Dívida de Sangue e Aço
O sensor de pulso de Kaelen não apitava; ele gritava. Uma mancha escarlate pulsava em seu terminal de pulso: Anomalia de Categoria 1. Não era um erro de sistema. Era uma sentença de morte pública. O Auditor Vane, cujas mãos tremiam ao ajustar o manto oficial, não olhou para trás ao se afastar, deixando Kaelen sozinho na arena de triagem. O silêncio que se seguiu ao estilhaçar do Guardian-V de elite não era paz; era o vácuo que precede o impacto de uma caçada.
Kaelen não esperou pela escolta de Valerius. Ele sabia que o mercado de triagem não perdoava a destruição de ativos de luxo. Ele se moveu pelos corredores úmidos dos níveis inferiores, o chassi reserva ainda irradiando o calor residual do combate. O cronômetro em seu terminal marcava 22 horas para o despejo forçado da oficina de Mira. Cada segundo era um tributo que ele não podia pagar, e agora, com a marca de Anomalia, cada passo atraía olhares famintos de caçadores de recompensas.
Ao entrar na oficina, o ar estava denso, saturado com o cheiro de ozônio e metal queimado. A rede elétrica, sobrecarregada pelo desvio de energia, piscava em agonia. Mira estava debruçada sobre o console central, os dedos movendo-se em uma dança frenética sobre os hologramas de diagnóstico. Ela não se virou, mas a tensão em seus ombros era uma resposta clara.
— Eles nos rotularam, Kaelen — a voz dela era um sussurro cortante, carregada de uma exaustão que ela tentava esconder. — A marca de Anomalia não é apenas um aviso. É um convite. Valerius não precisa sujar as mãos; ele colocou um preço na nossa cabeça que qualquer carniceiro deste setor vai querer cobrar.
Kaelen observou a tela. Seu perfil de conta estava sendo drenado em tempo real por taxas de 'reclassificação de risco' e multas pela destruição do frame de elite. Seus créditos evaporavam. Ele tinha uma escolha: esconder-se e esperar pelo fim, ou investir o que restava em uma blindagem que a Torre não pudesse ignorar.
— Mira, precisamos de peças de alta performance. Agora — disse ele, a voz desprovida de hesitação. — Se vamos ser alvos, que sejamos alvos que custam caro demais para derrubar.
Ele sacrificou o restante de sua reserva de créditos, uma fortuna que deveria garantir três meses de aluguel, em uma transferência ilegal para o mercado negro do setor de elite. O risco era absoluto. Se fosse detectado, a Torre não esperaria pelas 22 horas; eles o deletariam antes do amanhecer. Enquanto Mira instalava os novos componentes, o brilho azulado do terminal revelou algo que fez o sangue de Kaelen gelar. O código proibido da Equipe Sete, aquele que permitia a sincronização inumana, não era apenas um otimizador de energia. Ao interagir com os sistemas de segurança durante a instalação, o código revelou uma estrutura oculta.
— Kaelen… — Mira parou, as mãos paralisadas sobre o teclado. — Isso não é um patch. São coordenadas. O código está mapeando a base de dados central da Torre. Se alguém descobrir que temos isso, não é apenas o despejo que enfrentaremos. Eles vão apagar nossa existência.
Um estrondo metálico ecoou na porta da oficina. A segurança privada de Valerius havia chegado. Não eram guardas comuns; o zumbido de armas de plasma indicava que o tempo de Kaelen havia acabado. Ele subiu no chassi, sentindo a conexão neural se estabelecer, o código proibido pulsando em sintonia com seu próprio coração. A próxima batalha não seria por honra, mas por sobrevivência.