Chapter 7
A chuva na Avenida Paulista não lavava a sujeira; ela a transformava em uma pasta escura que grudava nos sapatos e nos segredos. Rafael sentiu o ombro de Lúcia colidir com o seu enquanto contornavam a entrada do metrô Consolação. O som das sirenes não era um aviso de trânsito; era um cerco. A polícia não respondia a um chamado comum. Eles caçavam alvos marcados por um sistema que, até o amanhecer, Rafael considerava intocável.
— Eles não pedem reforço, Rafael. Eles nos caçam como se fôssemos o inimigo público número um — Lúcia arfou, a voz falhando sob o peso da idade e do pavor. O fôlego dela era um metrônomo quebrado, marcando o tempo que restava.
Rafael apertou o pen drive no bolso interno da jaqueta. Era o objeto mais pesado que já carregara. O Enforcer não apenas descobrira que a chave entregue era falsa; ele orquestrara a entrada deles no sistema bancário para que, ao serem detectados, a polícia os tratasse como criminosos de alta periculosidade. O pai de Rafael, o "JV" dos documentos, não era apenas um nome em um livro-caixa; era a mão que movia a polícia. Rafael puxou Lúcia para o saguão de um prédio comercial, protegendo-os momentaneamente da torrente. Vinte horas. O prazo que o Enforcer dera para o encerramento do arquivo era o mesmo tempo de vida que restava para ela.
Eles desceram para a estação, onde o ar parado cheirava a desinfetante e mofo. Rafael empurrou Lúcia para dentro da última cabine do banheiro, o som dos passos metálicos dos policiais ecoando nos azulejos quebrados lá fora. Ele precisava da verdade, e a precisava antes que o cerco se fechasse.
— Meu pai — Rafael sussurrou, a voz trêmula de raiva enquanto encostava a testa no espelho rachado. — Você disse
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