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Chapter 1: A Sucata que Chora Óleo

Kael evita o sucateamento imediato do seu mech ao apontar uma falha técnica no protocolo, ganhando 24 horas. Durante a noite, ele descobre que seu chassi foi sabotado por um bloqueio de software e, ao tentar contorná-lo, ativa um log de otimização proibido que reescreve a performance da máquina, atraindo a atenção da segurança da academia.

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A Sucata que Chora Óleo

O placar holográfico da Academia Cume de Aço não era apenas uma lista de nomes; era uma sentença de morte projetada em neon. O nome de Kael ocupava o último lugar, o 150º, envolto em um vermelho pulsante que indicava o status de "Descarte Iminente". Abaixo dele, o Ferrugem — um chassi de combate que, para qualquer outro cadete, era apenas um amontoado de sucatas soldadas — tremia sob a inspeção do Instrutor Vane.

— O tempo acabou, Kael — a voz de Vane cortou o hangar, carregada do desprezo gélido de quem nunca precisou contar moedas para pagar a mensalidade. — O protocolo de sucateamento foi autorizado. Desconecte o núcleo de energia. Agora.

Kael sentiu o suor frio escorrer pela nuca. Se o Ferrugem fosse confiscado, a dívida de seus pais com o clã Valerius seria executada em menos de uma hora. Ele não seria apenas expulso; sua família seria reduzida a servos de mineração. Ele deu um passo à frente, bloqueando o acesso ao painel de manutenção com o próprio corpo, sentindo o metal frio do chassi contra suas costas.

— Instrutor, o sensor de pressão do hangar oscilou durante a última leitura — Kael disparou, a voz firme apesar do pânico que lhe apertava o peito. — O log de telemetria indica uma falha de calibração que invalida o protocolo. O estatuto da Academia exige integridade total do sistema para o descarte. Se o senhor prosseguir com uma leitura viciada, estará violando o regulamento de ativos da própria instituição.

Vane estreitou os olhos, o escárnio dando lugar a uma irritação contida. Ele consultou o tablet, onde os dados confirmavam a inconsistência técnica. O instrutor rosnou, frustrado por não poder encerrar o assunto ali mesmo.

— Vinte e quatro horas, Kael. Se o Ferrugem não passar no teste de performance amanhã, você será expulso e sua dívida será executada na íntegra. Não tente fugir. O sistema já está configurado para o seu banimento automático.

Assim que Vane se afastou, o silêncio do hangar tornou-se opressor. Mestre Aris, o velho sucateiro que vivia nas sombras do subsolo, aproximou-se com os braços cruzados, o rosto marcado por décadas de óleo e desilusão.

— Você comprou uma sentença de morte, garoto — murmurou Aris. — Se os instrutores virem você mexendo no núcleo, eles vão banir você por violação de segurança de classe A. É suicídio técnico.

— Eles já me baniram, Aris. Só esqueceram de emitir o papel — Kael respondeu, já inserindo a chave mestra pirata na porta de acesso do núcleo. — Se o Ferrugem não passar amanhã, o resultado é o mesmo.

Kael mergulhou na anatomia da sabotagem. O que ele encontrou não foi falha mecânica, mas uma barreira de software deliberada. Alguém — provavelmente alguém da elite, talvez a própria Lívia — havia bloqueado os reguladores de fluxo de energia, forçando o chassi a operar com menos de trinta por cento da sua capacidade real. O Ferrugem não era um fracasso; ele era uma vítima de um sistema que não tolerava intrusos.

Seus dedos voaram pelos terminais. O código de restrição era complexo, mas Kael encontrou uma assinatura de fragmento de dados proibido enterrada no diretório raiz. Era um log de otimização de um protótipo perdido, algo que a academia tentara apagar. Ao forçar a entrada, o sistema reagiu com um estalo seco, seguido por um zumbido grave que fez o chão vibrar.

O alerta de intrusão ecoou pelos corredores. Kael não tinha tempo para recuar. Ele conectou o cabo de interface diretamente à espinha dorsal do Ferrugem. A máquina começou a vibrar violentamente, o metal retorcido soltando faíscas azuladas que iluminavam a penumbra do hangar.

— Vamos, responda! — Kael gritou, sentindo o impacto mental da sincronização forçada. A interface neural tentava forçar uma calibração que o chassi antigo mal suportava. Luzes de advertência piscavam em um ritmo frenético enquanto o núcleo do mech entrava em um estado de superaquecimento crítico.

Kael sentiu sua própria conexão neural ser drenada, um custo alto para estabilizar o fluxo. O sistema do Ferrugem soltou um suspiro metálico, e então, o impossível aconteceu: o chassi morto ganhou uma assinatura de energia vibrante e impossível. O sistema estabilizou, mas a temperatura do núcleo disparou, ameaçando derreter a estrutura interna enquanto os guardas da academia começavam a martelar a porta do hangar.

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