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Chapter 1: Sucata de Luxo, Destino de Lixo

Kaelen sobrevive ao teste de avaliação inicial da Academia Titã ao utilizar um módulo protótipo ilegal em seu mech sucateado, garantindo sua permanência por um fio, mas atraindo atenção perigosa.

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Sucata de Luxo, Destino de Lixo

O ar no Pátio de Avaliação da Academia Titã tinha gosto de ozônio e desespero. Kaelen ajustou o cinto de segurança no cockpit do Ferrugem, um mech que mais parecia um amontoado de peças de ferro-velho soldadas por um bêbado. O chassi rangia, um lamento metálico que acompanhava cada vibração do motor instável. Ao seu redor, a elite da Academia exibia frames de última geração, polidos como espelhos, com ligas de titânio que brilhavam sob o sol artificial da arena. O contraste não era apenas estético; era uma sentença de morte social.

— Olha só, o lixo ambulante decidiu aparecer hoje — a voz de Valéria cortou o ruído de fundo. Ela estava parada ao lado de seu próprio frame, uma máquina de elite que parecia uma obra de arte tecnológica. — Se o seu motor explodir antes da largada, tente não sujar a pista. A manutenção custa caro e o seu tempo de vida aqui já não vale o esforço de uma limpeza.

Kaelen não respondeu. Seus olhos estavam fixos no monitor central, onde uma cascata de erros em vermelho piscava: Falha na vedação térmica. Integridade estrutural: 32%. Ele não podia se dar ao luxo de um duelo de palavras. A dívida de sua família, acumulada por gerações de falhas operacionais, era um cronômetro que não parava. Se ele não superasse o tempo de corte hoje, o Ferrugem seria confiscado e ele seria expulso da Academia, selando o destino de sua casa.

— Piloto Kaelen, posição de largada — a voz impessoal do instrutor ecoou pelo pátio.

O Ferrugem deu um solavanco violento. O motor tossiu, uma nuvem de fumaça negra escapando pelos dutos de exaustão. Dentro da arena, a gravidade artificial parecia esmagar o metal. O cronômetro holográfico na visão periférica marcava 0:45 para o encerramento do teste de agilidade. Se ele não atingisse a marca de 95% de eficiência de manobra, o sistema de segurança da Academia selaria os pistões do seu mech permanentemente.

— Vamos, sua lata velha — sibilou Kaelen, os dedos suados forçando a alavanca de manobra. O sistema de resposta travou. O indicador de integridade estrutural piscou em âmbar: 12%. O motor de propulsão falhou e o frame deslizou, perdendo a tração no setor sul da arena. A multidão nas arquibancadas soltou uma vaia uníssona. Valéria, observando do camarote dos classificados, cruzou os braços com um sorriso de escárnio.

Ele não podia ser descartado. Com um movimento brusco, Kaelen removeu o painel de acesso sob o assento. O módulo protótipo de Mestre Aris estava ali, uma peça de tecnologia proibida, pulsando com uma luz azul gélida que parecia consumir o próprio ar ao redor. Era uma aposta suicida: o módulo prometia estabilidade, mas o custo era uma sobrecarga neural que faria seus nervos gritarem. Ele encaixou o módulo.

O sistema do mech piscou em vermelho: Módulo Sincronia: Ativo. O ganho de performance foi instantâneo. O Ferrugem respondeu com uma agilidade que não deveria possuir, completando a manobra em segundos. O tempo de corte foi superado, mas o brilho azul emanando do chassi atraiu os olhares errados.

Após o teste, Kaelen foi retirado do mech sob vigilância. O vapor sibilava das juntas do Sucata. Assim que a escotilha hidráulica se abriu, o ar viciado da oficina de Mestre Aris o atingiu. O velho técnico agarrou Kaelen pelo colarinho do traje de voo, arrastando-o para longe da luz dos holofotes.

— Você é um idiota ou um suicida? — sibilou Aris, a voz trêmula de raiva, apontando para o console de diagnóstico que ainda exibia a assinatura residual do módulo proibido. — Aquele pico de energia foi visto por todos os sensores da academia. Você não apenas passou no teste; você anunciou para toda a elite que tem uma tecnologia proibida instalada naquele monte de ferro-velho.

Kaelen soltou-se, limpando o suor da testa. — Eu precisava daquela velocidade, Aris. Sem o módulo, eu seria expulso hoje. Minha família perderia tudo.

Aris jogou uma chave inglesa pesada no chão, o som metálico ecoando no silêncio da oficina como um veredito. — Você tem 24 horas para provar que esse protótipo não é uma bomba-relógio, ou eu mesmo garanto que você seja sucateado antes que a diretoria chegue aqui.

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