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Chapter 8: O Último Lance

Arthur finaliza a destruição de Otávio Gusmão e utiliza as provas de desvio de Roberto Siqueira para destituí-lo do conselho. A vitória é ofuscada pela revelação de que Gusmão era apenas um peão da Vanguard Global, um grupo internacional que agora coloca Arthur e Beatriz sob mira direta.

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O Último Lance

A vista da suíte de Otávio Gusmão no Leblon, antes um símbolo de domínio sobre a costa carioca, agora parecia apenas uma moldura fria para a ruína. Otávio não se virou quando Arthur entrou. Ele segurava um copo de cristal, os nós dos dedos brancos, encarando o reflexo distorcido da cidade no vidro temperado.

— Você sempre foi um aprendiz aplicado, Arthur. Mas aprender a destruir não faz de você um construtor — a voz de Otávio soou rouca, desprovida da autoridade que costumava paralisar salas de conselho.

Arthur caminhou até a mesa de mogno e depositou uma pasta fina. O mercado já fizera o trabalho sujo. As ações da holding de Gusmão estavam em queda livre, os credores batiam à porta e a Polícia Federal começava a analisar as assinaturas digitais que Arthur facilitara.

— Eu não vim construir nada hoje, Otávio — Arthur respondeu, a voz precisa. — Vim cobrar. A subsidiária de rede elétrica que você tanto desprezou comprou toda a sua dívida ativa. Oficialmente, você não é mais dono nem da cadeira onde está sentado.

Otávio finalmente se virou. Seus olhos, antes astutos, estavam injetados. Ele soltou uma risada seca, um som que morreu antes de ecoar pelo escritório.

— Você acha que venceu? Que eu era o topo da cadeia? — Ele caminhou até a mesa, as mãos tremendo. — Eu sou apenas um peão, Arthur. Um peão caro, mas descartável. O verdadeiro grupo que financia esta mesa não perdoa falhas. Eles já estão vindo.

No dia seguinte, a sala de reuniões no 22º andar parecia pequena demais para a voltagem daquela manhã. Roberto Siqueira mantinha a postura rígida, os dedos entrelaçados sobre um relatório inútil. Ao seu redor, os conselheiros trocavam olhares nervosos.

— A falência técnica desta gestão é um fato, Roberto — Arthur interrompeu, de pé, dominando o espaço.

Siqueira tentou rir, mas o som foi interrompido quando Beatriz Lemos deslizou o envelope pardo sobre a madeira. O som soou como um tiro.

— Extratos, transferências para contas em nome de sua ex-esposa e o rastro digital do desvio de verbas da revitalização — disse ela, fria. — O conselho não vota hoje a expulsão de Arthur. Vota a sua destituição imediata.

O caos foi instantâneo. Acusações cruzadas, cadeiras arrastadas e o desmoronamento da lealdade de Siqueira. Em menos de uma hora, o poder havia mudado de mãos. Siqueira foi escoltado para fora, a ruína estampada em seu rosto pálido.

Noite adentro, no escritório de Arthur, a vitória parecia apenas um degrau. Beatriz analisava os documentos deixados por Gusmão.

— O grupo não parou com a queda de Gusmão, Arthur. Eles se moveram para o próximo nível — ela disse, a voz tensa. — Recebi um alerta. Não estão mais apenas monitorando; estão vindo buscar o que resta das nossas operações.

Um clique metálico ecoou no corredor. Uma mensagem enigmática surgiu na tela de Arthur: um aviso de que a Vanguard Global não aceitaria a derrota. A sombra do grupo internacional, antes teórica, agora tinha um alvo claro: eles. Arthur sentiu o peso do próximo movimento; a guerra estava apenas começando.

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