Novel

Chapter 1: Dívida de Sangue e Metal

Kaelen Vane, um cadete endividado, tenta passar na inspeção de ranking da Academia de Ferro para evitar a confiscação de sua assinatura biológica. Ele utiliza um componente proibido para estabilizar seu mech obsoleto, impressionando a elite, mas é reprovado por violação de protocolo. O capítulo termina com uma falha técnica que revela seu trunfo proibido e um confronto iminente com Soraia Valente.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Dívida de Sangue e Metal

O visor do Sucata-09 projetava a contagem regressiva em um vermelho cáustico, flutuando sobre a retina de Kaelen Vane: 00:04:12. Não era apenas uma dívida financeira; era o tempo de vida que restava antes que o sistema de custódia da Academia de Ferro confiscasse sua assinatura biológica como pagamento pela carcaça de mech que ele pilotava. Cada segundo de hesitação custava mil créditos em juros de penalidade.

— Vane, mova essa sucata. O próximo cadete não tem o dia todo para esperar você morrer — a voz de Soraia Valente cortou o ar estático do Campo de Provas. Ela estava parada ao lado de seu Vanguard-Prime, uma máquina de elite de liga metálica polida que parecia um deus de guerra comparado ao amontoado de peças remendadas de Kaelen.

Kaelen não respondeu. Seus dedos, calejados pelo trabalho bruto no ferro-velho, dançavam sobre os comandos manuais. O motor do seu mech gemia com um som de metal sendo triturado. Ele sentia o calor do combustível de alma sendo drenado, uma queima ineficiente que deveria ter sido fatal há semanas. Ele precisava daquela aprovação de ranking. Sem ela, a dívida familiar herdada não seria apenas um número na parede; seria uma sentença de exílio ou morte.

— Ele ainda está tentando calibrar o núcleo? — um dos examinadores riu, ajustando seu tablet de avaliação. — O garoto é uma piada. Vane, o ciclo de inspeção termina em sessenta segundos. Saia da plataforma ou seremos obrigados a iniciar o despejo de ativos.

Kaelen ignorou o escárnio. O cronômetro holográfico piscava: 00:02:00 para a falência total. Mestre Thorne, o examinador-chefe, observava do alto da bancada, sua expressão vazia escondendo um cinismo que Kaelen conhecia bem.

— Vane, o motor está oscilando fora dos parâmetros — a voz de Thorne ecoou pelos alto-falantes, desprovida de empatia. — Se não estabilizar a ignição de plasma, a Academia declarará o ativo como sucata.

Kaelen respirou fundo. O componente proibido — uma relíquia de geometria impossível que ele desenterrou no lixão do Setor 4 — estava incrustado na carcaça do motor. Ele sentiu a assinatura energética irregular pulsar. Era perigoso, era instável, mas era sua única alavanca. Ele ativou o protocolo de emergência, canalizando sua própria energia vital para a peça proibida.

— Aumentando a carga — murmurou Kaelen.

O Sucata-09 estremeceu violentamente. A arena ficou silenciosa quando a máquina começou a brilhar com uma luz azulada, uma tonalidade que não deveria existir em uma máquina tão primitiva. Soraia Valente, nas arquibancadas, estreitou os olhos, sua postura impecável vacilando por um milissegundo. Ela viu a instabilidade, o risco, mas também a eficiência bruta que superava os modelos de elite.

— Assinatura energética instável. Risco de ignição catastrófica — a voz do juiz ecoou fria. — Candidato Vane, sua performance foi tecnicamente eficiente, mas o uso de componentes não licenciados viola o protocolo da Academia. Reprovado.

O silêncio na arena foi absoluto. Kaelen sentiu o estômago revirar. Não era apenas a rejeição; era a sentença de morte. De repente, uma descarga elétrica disparou do núcleo, silenciando os microfones da banca e fazendo as luzes da arena piscarem, um curto-circuito que deixou todos em um breu momentâneo. O pulso de energia proibida estabilizou o motor por um segundo, silenciando o metal, provando que ele tinha mais poder do que o sistema permitia.

Quando as luzes de emergência voltaram a piscar, Kaelen desceu do cockpit, o rosto suado e marcado por fuligem. Ele começou a caminhar para fora da arena, mas uma sombra bloqueou seu caminho. Soraia Valente estava lá, o olhar gélido fixo nele.

— Você sabe o que é aquilo no seu motor, não sabe? — ela sussurrou, a voz carregada de uma ameaça cortante. — Aquilo não é sucata, Vane. É um crime. E agora, todo mundo sabe que você é um criminoso que se recusa a morrer.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced