Novel

Chapter 5: Chapter 5

Beatriz confronta Arthur com as provas da fraude, apenas para descobrir que o contrato que assinou a torna legalmente cúmplice. A tensão escala quando Arthur a protege de um investidor, exigindo um preço emocional pelo ato, culminando em uma confissão de vulnerabilidade que quebra a frieza do herdeiro.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Chapter 5

O silêncio dentro da limusine executiva era mais denso que o mármore do saguão do Hotel Unique. Beatriz encarava o vidro escuro, onde o reflexo do colar de diamantes — uma peça que pesava como uma algema de luxo — brilhava sob a luz intermitente da Faria Lima. Ela não era mais apenas uma substituta; era uma cúmplice.

Arthur, ao seu lado, mantinha o olhar fixo no tablet. Os gráficos das ações da holding subiam, imperturbáveis, ignorando o caos que ele semeava. Ele fechou o aparelho com um estalo seco.

— Você teve um desempenho impecável — disse ele, a voz desprovida de calor, mas carregada de uma satisfação que a fez estremecer. — Os acionistas esqueceram a ausência de Helena assim que você sorriu para as câmeras. Eles não querem a verdade, Beatriz. Querem a segurança de que o império Valente não vai ruir por causa de uma garota instável.

Beatriz virou-se, a dignidade sendo sua única armadura. Ela sentia o peso dos documentos da fraude, guardados na cobertura, como uma brasa viva em sua bolsa.

— Eu não sorri por você, Arthur. Sorri pelo que restou da minha família — retrucou ela. — Não confunda sobrevivência com lealdade. Cada minuto ao seu lado é uma negociação.

Ao chegarem à cobertura, a atmosfera de isolamento controlado fechou-se sobre ela. Beatriz caminhou até o escritório e retirou os documentos que encontrara no cofre de Helena. O papel parecia queimar entre seus dedos.

— São extratos, Arthur. Transferências para contas de fachada, manipulação de ativos. Se isso chegar à Comissão de Valores Mobiliários, o império que você protege desmorona em vinte e quatro horas.

Arthur não se levantou. Ele observou Beatriz com olhos gélidos, servindo um café que ela recusou. Ele deslizou uma pasta de couro sobre a mesa de mogno, parando-a entre eles.

— Você acredita que encontrou a chave para sua liberdade — a voz dele era um bisturi. — Mas o que você tem em mãos não é a minha ruína. É o seu próprio atestado de óbito jurídico.

Ele apontou para uma página específica, onde a assinatura de Beatriz brilhava sob a luz dos lustres. Era o aditivo contratual que ela assinara sem ler.

— Quando você assinou, tornou-se legalmente responsável por cada transação que Helena descobriu — ele explicou, a frieza dando lugar a uma autoridade perigosa. — Se eu cair, você cai comigo. Você não está apenas no meu jogo, Beatriz. Você é a peça que garante a minha imunidade.

A pressão aumentou quando, no hall privativo, um investidor agressivo e antigo aliado de Helena surgiu, exigindo respostas. O homem, um tubarão do mercado, começou a questionar a ausência da noiva com uma insistência que roçava o insulto.

Arthur interveio antes que Beatriz pudesse responder. Ele se colocou entre eles, uma barreira de músculos e poder, e sua resposta foi uma demonstração de força brutal. Ele não apenas defendeu Beatriz; ele a reivindicou como um ativo inestimável, silenciando o investidor com uma ameaça velada que fez o homem empalidecer.

Mais tarde, na segurança da cobertura, Arthur a encurralou contra a mesa de jantar. O ato de proteção exigia um preço.

— Eu limpei a sua reputação hoje, Beatriz. Mas a proteção tem um custo emocional que você ainda não pagou.

Na manhã seguinte, o silêncio na sala de jantar foi quebrado pelo tilintar de prata. Arthur observava Beatriz, que parecia exausta.

— Você não dormiu — ele disse, sem erguer o olhar do tablet.

— Difícil descansar quando estou sendo mantida em uma gaiola de luxo — ela retrucou.

Arthur finalmente levantou a cabeça. O olhar dele não era de predador, mas de alguém à beira de um colapso. Ele se inclinou, a máscara de controle tremendo.

— Você não está procurando rachaduras, Beatriz. Você está cavando buracos onde eu só queria construir muros — ele murmurou, a voz rouca. — Eu não trouxe você aqui para ser um troféu. Eu trouxe você porque, pela primeira vez, não consegui prever o efeito de uma variável. Você é o caos que eu não cataloguei. Sua presença aqui está devorando meu cronograma, destruindo a lógica que eu construí para me proteger de pessoas como você.

Beatriz percebeu, com um sobressalto, que o medo dele não era de perder o império, mas de perder o controle sobre o que ele, secretamente, desejava manter perto demais.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced