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Chapter 2: A Primeira Sincronia: Sangue no Circuito

Elias integra o módulo proibido ao Vanguard-Zero sob o risco de danos neurais permanentes. Vargas realiza uma inspeção surpresa, forçando Elias a camuflar a assinatura de energia do frame. No dia seguinte, Elias entra no primeiro andar da Torre, onde sua vitória esmagadora e não convencional atrai a atenção pública e expõe a falha dos sistemas de monitoramento da Academia.

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A Primeira Sincronia: Sangue no Circuito

O zumbido do Vanguard-Zero não era mecânico; era um lamento elétrico que fazia os dentes de Elias vibrarem. Sob a luz crua da oficina, o frame parecia um cadáver de metal reanimado por um raio. O módulo protótipo, soldado com fios expostos e desespero, pulsava com uma cadência azulada que desafiava a lógica da Academia. Cada pulso era um lembrete: aquela assinatura de energia não deveria existir.

— Se você forçar a conexão neural, o retorno vai fritar seus nervos antes do frame estabilizar — Marta sussurrou, a voz cortante como uma lâmina. Ela segurava o estabilizador de voltagem com os dedos trêmulos, o olhar fixo no painel improvisado. — Elias, isso não é uma melhoria. É uma sentença de morte.

— O teste no primeiro andar é amanhã, Marta. Sem esse módulo, o Vanguard é apenas um caixão ambulante. Se eu não subir, a dívida nos consome até não sobrar nem a oficina — Elias respondeu, a voz rouca. Ele cravou os cabos de interface nos terminais do protótipo.

A dor foi imediata. Uma descarga estática percorreu sua coluna, transformando-se em uma onda de choque que o jogou de joelhos. O gosto de ferro inundou sua boca. O Vanguard-Zero estremeceu, emitindo um chiado hidráulico enquanto seus sensores ópticos ganhavam um brilho espectral, fixando-se em Elias como se o reconhecesse pela primeira vez.

O ar na oficina pesou, carregado de ozônio. A porta foi arrombada. Vargas entrou, o uniforme impecável da Academia em contraste com a fuligem do ambiente. Seu olhar, frio e clínico, percorreu o Vanguard-Zero como um açougueiro avaliando carne estragada.

— Inspeção surpresa — disse Vargas, o sorriso predatório. Ele passou o scanner de mão pelo chassi. — A Academia recebeu relatos de assinaturas anômalas. O que você está escondendo, Elias?

O Vanguard-Zero vibrava na base da coluna de Elias, uma frequência que os instrumentos de Vargas começaram a registrar. Em um movimento desesperado, Elias forçou o redirecionamento da energia do módulo para os sistemas de suporte de vida do frame, fingindo uma falha técnica comum. O brilho azul no peito da máquina desvaneceu, tornando-se uma pulsação morna e camuflada. A dor da conexão neural, um choque constante em sua espinha, foi suprimida pelo esforço de manter a fachada.

Vargas estreitou os olhos, observando o frame inerte. — Seu frame é lixo, Elias. Mas a Academia detesta desperdício de espaço. Amanhã, no primeiro andar, vou garantir que ele vire sucata de verdade. Se falhar, o confisco é imediato. E não se engane: a dívida da sua família não será perdoada com desculpas.

Após a saída de Vargas, o silêncio era denso. Marta se aproximou, o rosto pálido.

— Eu reconheço esse padrão de fluxo. É o legado de um frame que a Academia jurou ter destruído no colapso. Se eles virem isso, não vão apenas confiscar o Vanguard-Zero. Eles vão apagar você.

Elias não respondeu. Seus olhos ardiam. Cada vez que o módulo processava uma sequência, ele sentia uma fisgada neural, como se o hardware drenasse sua própria memória para preencher lacunas táticas. Ele aceitou a verdade: não lutava apenas por dinheiro, mas por uma evidência que poderia destruir a própria Academia.

Na manhã seguinte, o átrio da Torre exalava desespero. Ao redor de Elias, os frames de elite dos cadetes brilhavam com polimentos imaculados. A pressão era sufocante. Cada olhar da multidão nos telões carregava a expectativa de um fracasso monumental.

O cronômetro gigante sobre o portão de entrada brilhou em vermelho sangue: 00:00. O sinal de início ecoou, um som grave que fez a estrutura vibrar. Elias sentiu o módulo reagir ao ambiente da Torre, drenando sua energia vital para estabilizar os sistemas. Ele entrou na arena, o Vanguard-Zero emitindo um zumbido de energia que fez os sensores de vigilância da Academia falharem, preparando o terreno para o que viria a seguir. O primeiro guardião, um autômato de combate de classe B, avançou. Elias não recuou. Ele sentiu a interface neural fundir-se à sua vontade, transformando o frame em uma extensão de seu próprio corpo. Ele executou um movimento não registrado nos manuais, um desvio de milímetros que deixou o guardião exposto. O golpe final foi cirúrgico, uma descarga de energia que iluminou o átrio e fez as câmeras da Academia girarem em pânico. O telão principal exibiu a vitória, e o silêncio da multidão foi substituído por um rugido de descrença.

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