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Chapter 6: Chapter 6

Helena e Arthur retornam da gala sob tensão crescente. Helena esconde o bilhete de Viana, enquanto Arthur liquida um credor agressivo, reafirmando seu controle. Helena descobre documentos que provam que Arthur também está sendo chantageado pelo mesmo grupo que perseguiu os Albuquerque, mudando a dinâmica de poder de chantagem para uma aliança forçada e perigosa.

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Chapter 6

O interior da limusine era um casulo de couro e silêncio, mas para Helena, o espaço parecia diminuir a cada quilômetro. O papel dobrado no seu punho apertado queimava contra a palma, uma prova física de que sua vida não lhe pertencia mais. Arthur estava ao seu lado, a silhueta imponente recortada pelas luzes intermitentes da cidade. Ele não olhava para ela, mas a tensão em seus ombros largos era uma barreira que ela não ousava cruzar.

— Viana não é um homem que desperdiça palavras, Helena — Arthur quebrou o silêncio, sua voz soando como o atrito de metal contra metal. Ele finalmente virou o rosto, os olhos escuros fixos nela com uma intensidade que exigia confissões. — O que ele sussurrou para você antes de eu intervir? O que ele lhe deu?

Helena sentiu o suor frio percorrer sua espinha. O bilhete continha a promessa de encontrar Isadora, a peça que faltava no quebra-cabeça de sua própria sobrevivência. Se entregasse o papel, Arthur saberia da localização da prima e, com isso, o último resquício de poder que ela tinha sobre a dívida desapareceria. Se o guardasse, estaria mentindo para o único homem que a mantinha a salvo da ruína pública.

— Ele apenas zombou da nossa situação, Arthur — ela respondeu, forçando a voz a soar firme, embora o coração martelasse contra as costelas. — Ele sabe quem eu sou. Ele sabe que a fraude de 2018 não foi obra minha. Ele quer me usar para chegar até você, não o contrário.

Arthur estreitou os olhos, um lampejo de algo indecifrável cruzando seu rosto. Ele não a questionou mais, mas o silêncio que se seguiu foi pesado. Helena percebeu, com um sobressalto, que a possessividade dele não era apenas desejo; era uma estratégia defensiva. Ele não a protegia por afeto, mas porque ela era o seu único trunfo contra os predadores que circulavam o império Monteiro.

Ao chegarem à mansão, a crise doméstica já os esperava. No hall, a governanta, uma mulher cujas mãos calejadas serviam à família há décadas, mantinha a postura rígida sob a pressão de um homem de terno impecável — um credor dos Albuquerque.

— A casa não é sua, senhorita, mas a dívida é — o homem sibilou, ignorando a autoridade da governanta. — Se os Albuquerque não podem pagar, o patrimônio será executado hoje. Ou prefere que a humilhação seja pública antes da meia-noite?

Helena deu um passo à frente, a voz firme.

— A dívida está sob negociação com o senhor Monteiro. Não tolerarei que funcionários desta casa sejam assediados.

Arthur emergiu do corredor, sua presença física tão avassaladora que o credor empalideceu instantaneamente. Sem dizer uma palavra, Arthur assinou um cheque e o estendeu ao homem, um gesto de poder absoluto que silenciou o hall. Mas, ao olhar para Helena, o desprezo em seus olhos não era para o credor, era para a vulnerabilidade que ela acabara de exibir. Ele a tratava como um ativo a ser preservado, não como uma aliada.

Mais tarde, aproveitando uma chamada tensa de Arthur no escritório, Helena invadiu o espaço privado dele. Enquanto ele discutia termos de liquidação com um tom de voz que beirava a ameaça, ela vasculhou a mesa. Não encontrou o ledger, mas encontrou algo mais revelador: uma pasta de transferências bancárias ligando os Albuquerque a um esquema de lavagem de dinheiro que Arthur estava tentando ocultar. O choque a atingiu como um golpe físico. Eles não eram apenas inimigos forçados; eles estavam presos na mesma teia, ambos tentando esconder os mesmos crimes que alimentavam o poder Monteiro.

O confronto final ocorreu nos jardins. Viana apareceu como uma sombra, bloqueando o caminho de Helena.

— Você acha que o nome Monteiro é um escudo eterno, pequena impostora? — ele sibilou. — Arthur a descartará assim que o ledger for recuperado.

Antes que Helena pudesse responder, Arthur surgiu das sombras. Ele não apenas a colocou atrás de si; ele se posicionou como um predador protegendo seu território. Em um movimento rápido, ele agarrou Viana pelo colarinho, a fúria contida em seus olhos revelando uma vulnerabilidade genuína — o medo de perder o controle sobre a única pessoa que detinha o segredo de sua ruína.

— Tente tocá-la novamente, Viana, e eu garanto que você não verá o amanhecer — a voz de Arthur era um sussurro letal.

Helena observou a cena, o coração acelerado. A proteção de Arthur era real, mas o perigo apenas começara. Ela percebeu, com um calafrio, que a chantagem que Arthur sofria vinha do mesmo grupo que perseguiu sua família. Eles estavam, finalmente, na mesma guerra.

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