Inspeção de segurança, sucateiro. Sai da frente. — Os olhos do capataz fixaram-se na carcaça surrada do V-7. Kael sentiu o suor frio escorrer pelas costas. Com movimentos fluidos, ele injetou um log de batalha corrompido no sistema. O scanner portátil do capataz oscilou entre o vermelho e o verde. — Apenas resíduos de energia do último treino — Kael mentiu, a voz firme.
O sensor estabilizou no verde. O capataz bufou, mas antes que pudesse sair, Lívia surgiu, o desprezo esculpido em seu rosto impecável. Ela caminhou ao redor do V-7, tocando a blindagem arranhada com uma luva de seda. — O lixo nunca melhora, Kael. Este trambolho não sobreviverá ao primeiro minuto do duelo de amanhã. Você é um desperdício de tempo e espaço nesta Academia.
Lívia saiu, mas a ordem de destruição oficial que deixou para trás pairava no ar como uma sentença. Kael sentiu o calor do módulo instalado sob o chassi. A assinatura energética estava camuflada, mas o risco de uma inspeção manual era real. Ele olhou para o placar da arena: Rank 998.
Aris aproximou-se, sussurrando com uma gravidade que fez o sangue de Kael gelar: — O sistema de rastreamento está tentando isolar a frequência. Eles sabem que algo está errado. Isso não é apenas uma peça, é uma sentença de morte.
O placar da arena atualizou novamente: Kael, Rank 998. O público, antes silencioso, começou a entoar seu nome com uma curiosidade súbita. Lívia, observando das sombras, viu a luz azul pulsar sob a carcaça e sua expressão mudou de desdém para um ódio puro e calculista. O jogo tinha mudado, e o preço do poder era a própria vida de Kael.