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Chapter 7: A Prova do Fogo

Kaelen inicia o torneio de três rodadas sob a pressão de um cronômetro de 6 horas para o confisco de seu frame. Ele vence o primeiro duelo contra Vane usando o Módulo Sincronia para hackear a arena, mas sofre danos físicos severos. Valéria tenta convencê-lo a desistir, revelando que o Módulo está consumindo sua integridade mental.

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A Prova do Fogo

O cronômetro no visor do meu frame marcava 05:59:42. O tempo não era apenas um número; era o som da minha vida sendo reduzida a sucata. Na oficina, o cheiro de ozônio era tão espesso que eu sentia o gosto metálico na língua. Mestre Aris, com as mãos trêmulas de cafeína e desespero, soldava a última conexão do Módulo Sincronia.

— Não é um reparo, Kaelen — ele rosnou, sem desviar o olhar dos cabos de fibra ótica. — É uma amputação. O sistema de resfriamento não aguenta a carga. Se você não conectar seu sistema nervoso diretamente à interface, o frame vai fundir em menos de três minutos de combate.

Senti o peso da dívida familiar latejar em minhas têmporas. O bloqueio bancário de Valéria não era apenas uma manobra; era uma sentença de exclusão. Sentei-me na cadeira de comando e senti os eletrodos frios perfurarem minha nuca. Quando o Módulo rugiu, um fluxo de dados brutos inundou minha mente, drenando minha energia vital para estabilizar o núcleo. O frame despertou com um som metálico instável, uma fera faminta que exigia controle absoluto.

Na Arena Principal, o ambiente era brutal. O oponente, Vane, um protegido de Valéria, não esperou o sinal oficial. Seu frame disparou um pulso eletromagnético direcionado. O objetivo era claro: fritar os circuitos instáveis antes da luta começar, expondo a natureza ilegal da tecnologia sob o olhar dos juízes.

— O lixo não pertence à elite, Kaelen — a voz de Vane reverberou, carregada de um desdém que ecoava a frieza de Valéria, que observava tudo de seu camarote, um sorriso predatório oculto por um leque digital.

Eu não respondi. A dor da conexão era um incêndio que subia por minha espinha, mas, no momento em que o pulso atingiu a blindagem, o Módulo Sincronia reagiu. Ele não absorveu o impacto; ele o digeriu. Em uma fração de segundo, hackeei a rede da arena, redirecionando a energia do pulso de volta para os propulsores de Vane. O oponente colidiu contra a parede da arena com um estrondo que fez a estrutura vibrar. Vitória técnica. Rápida. Mas, ao retornar para o túnel, o preço se tornou visível: minha visão periférica piscou, transformando-se em um borrão cinzento e granulado.

Valéria surgiu nas sombras do corredor, sua postura impecável contrastando com o sangue que escorria do meu nariz.

— Você está se matando por peças que não pode manter — ela disse, a voz como seda sobre lâminas. — Desista agora, entregue o Módulo, e a dívida da sua família desaparece. Continue, e você será sucateado junto com essa máquina.

Forcei um sorriso, embora a estática em minha visão ameaçasse apagar o mundo.

— O jogo mal começou, Valéria.

Eu sabia que a cada segundo, o Módulo consumia mais do que apenas energia; ele consumia minha própria capacidade de processar a realidade. O torneio de três rodadas era a única saída, mas cada vitória me empurrava para mais perto de um colapso total. Enquanto me preparava para o segundo duelo, minha interface neural começou a sangrar dados, e minha visão falhou por um segundo inteiro. Eu não era mais apenas o piloto; era o componente final de uma máquina que eu mal compreendia. O torneio estava apenas na metade, e o cronômetro de confisco continuava a morder meus calcanhares.

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