Chapter 8
A chuva em São Paulo não lavava nada; apenas empurrava a sujeira para os bueiros, entupindo a cidade como o segredo que Rafael carregava no bolso interno do casaco. Dentro de um sedã cinza, estacionado em uma rua sem saída na zona sul, o silêncio era apenas o estalo metálico do motor esfriando e a respiração curta de Rafael. Ele encarou a tela do celular fixada no painel. O vídeo, enviado por um número restrito, não era um pedido de resgate, mas uma sentença. Lúcia estava amarrada a uma cadeira metálica, fios elétricos contornando seus pulsos. O Enforcer não aparecia, mas sua voz, processada por um filtro digital, ecoava pelo alto-falante:
— Dezoito horas, Rafael. É o tempo que resta para os servidores da família Vasconcelos apagarem os logs de 1998. Se o arquivo da Gaveta 13 não for entregue, Lúcia será apenas um dano colateral.
Rafael abriu a pasta que recuperara na gaveta. As fotografias eram brutais: seu pai, J.V., apertando a mão de um dos captores de Clara em um galpão que, anos depois, viria a ser o centro de uma das maiores empreiteiras do país. Não era apenas corrupção. Era a prova de que a fortuna que pagara sua faculdade e mantinha seu estilo de vida fora cimentada sobre o cativeiro de uma mulher mantida viva como ativo financeiro. Ele não podia vencer o Enforcer seguindo as regras do jogo; ele precisava de uma alavanca que o sistema não previra.
Rafael ajustou o capuz e saiu para a chuva, o pen drive pesando contra o peito como chumbo. Ele não era mais o filho rebelde de um magnata; para a polícia, ele era um ladrão de bancos em fuga. O rádio de uma patru
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