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Chapter 1: Sucata em Chamas: O Teste de Sobrevivência

Kaelen utiliza uma manobra proibida de dissipação de calor para superar o bloqueio de Victor Thorne e garantir sua permanência na prova de ranking, mas o custo da peça ilegal e as penalidades dobram sua dívida, revelando que seu frame possui uma origem tecnológica proibida.

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Sucata em Chamas: O Teste de Sobrevivência

O contador de dívida no canto superior do painel de controle não piscava; ele queimava em um tom de âmbar doentio, lembrando a Kaelen que faltavam exatos quarenta e dois minutos para o fechamento do ciclo de ranking. Se o seu frame, um amontoado de placas de liga leve e circuitos remendados apelidado de 'Sucata', não estivesse na plataforma de lançamento até lá, a falência da família seria selada com a execução do confisco de bens — o que incluía a própria carcaça de metal que o mantinha vivo.

— O atuador do joelho esquerdo está com folga, Valéria. Se eu forçar a manobra de rotação, o pistão vai travar — disse Kaelen, limpando o óleo negro do rosto com uma luva rasgada. Ele estava sob a barriga do frame, sentindo o calor residual dos reatores que ainda estalavam.

Dra. Valéria, a exilada dos laboratórios de elite, não desviou o olhar de seu tablet holográfico. Ela parecia uma sombra entre as bancadas de descarte, cercada por carcaças de máquinas que já foram orgulho de clãs poderosos.

— O atuador é o de menos, Kaelen. O seu problema é a assinatura térmica. A Academia monitora os picos de calor como se fossem batimentos cardíacos. Se você ultrapassar o limite, a fiscalização vai notar a instabilidade — respondeu ela, a voz seca como lixa. — E eu não tenho peças de reposição. O estoque foi bloqueado ontem por ordem do conselho de Thorne.

Kaelen saiu debaixo do frame, os músculos retesados. Ele sabia que o bloqueio era um convite para sua expulsão. Sem hesitar, ele conectou seu terminal pessoal ao link de dados do frame. — Tome. Todos os logs das minhas últimas três simulações de combate. Telemetria bruta, ângulos de ataque, a resposta completa do núcleo. Isso vale mais que qualquer peça de sucata que você tem aqui.

Valéria estreitou os olhos, o desdém habitual dando lugar a uma curiosidade técnica perigosa. Ela sabia que usar aqueles dados era uma violação grave, quase uma sentença de banimento. Ela aceitou a transferência. Minutos depois, uma peça selada a vácuo caiu sobre a bancada. O contador de dívida, contudo, disparou, adicionando os juros de emergência pela transação ilícita. Kaelen sentiu um vazio no estômago: ele tinha a peça, mas o custo o empurrou para a beira do abismo financeiro.

Minutos depois, o ar na Arena de Provas tinha o cheiro metálico de ozônio e o gosto amargo do desprezo. Kaelen sentiu o motor do Sucata vibrar em um ritmo irregular.

— Saindo da frente, lixo — a voz de Victor Thorne ecoou pelo canal aberto. O frame de Thorne era um colosso de blindagem polida, um modelo de elite que custava mais do que a dívida de três gerações da família de Kaelen. Ele bloqueou o corredor de entrada, forçando Kaelen a frear bruscamente. O impacto de emergência fez o braço direito do Sucata gemer, uma placa de metal solta raspando contra o chassi.

Thorne mantinha seu frame estacionado, criando uma barreira física deliberada. Kaelen sabia o que ele queria: forçá-lo a gastar a energia térmica de seus dissipadores em manobras de desvio antes mesmo da prova começar. Cada grau de temperatura que o motor subia era um passo mais perto da falha catastrófica.

Kaelen não recuou. Ele engatou a marcha de sobrecarga, ignorando os avisos de superaquecimento que inundavam sua visão. Em vez de desviar, ele canalizou o calor excedente diretamente para os injetores de exaustão, criando uma cortina de plasma distorcida. A manobra, tecnicamente proibida e altamente instável, cegou os sensores de Thorne por um milissegundo. Kaelen aproveitou a brecha, avançando com uma precisão cirúrgica que fez o Sucata rugir como uma fera ferida. Ele passou por Thorne, deixando o colosso de elite estático no corredor, e cruzou a linha de partida no último segundo.

De volta à oficina, o cheiro de fluido hidráulico queimado impregnava o ar. Kaelen soltou os grampos de segurança e desceu da cabine com as pernas trêmulas. O metal do peitoral do robô estalava, esfriando rápido demais.

— Você quase o transformou em uma sucata de verdade — a voz da Dra. Valéria ecoou das sombras. Ela analisava os logs, seus olhos fixos nas telas. — O sistema de ranking atualizou, Kaelen. Você subiu uma posição. Mas olhe para o seu saldo.

Kaelen olhou. A subida no ranking trouxe um bônus, mas o custo da manutenção, somado à penalidade pela manobra proibida e aos juros da dívida hereditária, dobrou o montante que ele devia ao conselho. Ele tinha ganhado o direito de continuar, mas o preço tinha acabado de se tornar impagável. Valéria tocou em um dos painéis, revelando a estrutura interna do frame que ele mal conhecia. — Você não apenas dissipou calor, Kaelen. O seu frame não foi construído com sucata. Ele foi 'nascido' de uma tecnologia que não deveria existir. E agora, todos os olhos da Academia estão sobre você.

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