Chapter 6
O ar no quarto 402 do Hotel Alvorada não era apenas mofado; era denso, saturado pela eletricidade estática de um desastre iminente. Rafael encarava o dispositivo de escuta que acabara de arrancar do batente da porta. Ele o esmagou sob o salto do sapato, mas o silêncio que se seguiu não trouxe alívio. Era um vácuo. O Enforcer não estava mais ouvindo; ele estava esperando.
Lúcia estava sentada na beira da cama, as mãos calejadas apertando o tecido do vestido com tanta força que os nós dos dedos pareciam ossos prestes a romper a pele.
— Eles sabem da chave, Rafael — a voz dela era um sussurro seco. — A que você entregou era uma distração, mas eles não são amadores. Eles detectaram a fraude na hora em que o sistema de segurança do banco recusou o acesso.
Rafael caminhou até a janela, observando a Mooca sob a chuva torrencial. Cada carro parado na esquina, cada vulto sob os toldos das fábricas, parecia um sentinela. O relógio no pulso de Lúcia marcava o ritmo: faltavam menos de vinte horas para o prazo final.
— Se a gaveta 13 não for aberta, a minha vida é o pagamento — ela repetiu, sem desviar o olhar. — E eles não vão apenas me apagar. Eles vão garantir que você seja o culpado pelo desaparecimento da Clara.
O trajeto até a instituição financeira foi um exercício de
Preview ends here. Subscribe to continue.