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Chapter 4: O Preço da Ascensão

Caio recupera peças vitais no mercado negro após um confronto com cobradores do clã de Lázaro. De volta à oficina, ele sobrevive a uma inspeção hostil do clã Imanishi, forçando a Torre a liberar o acesso ao segundo andar. O capítulo termina com a revelação de um contrato de sabotagem que expõe uma traição interna na oficina de Mirela.

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O Preço da Ascensão

O relógio de reassiginação marcava 04:17, um lembrete digital de que a Torre não perdoa o sucesso de quem não tem sobrenome. Caio tinha menos de um dia para provar que seu frame não era apenas sucata reanimada, mas uma aposta viável. Caso contrário, a reclassificação para “lixo industrial” seria definitiva.

Ele entrou na oficina com o gosto metálico da vitória na arena ainda na garganta. Mirela estava sob o torso do mecha, a iluminação da bancada projetando sombras duras sobre seu rosto concentrado. O terminal acima dela exibia um selo de execução em tom carmesim: ORDEM DE INSPEÇÃO TÉCNICA – CLÃ IMANISHI.

— Eles não pediram licença — Caio comentou, a voz rouca pelo esforço da luta anterior.

— Gente do alto nunca pede, Caio. Eles apenas reajustam a realidade — Mirela respondeu, puxando um cabo chamuscado. O cheiro de isolamento tostado impregnou o ar. — O módulo experimental está drenando o núcleo. Se não trocarmos o regulador térmico e as juntas de estabilização, o frame vai se autodestruir na próxima prova.

Caio olhou para a lista de peças. O custo, inflacionado em tempo real pelo mercado sectário, era proibitivo. Ele checou o placar público: sua vitória contra o Centurião o elevara a "Ameaça Legítima", mas o sistema agora cobrava taxas de manutenção condizentes com o novo status. O celular vibrou. Não era uma notificação de fã, mas um aviso de que os preços das peças que ele precisava haviam dobrado em duas bancas do cinturão inferior.

— Estão segurando o estoque — Caio percebeu, a raiva fervendo sob a pele. — O clã de Lázaro.

— Eles controlam o fluxo de salvados — Mirela limpou as mãos, o olhar pragmático. — Se você quer essas peças, o mercado oficial é uma armadilha. Vamos ao submundo.

O Mercado de Sucata do Submundo era um labirinto de lona oleosa e desespero. Ali, a dignidade era medida em quilos de metal. Caio e Mirela avançaram entre barracas onde o ar era denso com o cheiro de chuva ácida e óleo queimado. A tensão era palpável; cada vendedor que reconhecia o rosto de Caio, agora famoso pela arena, aumentava o preço ou fechava as portas.

Na terceira banca, um homem com luvas de couro sorriu, revelando dentes amarelados.

— Ameaça Legítima paga taxa de risco — ele zombou, atraindo a atenção de dois homens que surgiram das sombras. Eles vestiam roupas limpas demais para aquele lugar, com o selo do clã de Lázaro estampado nos punhos.

— O clã manda avisar que o mercado tem memória — o cobrador principal disse, a voz fria. — E que seu frame seria mais útil desmontado.

Caio não esperou. Ele usou a leitura do log proibido, antecipando o movimento do agressor. O impacto de sua mão no pulso do homem ecoou como um tiro. Mirela, sem hesitar, usou uma barra de contenção para desviar o segundo ataque. Caio sentiu a fisgada no peito — o custo de ativar a blindagem adaptativa do frame, que agora respondia aos seus reflexos como uma extensão neural. A energia vital drenada era o preço da sobrevivência.

Em menos de um minuto, os cobradores estavam no chão. Caio pegou as peças raras, o peso do metal frio sob o braço, e eles desapareceram na neblina ácida antes que o reforço chegasse.

De volta à oficina, a urgência era absoluta. Mirela trabalhou com precisão cirúrgica enquanto Caio, exausto, monitorava os sensores. A integração das peças novas fez o frame pulsar. A blindagem adaptativa se reconfigurou, criando placas sobrepostas que brilhavam com uma luz azulada, um sinal de que o sistema estava operando acima do padrão.

O silêncio foi quebrado pela entrada dos inspetores do clã Imanishi. O líder, um homem de rosto fino e olhar desdenhoso, não perdeu tempo. O scanner de núcleo varreu o mecha, e o apito estridente que se seguiu confirmou o que todos temiam: o módulo experimental era uma anomalia tecnológica que a elite não podia ignorar.

— Desliguem o núcleo — o inspetor ordenou.

— Se desligarem, a adaptação trava e o frame colapsa — Mirela interveio, mas foi ignorada.

Caio sentiu o log proibido arder em seu sistema neural. Ele não cedeu. Com um movimento fluido, ele assumiu o controle manual do mecha. O frame se ergueu, a blindagem se fechando em uma postura defensiva perfeita. O inspetor recuou, surpreso pela velocidade da máquina.

O terminal da Torre piscou, processando a resistência. O status de Caio mudou novamente: RETENÇÃO PROVISÓRIA / REANÁLISE TÉCNICA. Abaixo, a notificação final: ACESSO AO SEGUNDO ANDAR: CONCEDIDO SOB INSPEÇÃO.

O som da porta do segundo andar se abrindo ecoou pela oficina, um estrondo que prometia um abismo de novos desafios. Mas, antes que pudessem comemorar, o celular de Caio vibrou. Uma notificação anônima exibiu um contrato de sabotagem detalhado, revelando que a traição que quase custara sua oficina não vinha apenas de Lázaro, mas de alguém dentro do próprio círculo de Mirela.

Caio olhou para a tela, depois para a entrada do segundo andar. O terreno à frente era instável, uma armadilha de peso que exigia uma manobra que ele ainda não dominava. O jogo tinha mudado; ele não estava apenas subindo a Torre, estava sendo caçado por dentro e por fora.

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