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Chapter 4: Dívida Cobrada em Metal

Elias repara o Vanguard-Zero sob sabotagem institucional, utilizando o módulo protótipo para hackear peças de alta voltagem. Marta revela que o pai de Elias foi executado pelo Conselho por descobrir a natureza da Torre, enquanto a Academia prepara uma sabotagem gravitacional para o segundo andar.

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Dívida Cobrada em Metal

O Vanguard-Zero não estava apenas quente; ele gemia. O metal do chassi, castigado pela manobra não registrada no primeiro andar, estalava como ossos sob pressão enquanto Elias tentava desativar a sequência de inicialização forçada. O zumbido do módulo protótipo — uma vibração metálica que ele sentia diretamente na base do crânio — era o único som no hangar clandestino, além da respiração ofegante de Marta.

— Desliga essa interface, Elias — a voz dela era um sussurro cortante. Ela mantinha as mãos sobre os cabos de força, pronta para arrancá-los caso o núcleo entrasse em colapso térmico. — Se o rastreador interno disparar um pulso de localização agora, Vargas não vai esperar o desafio de amanhã. Ele vai nos apagar aqui mesmo.

Elias soltou o comando de sincronia, sentindo o gosto metálico de sangue na boca. O monitor de diagnóstico do frame exibia uma sucessão de erros críticos: o sistema de refrigeração fora desativado remotamente por um sinal codificado vindo dos servidores da Academia. Não era uma falha técnica; era um estrangulamento institucional. Eles estavam tentando fritar o frame — e o piloto junto — antes que ele pudesse subir para o segundo andar.

— Eles cortaram o acesso ao coolant — Elias disse, forçando-se a ficar de pé, as pernas tremendo. Ele olhou para o painel de suprimentos vazio. A Academia bloqueara suas contas de crédito. Ele estava tecnicamente vitorioso, publicamente aplaudido, e financeiramente morto. — Se eu não conseguir blindagem nova, o frame vai derreter na primeira curva do próximo andar.

Ele saiu para o ferro-velho da Zona Baixa, um labirinto de sucata onde o ar cheirava a ozônio e desespero. O drone de vigilância da Academia pairava logo acima, um olho de vidro implacável que transmitia cada movimento seu para os telões da praça pública. Vargas estava assistindo, esperando pelo erro que justificaria o confisco permanente.

— Você está tentando consertar um fantasma com pregos enferrujados, garoto — a voz de Jax, um velho informante, soou das sombras. Ele jogou uma pasta de dados sobre a bancada. — Vargas bloqueou seu acesso a qualquer suprimento padrão. Ele quer que você fracasse diante da cidade inteira.

Elias não respondeu. Seus dedos, trêmulos pelo esforço neural da integração, moviam-se com precisão sobre o módulo protótipo. Ele não tentou comprar peças; ele as hackeou. Usando a assinatura de energia febril do módulo, Elias criou uma "assinatura fantasma", enganando o drone de Vargas ao simular uma falha de hardware recorrente. Enquanto o sistema da Academia processava o erro, ele furtou placas de blindagem de alta voltagem de um lote descartado. O esforço drenou sua energia neural a ponto de o mundo girar em tons de cinza, mas quando ele finalmente encaixou a última peça, o Vanguard-Zero estabilizou. Ele havia vencido a censura de Vargas, mas o preço foi uma exaustão que parecia permanente.

Ao retornar para casa, encontrou Marta na penumbra, os olhos fixos na tela da parede que transmitia o loop infinito de sua vitória proibida. Quando ele entrou, ela não ofereceu alívio. Ela apontou para o módulo, que pulsava com uma luz azulada e doentia.

— Você não deveria ter ativado isso, Elias — ela sussurrou, a voz carregada de um medo que ela tentara esconder por anos. — Essa assinatura… é a mesma que apagou o seu pai.

Elias sentiu o estômago revirar. O peso da conquista daquela tarde evaporou.

— O acidente na Torre… todos disseram que foi falha mecânica — Elias gaguejou.

— Não foi acidente. Foi execução — Marta segurou os ombros dele, os olhos úmidos de uma verdade que queimava. — O Conselho não tolera quem descobre a origem dos frames. Eles não o mataram por imprudência, Elias. Eles o silenciaram porque ele descobriu que a Torre não é uma prova de mérito, é uma fornalha de sacrifícios. E agora que você venceu o primeiro andar, eles não vão apenas tentar te sabotar. Eles vão mudar as leis da física dentro da Torre só para garantir que você nunca chegue ao topo.

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