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Chapter 4: O Preço da Vitória

Kael tenta reparar o Sucata-01 após o uso do Fluxo de Sucata, mas descobre que seu núcleo está emitindo assinaturas proibidas. Para pagar a dívida reajustada por Vane, ele aceita um contrato de transporte arriscado na Zona de Exclusão. Ao retornar, é emboscado por cobradores da Academia que revelam que Vane é seu credor direto. Kael é preso e levado para uma arena de extermínio, deixando o Sucata-01 para trás.

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O Preço da Vitória

O ar na oficina de Sora tinha o gosto metálico de ozônio e óleo queimado, uma mistura que grudava na garganta como poeira de mina. Kael observava o Sucata-01. Suspenso por correntes que rangiam sob o peso de um chassi retorcido, o frame parecia um cadáver de metal. As placas de blindagem, estufadas pelo calor residual do Fluxo de Sucata, estalavam conforme o metal esfriava.

Sora não disse nada. Seus olhos, protegidos por lentes riscadas, seguiam o feixe do scanner sobre o núcleo. O bipe do aparelho era um ritmo constante, uma contagem regressiva para o desastre. Ela parou, o som tornando-se um tom contínuo e agudo.

— Kael, olhe isso — ela apontou para o monitor. A assinatura energética não era estável; ela tremeluzia em um padrão irregular, uma anomalia que ela chamava de 'pulso de descarte'. — Você não apenas forçou o motor. Você fritou os conversores de fase. O núcleo está emitindo uma assinatura proibida pela Academia. Se eles fizerem uma leitura remota, não vão apenas confiscar o frame. Vão te deletar do ranking como um erro de sistema.

Kael sentiu o peso das quarenta e seis horas restantes piscando em seu visor de pulso. A vitória contra os favoritos da Academia parecia um sonho distante, substituída pela fria realidade matemática: a manutenção para estabilizar o núcleo custaria o triplo do que ele tinha, e o reajuste punitivo da dívida, imposto por Vane, tornara o débito astronômico.

— Eu preciso de créditos, Sora. Ontem — Kael disse, a voz rouca.

Sora suspirou, jogando uma chave inglesa sobre a bancada. Ela abriu o canal de comunicação da Academia. Uma notificação surgiu no terminal: um contrato de transporte de carga pesada na Zona de Exclusão de Testes. A recompensa cobriria o reajuste, mas a rota era um suicídio tático.

— Vane aprovou isso pessoalmente — Sora notou, a desconfiança em seus olhos transparecendo enquanto lia os metadados. — Ele quer que você entre na zona de carcaças. É onde eles descartam os frames que falharam nos testes. É uma armadilha, Kael.

— É a única porta aberta — Kael respondeu, já vestindo o traje de pilotagem. Ele não podia se dar ao luxo de hesitar. Se ele não pagasse, o Sucata-01 seria confiscado antes mesmo da próxima rodada da Escada.

A missão foi um pesadelo de metal retorcido e radiação. Kael pilotou o transporte através do cemitério de frames, desviando de escombros que ainda emitiam pulsos energéticos residuais. O Sucata-01, acoplado ao transporte, gemia sob a pressão. No momento em que ele entregou a carga, o visor de pulso brilhou com a confirmação de pagamento, mas o alívio durou menos de um segundo. Uma nova notificação de dívida, com o selo oficial de Vane, sobrepôs-se à anterior: juros de processamento de contrato.

Ao retornar à oficina, o ar parecia mais pesado. O som metálico de botas pesadas batendo no concreto do pátio externo cortou o silêncio. Não eram vizinhos. Eram três homens vestidos com o uniforme cinza-chumbo dos cobradores da Academia. O líder, um homem com uma cicatriz que cortava a sobrancelha, estendeu um tablet holográfico. O selo oficial de Vane brilhava no topo.

— Kael, você está em débito com o Comandante Vane por violação de protocolo de manutenção — o cobrador declarou, a voz desprovida de qualquer humanidade.

Kael olhou para o documento. O credor principal, listado em letras frias e digitais, não era uma instituição abstrata, mas o próprio homem que ditava as regras da arena. O sistema não estava apenas cobrando; ele estava fechando a mão sobre sua garganta.

— O confisco é imediato — o homem disse, fazendo sinal para que seus subordinados entrassem na oficina.

Antes que Kael pudesse reagir, ele foi imobilizado. A última coisa que viu antes de ser arrastado para o transporte de detenção foi o olhar desolado de Sora e o Sucata-01, o único pedaço de esperança que lhe restava, sendo carregado por ganchos magnéticos para o caminhão da Academia. Ele não estava sendo levado para uma cela, mas para a arena de extermínio, onde dois oponentes já aguardavam, e ele não tinha nada além de sucata em suas mãos.

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