The Visible Gain
O ar estalava ao redor de Kael enquanto ele rompia a barreira da Rota Proibida. Seus músculos, antes atrofiados, vibravam com uma densidade sobrenatural; cada fibra pulsava com o poder bruto extraído do 1º andar. O Sistema brilhou em sua retina: [Atributo Força: +15. Estabilidade da aura: Crítica].
Ele não teve tempo para celebrar. A energia transbordava, uma aura dourada e violenta que atrairia os guardas da Seita em segundos. À frente, os portões de ferro negro vigiados pelos Discípulos de Elite pareciam muralhas intransponíveis. — Preciso esconder isso agora — sibilou, os dentes trincados pela dor da sobrecarga. Kael acessou a interface e ativou a Supressão de Núcleo. O custo foi imediato: uma dor lancinante dilacerou seu peito enquanto ele queimava metade de seus ganhos recentes para forçar a aura a recuar. O poder evaporou, deixando-o fraco, mas invisível aos sensores. Ele atravessou o limiar do portão principal com passos vacilantes, sentindo o cronômetro do Sistema zerar. Atrás dele, o andar selou com um estrondo metálico. O acesso estava morto.
No Mercado da Seita do Horizonte de Prata, o ar era denso, impregnado com o cheiro de suor e o medo latente dos coletores. Kael caminhava com a cabeça baixa, mas o Sistema pulsava como um lembrete implacável: 00:04:12 para o fechamento da rota. O ganho de força que sentira ainda vibrava em suas fibras, mas agora, esse poder era uma sentença.
“Ei, você. O rato de esgoto.”
Dois subordinados de Vane, com as insígnias da seita brilhando em armaduras polidas, bloqueavam o caminho. O olhar de ambos não buscava a mercadoria, mas algo mais profundo. Eles sentiam a anomalia. O fragmento de memória que Kael absorvera alterara sua assinatura energética, tornando-o um alvo óbvio.
“Revista de rotina”, rosnou o maior, aproximando-se com a mão no cabo da lâmina. “Vane quer saber por que um verme como você está caminhando com o passo tão firme.”
Enquanto o subordinado avançava, Kael canalizou sua vontade para uma prestidigitação do Sistema, ocultando os vestígios da rota proibida sob uma camada de lixo orgânico em sua bolsa. Ele foi humilhado publicamente, empurrado contra a lama enquanto os capangas esvaziavam seu carregamento, mas seus olhos captaram algo pior: o Líder Vane observava a cena de uma varanda superior.
O ar no mercado tornou-se denso como chumbo quando Vane desceu. O silêncio foi instantâneo.
— Você cheira a erro, garoto — sibilou Vane, invadindo seu espaço pessoal.
[Missão de Sobrevivência: Resista à aura de um Nível 40 por 60 segundos. Recompensa: Conversão de trauma em atributos físicos.]
Kael aceitou. A dor explodiu em suas fibras, mas cada osso que rangia sob a carga de Vane transformava-se em densidade muscular líquida. Ele não recuou; seus olhos brilharam com uma luz esmeralda insana. Vane estreitou as pálpebras, o sorriso cruel desaparecendo. Ele sentiu a anomalia: Kael não estava apenas sobrevivendo, ele estava se alimentando da intimidação. Vane marcou o alvo. Kael sentiu o estalo seco em suas vértebras, seguido por uma onda de calor que selou as microfissuras com uma dureza sobre-humana. O Sistema zumbiu: +1 em Constituição. O custo veio em seguida; seu nariz sangrava profusamente.
“Você está crescendo às custas da minha paciência, lixo,” Vane rosnou.
Após a retirada de Vane, Kael desabou em seu alojamento precário. O 1º andar fora selado, mas a interface do Sistema tremeluziu, projetando uma geometria fria sobre a parede descascada: um mapa de néon e metal que não constava nos registros da Seita. Era uma fenda para o 2º andar, um abismo arquitetônico desenhado para moer qualquer um que ousasse pisar ali. O alvo estava pintado, e o abismo estava logo à frente.