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Chapter 7: A Prova do Fogo Público

Kaelen expõe publicamente a sabotagem do clã Thorne durante um torneio de exibição, humilhando Victor Thorne e ganhando o apoio da plateia, enquanto seu frame sofre um desgaste crítico devido à tecnologia biossintética.

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A Prova do Fogo Público

O zumbido estático nos alto-falantes da Arena de Exibição não era apenas ruído; era a frequência da minha execução social. O ar dentro da cabine do meu frame cheirava a ozônio, suor frio e à borracha queimada dos sistemas de resfriamento que lutavam para compensar a sobrecarga. Na minha espinha, a interface biossintética pulsava como um segundo coração, um lembrete visceral de que eu estava fundido a contrabando puro. Com 520.000 créditos de dívida acumulada e menos de sessenta horas antes que os coletores da Academia desmantelassem o que restava da oficina do meu pai, a arena não era um palco. Era uma forca.

Victor Thorne aguardava no centro, seu protótipo 'Aegis-Prime' brilhando com o polimento de quem nunca precisou remendar um pistão com sucata. Ele parecia um deus de cromo, mas eu via as micro-vibrações em seus estabilizadores. Ele estava tenso. Ele sabia que eu tinha algo que ele não podia comprar: a prova irrefutável de que seu clã sabotara o motor do meu pai há uma década. O arquivo estava no buffer, pronto para ser injetado na rede central da Academia.

— Você está patético, Kaelen — a voz de Thorne ecoou no canal aberto, um som metálico e arrogante que mal escondia o tremor de quem teme o escrutínio. — O conselho já autorizou a apreensão do seu frame. Você não vai durar cinco minutos sob a auditoria que virá depois desta luta. Você é um erro de sistema que eu vou deletar.

Não respondi. Meus dedos dançavam sobre os controles, forçando o frame a uma sobrecarga neural. O sistema de hackeamento, ativado pelo estresse, começou a drenar a energia dos meus estabilizadores. Quando o Aegis-Prime avançou, eu não recuei. Eu esperei. O firewall da Academia, projetado para repelir ataques externos, não previu uma injeção vinda de dentro da própria arena, através de uma conexão biossintética ilegal.

Em um relance, disparei os logs. O telão principal, antes exibindo os patrocinadores dos Thorne, piscou. As marcas de luxo derreteram em linhas de código e documentos escaneados da fraude. O silêncio que se seguiu na plateia foi absoluto, um vácuo de oxigênio antes da tempestade.

Thorne, desorientado pela falha de seus sistemas de exibição, rugiu, acionando os propulsores de emergência. O Aegis-Prime saltou, um borrão de metal de elite tentando esmagar meu frame em um golpe de misericórdia. O impacto foi violento, mas eu antecipei a trajetória. Em vez de bloquear, eu cedi, girando o chassi em um ângulo impossível para um frame daquela classe. A injeção de código orgânico que eu havia mantido no barramento de dados de Thorne finalmente surtiu efeito: os servomotores do Aegis travaram, deixando-o vulnerável no centro do octógono, um titã de cromo imobilizado pela própria corrupção.

— Você é nada, Thorne — minha voz ecoou, distorcida pelo esforço neural. — Apenas um garoto com um brinquedo caro que não sabe consertar o que quebra.

O público, antes elitista, reagiu. As vaias começaram tímidas, vindas das arquibancadas superiores, onde os estudantes endividados se sentavam, e logo se transformaram em um rugido ensurdecedor. O juiz principal, visivelmente pálido, tentou encerrar a transmissão, mas a pressão popular era um escudo. Eu via os drones da Academia pairando, indecisos. Eles não podiam me prender sem admitir que a prova era real.

Meu frame tremia em uma frequência antinatural, o protocolo biossintético emitindo um calor que queimava minhas costas. Eu venci a rodada, mas o custo estava no chassi exausto. Thorne, isolado em sua carcaça paralisada, olhava para mim com um ódio que transcendia a rivalidade acadêmica. Ele perderia o acesso ao financiamento do clã, mas vi em seus olhos que ele não aceitaria a derrota. Enquanto eu manobrava para fora da arena sob os gritos do meu nome, a certeza me atingiu: o próximo nível da escada não seria apenas mais difícil; seria mortal. Thorne juraria destruir cada peça do meu frame, e eu, com minha dívida ainda intacta, teria que lutar contra o tempo e contra a elite que agora tinha um alvo pintado nas minhas costas.

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