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Chapter 7: A Estratégia de Vidro

Arthur consolida sua posição ao forçar o colapso financeiro da empresa de Otávio Gusmão, utilizando a liquidez da subsidiária de rede elétrica. Beatriz Lemos confirma sua lealdade ao aceitar o dossiê de desvios de Roberto Siqueira. A vitória é absoluta, mas Arthur percebe que Gusmão era apenas um peão de um grupo internacional maior, preparando o terreno para o próximo nível da guerra corporativa.

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A Estratégia de Vidro

O sol de segunda-feira atingia a fachada de vidro da sede com uma claridade impiedosa, transformando a sala de reuniões em um aquário de tensão. Arthur Valente estava de pé, observando o movimento da orla carioca, os dedos tamborilando contra o mármore da mesa de ébano. Atrás dele, os três membros remanescentes do conselho evitavam o contato visual, seus rostos pálidos denunciando a consciência de que o chão sob seus pés havia mudado de lugar após o espetáculo de humilhação pública na noite anterior.

Beatriz Lemos entrou sem bater, o som seco de seus saltos contra o piso de granito ecoando como um veredito. Ela depositou uma pasta de couro sobre a mesa. Arthur girou sobre os calcanhares, a calma em seu olhar contrastando com o caos que ele orquestrava.

— As ações da Gusmão & Associados abriram em queda livre — Beatriz anunciou, a voz desprovida de hesitação. — O mercado reagiu ao que você expôs nos painéis de LED do Iate Clube. A insolvência não é mais uma suspeita; é um fato precificado.

— Excelente — respondeu Arthur, movendo-se para a cabeceira. — Comecem a compra agressiva da dívida. Usem os ativos da nossa subsidiária de rede elétrica como colateral. Quero cada centavo da liquidez imediata convertido em títulos podres da empresa de Otávio. Se ele quer guerra, vamos garantir que ele não tenha munição para o próximo round.

O Dr. Arantes, o veterano do conselho, tentou intervir, a voz trêmula: — Arthur, isso é uma manobra de altíssimo risco. Se a auditoria que a Beatriz iniciou encontrar qualquer inconsistência, seremos nós os expostos.

Arthur inclinou-se sobre a mesa, o sorriso desprovido de qualquer calor. — Dr. Arantes, a inconsistência que vocês deveriam temer não é a da auditoria, mas a da sua lealdade. A cláusula 14.B do contrato de governança, que vocês assinaram sem ler, me dá autoridade total para liquidar posições em cenários de risco sistêmico. E, acreditem, o colapso de um mentor que tentou me destruir é o risco sistêmico mais claro que já vi.

Beatriz observava a cena, fascinada pela precisão com que Arthur desmantelava os últimos vestígios de resistência. Quando os conselheiros se retiraram, apressados, ela se aproximou da tela que monitorava o mercado. A linha vermelha da Gusmão Participações despencava em um ângulo vertical.

— Você sabia que Roberto Siqueira estava sangrando a empresa há meses — Beatriz murmurou, deslizando o dossiê dos desvios para o centro da mesa. — Por que esperar até agora para me mostrar isso? Eu poderia ter sido cúmplice sem saber.

Arthur não desviou os olhos das cotações. — A lealdade precisa de uma fundação, Beatriz. Eu precisava saber se você era o tipo de pessoa que reportaria um crime ou que entenderia a necessidade de uma purga. Roberto era apenas o peão. O verdadeiro alvo é o homem que o ensinou a trair. Se você quer estar do lado vencedor, a transparência é uma via de mão única.

Beatriz encarou o dossiê. As provas dos desvios de Roberto para a conta da ex-esposa eram irrefutáveis. Ela compreendeu, naquele momento, que não havia mais retorno. Ela estava presa à engrenagem de Arthur, mas, pela primeira vez em anos, sentia-se poderosa.

— A próxima reunião do conselho não será sobre a sua expulsão — ela disse, com firmeza. — Será sobre a liquidação da empresa dele.

O telefone de Arthur vibrou sobre a mesa. O visor exibia o nome de Otávio Gusmão. O toque soou como um tiro na sala silenciosa. Arthur deixou o aparelho vibrar por longos segundos, observando a agonia no visor antes de deslizar o dedo e colocar a chamada no viva-voz.

— Arthur? — A voz de Otávio não tinha mais o tom paternalista. Estava rouca, quebrada pelo desespero. — O que você está fazendo? Meus credores estão ligando de todos os cantos do mundo. O mercado está me devorando vivo.

— O mercado apenas reflete o que você construiu, Otávio — Arthur respondeu, o tom glacial. — Você me ensinou que o capital não tem sentimentos, apenas direções. Você escolheu a direção errada.

— Eu te criei! Eu te dei as chaves daquela sala!

— Você me deu as chaves de uma sala que eu já possuía, Otávio. A diferença é que você nunca percebeu quem realmente financiou a mesa. A suspensão de pagamentos da sua empresa acaba de ser protocolada. Você não é mais um concorrente. Você é apenas um passivo.

Arthur encerrou a chamada. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Beatriz olhou para o monitor: a empresa de Otávio Gusmão havia cessado suas operações. O colapso era total.

— Acabou — ela sussurrou.

Arthur olhou para o reflexo no vidro, a baía ao fundo tingida pelo crepúsculo. — Não, Beatriz. Isso é apenas o começo. Otávio não tinha capital próprio para sustentar essa aquisição. Ele não agiu sozinho. Ele é apenas um peão de um grupo internacional que ainda nem mostrou o rosto. Prepare os relatórios. Amanhã, quando eles tentarem intervir, vamos descobrir exatamente quem está por trás da cortina.

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