O Custo da Eficiência
O frame de Kaelen soltou um guincho metálico, colapsando sobre o deck do hangar. Fumaça negra escapava das juntas exauridas, carregando o cheiro acre de ozônio e circuitos derretidos. Ele tinha menos de dois minutos antes da inspeção técnica. Se o inspetor Rael acessasse os logs, o Módulo Sincronia — sua única vantagem nesta academia de elite — seria confiscado e ele, expulso.
"Kaelen! O que aconteceu com essa carcaça?" A voz de Rael ecoou, seca e impaciente. O inspetor marchava em sua direção com o tablet de diagnóstico em mãos. Kaelen forçou os dedos trêmulos a bloquearem o acesso remoto do sistema.
"Sobrecarga no núcleo, senhor. O dissipador falhou."
Rael franziu a testa, aproximando-se com o scanner ativo. "Deixe-me ver o log de energia. Se você forçou os limitadores, seu frame será sucateado."
Kaelen não hesitou. Com um movimento brusco, ele arrancou uma placa de proteção lateral, expondo o emaranhado de cabos que pulsavam com um azul instável. "Cuidado, Rael! O fluxo está instável, pode haver descarga de plasma!" Ele cravou a faca de manutenção no conduite principal. Um estalo ensurdecedor ecoou pelo hangar, seguido por uma chuva de faíscas que forçou o inspetor a recuar, protegendo o rosto com o braço. Foi o tempo necessário para Kaelen purgar os registros de atividade do módulo. Rael se retirou com uma careta de desdém, mas o olhar que lançou para o frame de Kaelen não era de desconfiança comum; era de quem já havia marcado um alvo.
Kaelen desceu às oficinas subterrâneas, onde o ar era denso, carregado com o cheiro de óleo velho. Mestre Aris estava ali, a silhueta curvada sobre uma bancada. A tela holográfica no canto exibia a assinatura energética em espiral do Módulo Sincronia, brilhando em um vermelho incriminador.
"Você é um idiota, garoto", Aris rosnou, sem desviar os olhos de um pistão hidráulico. "A diretoria já rastreou o pico de energia. Eles não se importam com sua performance. Eles se importam com a anomalia que você trouxe para o campo deles."
"O módulo funcionou", rebateu Kaelen, a voz firme apesar da dor. "Eu passei no teste. Minha permanência é um fato."
"Sua permanência é uma sentença de morte." Aris atirou uma chave inglesa sobre a bancada metálica, o som ecoando como um tiro. "Aquele protótipo é um parasita. Você desperdiçou o potencial de uma tecnologia de ponta em um teste de entrada sem valor. Se não estabilizar a assinatura de energia, você será descartado antes do amanhecer."
Kaelen sentiu o peso do ultimato. Para salvar o frame, ele precisava de um núcleo de resfriamento raro, escondido na Zona de Sucata Proibida. Lá, entre os escombros de mechs de elite, ele usou o Módulo Sincronia de forma controlada — não para lutar, mas para sobrecarregar os sensores dos drones patrulheiros. A luz vermelha dos sentinelas oscilou, confusa, permitindo que ele arrancasse o componente necessário. O esforço disparou um choque elétrico por seus nervos, mas ele não parou.
Ao retornar à oficina, o núcleo foi instalado. O zumbido mecânico estabilizou, mas o console de bordo piscou em um vermelho agressivo. A assinatura de energia do módulo havia triplicado; o sistema estava aprendendo, evoluindo, e cada vez mais difícil de esconder.
No dia seguinte, o teste final no Campo de Provas. Kaelen enfrentou um cadete de terceiro escalão. O Módulo Sincronia enviou dados brutos de mira diretamente para o sistema de Kaelen. Ele não bloqueou o golpe de lâmina térmica do oponente; ele girou, permitindo que o metal raspasse em sua blindagem, expondo a junta hidráulica do inimigo. Com um movimento seco, Kaelen atingiu o ponto cego. O frame do adversário colapsou. Nas arquibancadas, o silêncio foi absoluto. Kaelen olhou para cima e viu Valéria. Ela não estava irritada com a derrota de seu subordinado; ela observava com um interesse gélido, o tipo de atenção que precede a destruição ou a ascensão.
Aris, observando das sombras, jogou uma chave inglesa no chão e lançou o veredito final: "Você tem 24 horas para provar que esse protótipo não é uma bomba-relógio."