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Chapter 6: Linhas de Sangue e Papel

Helena confronta Arthur sobre a falência de sua família, confirmando que os Viana foram os arquitetos da ruína. Enquanto Arthur a mantém sob controle através da Cláusula 14.b e da ameaça a Leo, Helena consegue copiar provas documentais do cofre de Arthur, invertendo secretamente a dinâmica de poder antes da aparição pública na escola de Leo.

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Linhas de Sangue e Papel

O escritório de Arthur Viana não era um ambiente de trabalho; era um mausoléu de ambições alheias. O ar, rarefeito pelo sistema de climatização central, carregava o cheiro de mogno e o peso de segredos que Helena, até aquela noite, acreditava serem apenas má sorte. Sobre a mesa de ébano, a Cláusula 14.b do contrato de noivado repousava como uma sentença de morte assinada em papel de alta gramatura.

— Você não apenas me comprou, Arthur — Helena disse, a voz desprovida de qualquer tremor, embora o ódio lhe queimasse a garganta. — Você herdou a dívida que o seu pai criou. A falência da minha família não foi um erro de mercado. Foi um projeto. Vocês escreveram o roteiro do nosso desastre.

Arthur estava encostado na estante, o copo de cristal na mão, observando-a com uma frieza que beirava o clínico. Ele não negou. O silêncio que se seguiu foi a confissão mais cruel que ela já ouvira.

— O mercado de São Paulo não tolera sentimentalismo, Helena — ele respondeu, a voz baixa, desprovida de qualquer calor. — Meu pai viu uma oportunidade. Eu apenas estou consolidando o que foi iniciado. O contrato que você assinou é a única coisa que separa seu filho de uma vida de miséria sob a tutela de Ricardo. Ele é a minha alavanca, e você é a minha imagem pública. Não confunda necessidade com bondade.

Ele usava a segurança de Leo como uma coleira, apertando-a a cada tentativa de resistência. Quando o celular de Arthur vibrou com uma chamada de emergência e ele se retirou para o terraço, Helena não perdeu tempo. O cronômetro corria: amanhã, na escola de Leo, a farsa precisaria ser impecável, mas ela não seria mais uma peça passiva.

Seus dedos, firmes, encontraram a trava oculta do cofre embutido na estante. O clique metálico soou como um tiro. Dentro, não havia apenas documentos corporativos, mas um dossiê encadernado em couro com o timbre antigo dos Viana. Ao abrir, a verdade saltou aos seus olhos: uma manobra de liquidação forçada, assinada pelo pai de Arthur, desenhada para absorver os ativos de sua família por uma fração do valor real. Ela copiou os arquivos para um drive minúsculo, escondendo-o na bainha de seu vestido momentos antes de ouvir os passos de Arthur retornando.

Quando ele entrou, Helena estava diante da janela, observando as luzes da cidade. Arthur contornou a mesa, invadindo seu espaço pessoal com uma autoridade que exigia submissão.

— Amanhã, na escola de Leo — ele começou, a voz vibrante — você será a noiva perfeita. O monitoramento será constante. Não cometa o erro de pensar que pode fugir do seu papel.

Helena virou-se, mantendo a máscara de calma, embora o dossiê estivesse agora gravado em sua memória como uma arma carregada.

— Eu farei o que for preciso pelo meu filho — ela respondeu, a voz firme. — Mas não espere que eu esqueça quem é o arquiteto da minha dor.

Arthur, sentindo a mudança na postura dela, caminhou até o painel biométrico atrás da estante. Com um movimento preciso, ele guardou o dossiê original no cofre, acreditando que o segredo estava trancado. Ele não percebeu que Helena, observando-o das sombras, carregava a prova que poderia destruir sua reputação e sua fusão corporativa. Ele a subestimara; o que ele via como uma noiva sob controle era, na verdade, uma estrategista que acabara de encontrar a sentença final para a dinastia Viana.

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