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Chapter 2: O Custo da Eficiência

Kaelen enfrenta as consequências financeiras de sua vitória, descobrindo que seu frame possui uma tecnologia proibida e orgânica. Ele negocia com a Dra. Valéria por peças, aumentando sua dívida e risco, enquanto Victor Thorne impõe um novo desafio de elite para garantir sua ruína.

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O Custo da Eficiência

O Hangar 7 cheirava a ozônio, óleo queimado e ao desespero metálico que Kaelen carregava como uma segunda pele. O 'Sucateiro' repousava sobre os cavaletes hidráulicos, uma carcaça de pesadelo remendada com suor e teimosia. As placas de blindagem lateral, antes apenas desgastadas, agora exibiam sulcos profundos — cicatrizes da manobra de dissipação de calor que ele forçara na arena para humilhar Victor Thorne.

Kaelen tocou o chassi. O metal não estava apenas quente; pulsava. Uma vibração rítmica, quase biológica, subia por seus dedos. Frames desativados deveriam ser inertes, mas o Sucateiro parecia respirar. O console central projetou um alerta em um vermelho agressivo: DÉBITO DE RANKING: ATUALIZADO. PENALIDADE POR USO DE TÉCNICA PROIBIDA (CLASSE 4). DÍVIDA TOTAL: 450.000 CRÉDITOS. PRAZO: 72 HORAS.

O número era uma sentença de morte hereditária. Ele tentou acessar o diagnóstico estrutural, mas a tela piscou, exibindo caracteres angulares que não pertenciam a nenhum manual da Academia. O sistema não estava danificado; estava reagindo a algo interno.

Ele arrastou o chassi até o laboratório de descarte, um labirinto de sucatas onde a Dra. Valéria se escondia do Conselho. Ela não se virou quando ele entrou, seus dedos dançando sobre uma interface holográfica proibida.

— Você está atrasado e seu frame está morrendo — disse ela, a voz cortante como um bisturi. Ela finalmente se virou, os olhos afiados analisando as soldas no peito da máquina. Ela tocou uma seção onde a liga metálica parecia estranhamente orgânica. — Você não entende o que tem nas mãos, não é? Isso não foi montado, Kaelen. Foi nascido de uma tecnologia que o Conselho tentou incinerar há décadas.

Kaelen sentiu o peso da dívida dobrada esmagar seus ombros. — Eu só preciso que ele ande. Thorne não vai me deixar em paz depois da arena.

— O preço do reparo não é dinheiro — Valéria retrucou, entregando-lhe um núcleo de resfriamento proibido. — É dado. Se você for pego, eu o entregarei antes que a Academia chegue até mim.

Ao sair do laboratório, o confronto era inevitável. Victor Thorne bloqueava o corredor, sua jaqueta de fibra de carbono impecável contrastando com o suor frio de Kaelen.

— O Sucateiro finalmente saiu do buraco — Thorne destilou, aproximando-se. — Aquela manobra foi criativa, mas o comitê não aprecia a destruição de patrimônio. Eu me certifiquei de que eles olhassem para a sua dívida, não para a sua vitória. E para garantir que você não suba mais um degrau, o próximo oponente que agendei para você é um protótipo de elite experimental. Boa sorte tentando sobreviver à próxima rodada, Kaelen.

De volta ao hangar, Kaelen encaixou o núcleo proibido. O metal reagiu instantaneamente, absorvendo a peça com uma precisão orgânica assustadora. Cabos internos retorceram-se como tendões. Um zumbido baixo ecoou, conectando-se aos nervos de suas mãos. O painel de controle brilhou com a notificação do novo torneio de alto risco. Ele não estava apenas pilotando uma máquina; estava sendo consumido por uma evolução que a Academia jamais permitiria que existisse.

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