Inimigos na Sombra
O alerta no terminal do Sucata-7 não era um aviso comum; era uma sentença de morte digital. O tom agudo de 'intrusão detectada' cortava o ar estagnado do hangar, enquanto as luzes de emergência pulsavam em um vermelho agressivo. O sistema de segurança da Cidadela estava bloqueando as saídas. O arquivo 'Projeto Herança' permanecia aberto na tela, revelando nomes que Kaelen reconhecia muito bem: os juízes de sua ascensão eram os mesmos que haviam enterrado o legado de sua família.
— Kaelen, saia daí agora! — a voz da Dra. Vane soava abafada pelo rádio, carregada de uma urgência cortante. — Eles rastrearam o IP do seu terminal. Se te pegarem, o frame é confiscado e sua carreira acaba antes da inspeção.
— Não posso sair sem isso, Vane. A corrupção não é apenas institucional, ela é pessoal — Kaelen respondeu, a mandíbula travada. Ele precisava de uma distração. Sem hesitar, ele sobrecarregou o módulo neural. O Sucata-7, suspenso pelos braços hidráulicos, estalou. Um curto-circuito forçado na rede de sensores do hangar mergulhou o setor em trevas momentâneas, mascarando sua assinatura digital enquanto ele extraía os dados críticos.
Minutos depois, movendo-se pelas sombras do Armazém 4, Kaelen rastreou o técnico Vargo. O homem, um peão de Rico Valerius, manipulava um chip de override no log de diagnóstico do Sucata-7. Kaelen não perdeu tempo. Com um movimento preciso, ele imobilizou Vargo contra o console, pressionando a lâmina de um estilete de precisão contra sua garganta.
— Tente gritar e sua próxima inspeção será a última — sibilou Kaelen. Ele não apenas recuperou a prova da sabotagem, mas hackeou o log do técnico, invertendo a armadilha. Agora, qualquer tentativa de forçar o frame durante a inspeção oficial ativaria um erro crítico no sistema do próprio Rico.
Com a prova em mãos, Kaelen retornou ao terminal. O arquivo 'Projeto Herança' exigia uma senha biométrica impossível. Ele conectou o módulo experimental diretamente ao seu próprio pulso. A dor foi um choque elétrico que percorreu sua espinha, o calor do módulo irradiando como febre. Seus olhos ficaram vermelhos, a visão turva, mas a barreira cedeu. O documento final apareceu na tela: sua família não fora preterida por incompetência, mas por ter criado a tecnologia de processamento neural que a Cidadela agora roubava para manter seu poder.
O silêncio do hangar foi quebrado por passos metálicos. Rico Valerius surgiu, acompanhado por inspetores.
— O Sucata-7 não passou na verificação, Kaelen — Rico anunciou, com um sorriso de predador. — Protocolo exige sucateamento imediato.
Kaelen subiu na plataforma de pilotagem. Ele sentia o peso do segredo em seu pulso, o calor do módulo pulsando sob sua pele. Ele sabia que o sistema hidráulico fora sabotado para explodir, mas agora, com os dados que possuía, ele tinha o gatilho para a queda de Rico. Enquanto o inspetor-chefe dava o sinal, Kaelen ativou o módulo, ignorando os avisos de superaquecimento crítico. O Sucata-7 rugiu, não como uma sucata, mas como uma arma despertada. Ele encarou Rico, a verdade sobre seu sangue e a corrupção da academia queimando em sua mente. A inspeção oficial havia começado, e Kaelen estava pronto para forçar o sistema ao limite absoluto.