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Chapter 4: Chapter 4

Beatriz enfrenta a pressão pública no gala do Hotel Unique, onde Arthur a utiliza como escudo contra especulações sobre o desaparecimento de Helena. Após o evento, Beatriz confronta Arthur com as provas da fraude financeira, apenas para descobrir que ele a enredou em uma teia de cumplicidade forçada, elevando o risco de sua permanência na cobertura.

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Chapter 4

O café da manhã na cobertura de Arthur Valente não era uma refeição; era uma demonstração de força. O silêncio era tão denso que o som do metal da faca de Arthur contra a porcelana soava como uma execução. Beatriz mantinha a postura impecável, os dedos enterrados sob a toalha de linho, sentindo a rigidez em seus ombros.

— O gala no Hotel Unique será o marco da nossa união pública — Arthur disse, sem erguer os olhos da torrada. Sua voz era desprovida de qualquer calor humano, uma sentença proferida em um tribunal de mármore. — A imprensa precisa ver a noiva dos Valente. Você usará o colar de safiras da família. É inegociável.

Beatriz sentiu o peso dos documentos escondidos no fundo falso de sua mala, no andar de cima. Cada prova da fraude financeira que Helena descobrira — e que Arthur tentava enterrar sob o nome de um casamento de fachada — queimava em sua mente como ácido. Ele a queria como troféu, um ativo para blindar sua reputação, sem saber que ela agora conhecia o preço do sangue que manchava suas ações.

— Safiras combinam com o azul do meu vestido — ela respondeu, a voz mantendo uma calma gélida que ela não sentia. — Mas imagino que a segurança terá que ser reforçada. Um item tão valioso atrai atenções indesejadas, não é, Arthur?

Ele finalmente levantou o olhar. Os olhos cinzentos de Arthur eram impenetráveis, buscando uma falha na máscara dela. — Você está aprendendo, Beatriz. O valor de um ativo reside na sua capacidade de ser protegido. Não se esqueça de que, sem os Valente, você não é nada além de uma herdeira insolvente.

*

No salão do Hotel Unique, o lustre de cristal parecia pesar toneladas. Beatriz ajustou o colar de safiras, sentindo a borda fria da joia contra a pele. Ao seu lado, Arthur era uma muralha de elegância impecável e desinteresse calculado. Ele a segurava pelo cotovelo, um toque firme que comunicava ao mundo uma posse absoluta.

— Sorria, Beatriz. A imprensa está faminta por um sinal de fragilidade — sussurrou Arthur, o hálito quente roçando seu ouvido, um contraste brutal com a frieza de suas palavras.

— Eles não estão famintos por fragilidade, Arthur. Estão esperando pelo erro que fará suas ações despencarem — ela retrucou, mantendo o sorriso fixo enquanto sentia o volume dos documentos na clutch.

Um homem de meia-idade, Marcelo, aproximou-se com um sorriso predatório. — Valente! Que surpresa ver a noiva... intacta. Disseram pelos corredores que a Srta. Helena tinha gostos mais aventureiros. Onde ela está, Beatriz? Ou devo perguntar o que ela descobrira antes de desaparecer?

O silêncio que se seguiu foi cortante. Antes que Beatriz pudesse responder, Arthur deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Marcelo com uma ameaça silenciosa que fez o rival empalidecer. — Minha noiva não é assunto para especulações de mesa de bar, Marcelo. Se você preza pela saúde das suas ações, sugiro que mude o tópico. Agora.

Beatriz observou a cena, o coração disparado. Ele não a protegia por afeto; ele protegia seu investimento. A dívida dela com ele acabara de crescer.

*

De volta à cobertura, a fachada desmoronou assim que a porta blindada se fechou. Beatriz jogou a clutch sobre a mesa de mármore, o som seco ecoando pelo escritório.

— Você o ameaçou por mim — ela disse, arqueando uma sobrancelha. — Ou foi para garantir que ninguém chegasse perto demais da verdade sobre a Helena?

Arthur, que servia um uísque, parou. Ele se virou lentamente. — Você sabe o suficiente para ser perigosa, Beatriz. Mas não sabe o suficiente para ser útil.

Beatriz caminhou até a mesa e espalhou os documentos que encontrara. — Helena não fugiu por medo. Ela fugiu porque encontrou a contabilidade paralela da sua holding. A fraude que sustenta sua ascensão não é um boato. São números.

Arthur não desviou o olhar. Pela primeira vez, a máscara de frieza trincou. Ele caminhou até ela, seus passos pesados como chumbo. — Você acha que a fraude é o segredo? — ele riu, um som desprovido de humor. — A fraude é apenas a ponta do iceberg, Beatriz. A fuga da sua irmã foi a única coisa que impediu que a verdadeira podridão dos Valente viesse à tona. E agora, ao descobrir isso, você não é apenas minha noiva. Você é minha cúmplice. E, se eu cair, você cai comigo.

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