O Peso da Herança
O escritório de Arthur Viana não cheirava apenas a mogno e papel antigo; agora, o ar estava impregnado com o odor metálico e enjoativo de sangue fresco. Helena parou no umbral, o salto agulha cravado no tapete persa, sentindo o peso da mansão Viana pressionar seus ombros. Arthur estava debruçado sobre a mesa de carvalho, a camisa social branca manchada por um vermelho escuro que se espalhava pelo ombro esquerdo. Ele não olhou para cima, mas a rigidez de sua postura denunciava o esforço sobre-humano para manter a aura de controle inabalável que a alta sociedade paulistana exigia.
— Saia, Helena — a voz dele saiu como um estilhaço de vidro, rouca e desprovida da habitual po
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