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Chapter 9: O Próximo Degrau

Kaelen enfrenta as consequências sociais de sua vitória sobre Thorne, recusando uma oferta de cooptação da Academia enquanto sua dívida de 520k créditos pressiona o prazo final. Ele descobre que a oferta de perdão da dívida é uma armadilha do clã Thorne, e o capítulo termina com a segurança da Academia cercando o laboratório de Valéria.

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O Próximo Degrau

A náusea era um gosto de cobre e ozônio no fundo da garganta de Kaelen, um lembrete visceral de que o frame não estava apenas conectado ao seu sistema nervoso; ele estava se alimentando dele. Ao descer da escotilha na Arena de Provas, seus joelhos cederam, forçando-o a se apoiar na carcaça metálica para não desabar diante das câmeras. A visão oscilava em tons de cinza, mas o rugido da multidão era inconfundível. Não eram mais os insultos habituais ao "Sucateiro". Eram gritos de choque, uma massa de vozes exigindo respostas para a queda de Victor Thorne.

Thorne estava a poucos metros, estático. O prodígio intocável, agora um herdeiro falido, observava as próprias mãos, que tremiam com uma violência que Kaelen reconhecia bem. As engrenagens de elite do seu frame haviam travado, expostas pela falha técnica que Kaelen orquestrara. A humilhação era pública, absoluta e, para o clã Thorne, financeira.

O Comandante Vane bloqueou seu caminho, a sombra do quepe ocultando seus olhos.

— Kaelen — a voz de Vane era uma lâmina fria. — Você causou uma interrupção sem precedentes no ciclo de classificação. Sua dívida de 520.000 créditos não desapareceu só porque você humilhou um Thorne. Temos quarenta e oito horas antes que a penhora do seu equipamento se torne obrigatória.

Kaelen forçou um sorriso, sentindo o sangue escorrer quente pelo nariz e manchar o traje de piloto.

— A dívida é um problema meu, Comandante. A sabotagem do clã Thorne na rede da Academia? Esse é um problema de vocês.

De volta ao laboratório de descarte, o ar estava denso, saturado com o cheiro de ozônio e fluidos hidráulicos queimados. Dra. Valéria trabalhava nos diagnósticos com uma urgência contida, os dedos voando sobre o terminal.

— A sincronia neural está em 14%, Kaelen. Se tentar outra manobra de alta aceleração, seu córtex vai fritar. A máquina está pedindo socorro, e você está ignorando os avisos.

Ele não respondeu, ajustando manualmente uma válvula de pressão no ombro do frame. O silêncio foi quebrado pelo som metálico de botas contra o piso de grade. Dois representantes da Academia, envoltos em uniformes de um azul impecável, entraram sem pedir licença. O oficial à frente, um homem talhado pela arrogância institucional, carregava um tablet holográfico com o selo do Conselho.

— Kaelen, o Conselho oferece uma saída. Entregue o frame para "inspeção técnica" e integre o esquadrão de elite. Sua dívida será perdoada instantaneamente.

Kaelen olhou para o chassi, uma carcaça que ele havia transformado em uma obra-prima de engenharia proibida. A oferta era a liberdade financeira, mas significava a entrega da única arma que o tornava mais do que sucata.

— Minha dívida é um contrato, não uma negociação — Kaelen respondeu, a voz firme apesar da fraqueza. — Não entrego o que construí para quem tentou me enterrar.

Sozinho no alojamento, o contador da dívida piscava em vermelho no terminal: 520.000 créditos. Faltavam 48 horas. Uma notificação criptografada surgiu: "Dívida quitada em troca da unidade orgânica. Entregue o frame, apague seu rastro, viva livre."

Kaelen rastreou o sinal. Quando o firewall cedeu, a verdade surgiu como um soco: o proxy apontava para uma conta offshore do clã Thorne. O desespero de Victor era uma caçada predatória, uma tentativa final de recuperar o que ele perdera na arena.

Kaelen correu de volta ao laboratório, mas encontrou as luzes de segurança da Academia varrendo o local. Valéria estava sendo detida, os dedos ainda travando o terminal principal.

— Eles descobriram a assinatura, Kaelen — disse ela, sem se virar. — O sistema de triagem não busca pilotos, busca anomalias. E você é a maior delas.

As forças de segurança cercaram o laboratório, selando as saídas. Kaelen olhou para o frame, depois para a mentora algemada. O tempo havia acabado. Ele teria que escolher entre se render ou lutar contra a própria Academia que jurou servir.

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