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Chapter 10: O Julgamento da Cidadela

Kaelen retorna à Academia e é confrontado pelo Conselho sob acusação de uso de tecnologia proibida. Ele consegue provar que o módulo é uma extensão de sua vontade, ganhando um prazo de 24 horas antes da análise de engenharia. Rico Valerius, aproveitando a brecha, desafia Kaelen para um duelo final que decidirá sua permanência e o destino do Sucata-7.

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O Julgamento da Cidadela

O Hangar 4 cheirava a ozônio e metal calcinado, um odor que Kaelen agora associava ao limite de sua própria sobrevivência. Quando o trem de pouso do Sucata-7 tocou o solo, o chassi rangeu — um som metálico agudo, denunciando a fusão forçada entre a estrutura original e as placas de blindagem de drones classe Sentinela. O módulo experimental na base de sua coluna pulsava, enviando espasmos de calor para seus nervos, um lembrete constante de que a máquina estava viva e faminta.

Antes que ele pudesse ejetar, luzes vermelhas de contenção inundaram o ambiente. Drones de segurança bloquearam todas as saídas, com armas de pulso eletromagnético mirando o cockpit. Na passarela superior, Rico Valerius observava com um sorriso gélido. Ele não precisava falar; sua presença era o peso da autoridade que Kaelen, um pária de Rank D, ainda não possuía.

— Piloto Kaelen — a voz do Inspetor-Chefe ecoou, desprovida de qualquer reconhecimento pelo retorno do esquadrão. — Desative o núcleo de energia. O Sucata-7 está sob custódia administrativa.

O módulo reagiu antes de Kaelen. Uma inteligência distribuída, autônoma, que se recusava a ser desligada. Kaelen sentiu a pressão subir. Em vez de obedecer, seus dedos dançaram sobre o console, disparando um pulso de hackeamento tático que infiltrou a rede local do hangar. Por um milissegundo, os sensores dos drones exibiram um erro de leitura, confundindo o Sucata-7 com uma unidade de manutenção autorizada. Foi o tempo necessário para disparar um sinal de emergência codificado para a frequência privada da Dra. Vane.

*

O Salão do Conselho era uma câmara de obsidiana e silêncio cortante. Rico Valerius jogou um drive de dados sobre a mesa central.

— Sincronia de combate em milissegundos, predição de trajetória impossível para um piloto de Rank D — disparou Rico, a voz ecoando pelas galerias. — Isso é Inteligência Sintética Proibida. Uma violação direta dos Códigos de Ascensão.

Kaelen permaneceu imóvel. Ao seu lado, a Dra. Vane deu um passo à frente, os dedos trêmulos sobre uma interface holográfica.

— São evidências forjadas! — rebateu ela. — O sistema de Kaelen apenas otimiza o fluxo neural. Não há processamento autônomo.

O Grão-Mestre, um homem cujos olhos pareciam pesar séculos de tradição, inclinou-se para frente.

— O Conselho não precisa de desculpas, precisa de ordem. Kaelen, prove a integridade do seu módulo agora, ou o exílio será a sua única sentença.

Kaelen conectou o cabo de interface à base de seu crânio. A luz azulada do link neural brilhou, projetando um holograma complexo no centro da câmara. Não eram códigos de ataque, mas uma cascata de diagnóstico que provava que o módulo estava, na verdade, suprimindo instabilidades críticas do frame. Ele forçou o módulo a reduzir sua performance ao mínimo, demonstrando que a "inteligência" era uma extensão de sua própria vontade, não uma entidade externa.

O Conselho trocou olhares tensos. A divisão era clara: alguns queriam a tecnologia, outros temiam o precedente.

— Você provou que não é um drone, Kaelen — decretou o Grão-Mestre. — Mas o módulo é uma anomalia perigosa. Você tem 24 horas para submeter o Sucata-7 a uma análise completa de engenharia ou será exilado permanentemente.

*

No laboratório, o silêncio era pesado. Vane limpava a graxa das mãos, o olhar fixo no Sucata-7, que ainda pulsava com um brilho azulado instável.

— Eles não vão apenas desativá-lo — disse ela, a voz baixa. — Eles vão dissecar a consciência que você ajudou a despertar. O Sucata-7 morre no momento em que for desconectado.

Kaelen sentiu o peso do ultimato. Entregar o módulo significava segurança, mas o fim de sua ascensão. Manter o módulo era um bilhete direto para a execução por traição tecnológica.

— Se eu entregar, serei o bode expiatório — respondeu Kaelen. — Se eu mantiver, eu controlo a narrativa.

Um estrondo metálico na porta interrompeu a discussão. Rico Valerius entrou, acompanhado por dois guardas. Ele não veio para prender Kaelen; veio para selar seu destino.

— O Conselho está dividido — disse Rico, com um sorriso cruel. — Mas eu não estou. O duelo pelo posto de cadete sênior acontece amanhã. Se você aparecer, eu destruo você e seu brinquedo na frente de toda a Academia. Se não, o Conselho virá buscar o seu frame antes do pôr do sol.

Rico se retirou, deixando Kaelen diante da escolha final. Ele aceitaria o duelo, não apenas pela vaga, mas para forçar o Conselho a aceitar sua evolução, ou morreria tentando.

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