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Chapter 6: O Olhar da Elite

Caio confronta a tentativa de confisco do Clã Imanishi após a prova do segundo andar, usando a exposição pública do log de combate para elevar seu valor de mercado e evitar a reassiginação. Nara Imanishi tenta deslegitimar sua vitória, mas Caio expõe a sabotagem dela, forçando uma crise de reputação na elite. O capítulo termina com o mecha de Caio entrando em colapso térmico, sinalizando que o custo da ascensão superou a integridade da máquina.

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O Olhar da Elite

O cheiro de ozônio e metal superaquecido saturava os bastidores da arena, um ar rarefeito que drenava o oxigênio dos pulmões de Caio Veras. Ele desceu do cockpit com as pernas trêmulas; a blindagem adaptativa do frame não era um upgrade, era um parasita. Cada vez que a carcaça do mecha se reconfigurava para absorver um impacto, o sistema neural de Caio pagava o preço em fadiga biológica. No telão holográfico, seu nome subia, brilhando em um amarelo instável: Ameaça Legítima. Não era mais o estigma de sucateiro, mas algo pior: ele era agora um alvo de interesse da elite.

— Saia da máquina, Veras. Agora — a voz do técnico do Campo de Provas soou metálica. — O protocolo de reassiginação foi disparado. O Clã Imanishi exige a custódia administrativa do módulo.

Caio bloqueou o caminho, o suor ardendo em seus olhos. Mirela Sato já estava no console, seus dedos dançando para mascarar os logs de combate que o sistema tentava purgar como 'ruído'.

— O regulamento garante trinta minutos de manutenção pós-prova — Caio retrucou, a voz rouca, mas firme o suficiente para atrair a atenção da plateia. — Se vocês tocarem nos selos de pressão agora, a carga residual vai colapsar o núcleo. Querem explicar aos patrocinadores por que o segundo andar perdeu o frame que acabou de quebrar o recorde de carga?

O técnico hesitou. O medo de ser responsabilizado por um prejuízo público era a única moeda que a Torre respeitava. Mirela puxou Caio pelo braço antes que a marcação de retenção em seu pulso completasse três minutos. Eles não podiam ser medidos ali; o veredito seria a bancada de sucata.

— Anda, Caio. Se eles te precificarem aqui, você volta pra bancada como sucata com audiência — Mirela rosnou, arrastando-o para o labirinto da feira sectária.

O mercado era um caos de neon e desespero. Barracas vendiam peças de segunda mão sob a chuva ácida, e em cada balcão, o preço da fraqueza era exposto. Eles mal chegaram a um dos corredores quando um emissário de um clã rival surgiu, bloqueando o caminho com um sorriso predatório e um tablet de contrato estendido.

— Exclusividade, Veras. Proteção total contra o Clã Imanishi — o homem ofereceu, a voz projetada para o feed público. — Em troca, o clã assume sua dívida e o controle do seu frame.

Caio olhou para o log de combate que ainda piscava em seu console de pulso, o segredo que a elite queria enterrar. Ele não estava ali para ser comprado. Ele ativou o log, projetando uma fração do código adaptativo no telão principal da feira. O preço de revenda de seu frame disparou instantaneamente, tornando-o caro demais para ser descartado e perigoso demais para ser controlado sem causar um escândalo.

— Você não quer me proteger — Caio disparou, sua voz ecoando pelo sistema de som da arena. — Você quer a chave desse log. O seu contrato não é um salvamento; é uma coleira.

O silêncio foi interrompido por um salto de elegância letal. Nara Imanishi surgiu na arena de manutenção, o traje de elite refletindo a luz dos monitores. Ela não veio para duelar, mas para deslegitimar. Ela parou diante de Caio, o brilho de seu visor espelhando a multidão.

— Você chama isso de vitória, Veras? — Nara perguntou, a voz fria e amplificada. — O que vimos foi uma falha de sistema, um erro de leitura que seu frame, em estado de degradação, explorou. O mercado não premia anomalias; ele as expurga.

Caio sentiu a pontada na base do crânio, o custo da blindagem cobrando seu preço. Ele não recuou. Em vez disso, expôs a cronologia pública do sistema, provando que o 'erro' de Nara era, na verdade, uma manobra de sabotagem que ela mesma tentara ocultar. A imagem de Nara na transmissão sofreu uma rachadura — a elite não era perfeita; era apenas cega para sua própria obsolescência.

No momento em que a audiência formal foi confirmada e o valor de Caio atingiu o ápice, o monitor de seu mecha emitiu um aviso térmico violento. O núcleo, sobrecarregado pela exposição e pelo uso do log, começou a entrar em colapso. O calor subiu, e o sistema deu o ultimato: a máquina estava morrendo, e a prova final da ascensão estava apenas começando.

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