Chapter 9
A chuva em São Paulo não lavava nada; apenas transformava a fuligem das avenidas em uma pasta negra que grudava nos pneus do carro roubado. Rafael olhou para o painel: 05:42:10. O tempo não era mais uma medida, era uma contagem regressiva para a execução de Lúcia. O Enforcer não estava blefando. A voz dele, distorcida e gélida, ainda reverberava no habitáculo: “O arquivo é a sua única moeda, e ela está desvalorizando a cada segundo.”
Rafael estacionou em um beco atrás da delegacia central. O risco era suicida, mas o pen drive no bolso do casaco pesava como chumbo. Ele precisava de uma distração, algo que forçasse o sistema a engasgar. Conectou o dispositivo a um tablet descartável. A tela iluminou seu rosto, revelando a verdade que ele temia: o sequestro de Clara em 1998 não fora um crime de oportunidade, mas o capital semente que catapultou seu pai, J.V., ao topo da pirâmide política. Cada privilégio de Rafael, cada centavo de sua educação, fora extraído do silêncio forçado daquela mulher.
Ele correu para a estação de metrô abandonada. O contato, um homem cujas feições eram apenas sombras sob um chapéu, aguardava com uma arma visível sob o casaco. Rafael ergueu a pasta com as fotos da mãe do senador Vasconcelos.
— A moeda de troca perdeu o valor, Rafael — disse o h
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