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Chapter 7: O Preço da Verdade

Helena confronta Arthur em seu escritório, revelando que descobriu a verdade sobre a falência de sua família orquestrada pelos Viana. Ela utiliza o dossiê digital como alavanca para exigir a anulação da Cláusula 14.b, forçando Arthur a admitir que sua 'proteção' é, na verdade, uma tentativa de redenção por erros passados. A dinâmica de poder é invertida, deixando Arthur em uma posição defensiva antes da aparição pública na escola de Leo.

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O Preço da Verdade

O silêncio no escritório de Arthur Viana não era ausência de som; era uma pressão barométrica, o tipo de vácuo que precede uma tempestade. Helena observava o reflexo das luzes de São Paulo no vidro temperado, cada ponto brilhante lá fora parecendo uma testemunha silenciosa de sua ruína planejada. No bolso interno de seu blazer, o pendrive metálico pesava como uma sentença de morte para a dinastia Viana.

— Você está inquieta, Helena. — A voz de Arthur surgiu atrás dela, baixa, polida, destituída de qualquer calor humano. Ele não se aproximou, mantendo a distância estratégica que ele sempre impunha, como se o espaço entre eles fosse uma fronteira diplomática.

Helena girou, a postura impecável, a máscara de noiva submissa colada ao rosto. Ela precisava que ele acreditasse que ela ainda era a peça que ele movia no tabuleiro.

— Apenas pensando no evento de amanhã na escola de Leo — ela respondeu, a voz firme. — O papel de 'protetor' que você assumiu... é uma performance exigente, Arthur. Você não teme que o público perceba que a sua benevolência tem um custo oculto?

Arthur contornou a mesa de mogno, seus movimentos precisos, predatórios. Ele parou a poucos centímetros dela, o aroma de sândalo e poder envolvendo-a. Ele estendeu a mão, ajustando a gola do blazer dela com uma lentidão que pretendia ser um gesto de posse, mas que Helena agora lia como um cerco.

— A agenda foi ajustada. O motorista chegará às sete. Sua imagem precisa ser impecável para os patrocinadores. Lembre-se, Helena: você é a noiva que eu escolhi, não uma sócia que dita os termos.

O sangue de Helena pulsou nas têmporas. A condescendência dele era o combustível que ela precisava para incinerar a farsa. Ela caminhou até a mesa e, com um movimento deliberado, pousou o pendrive sobre o mogno. O brilho metálico do dispositivo pareceu sugar a luz do ambiente.

— A Cláusula 14.b não é uma proteção, Arthur. É uma algema financeira — ela disse, a voz cortante como vidro. — E eu não vim aqui para pedir que você a remova. Eu vim para garantir que você entenda o que está em jogo.

Arthur fechou o laptop com uma lentidão calculada. Seus olhos cinzentos estreitaram-se ao notar que ela não estava ali para pedir clemência. Ele se levantou, a sombra de sua figura projetando-se sobre ela, tentando retomar o controle pela intimidação física.

— Você sabe o que acontece se eu retirar meu apoio? O escândalo que seu sobrenome carrega destruiria o futuro do seu filho antes mesmo que ele terminasse o primeiro semestre. Se a cláusula é uma algema, considere-a o preço da sua segurança.

— O preço é alto demais quando o arquiteto da minha ruína é o mesmo homem que se oferece para me salvar — Helena retrucou, sem recuar um milímetro. — Eu vi os arquivos, Arthur. A falência dos meus pais não foi um infortúnio de mercado. Foi um projeto. Seu pai, sua empresa, sua linhagem. Vocês construíram este império sobre os escombros da minha família.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Pela primeira vez, a máscara de Arthur oscilou. Ele não negou. Ele não se defendeu. Ele a encarou, e no fundo de seus olhos, a frieza deu lugar a um reconhecimento perigoso. O predador percebeu que a presa havia aprendido a caçar.

— Eu não apenas protejo você agora, Helena — ele sussurrou, a voz carregada de uma culpa que ele tentou esconder sob camadas de cinismo. — Eu tentei consertar o erro do meu pai antes mesmo de saber que você existia. O contrato... não foi apenas para a fusão. Foi a única forma que encontrei de me aproximar sem que você me destruísse antes de me ouvir.

Helena sentiu o chão sob seus pés vacilar, mas não cedeu. Ela tinha o tabuleiro agora, e o rei estava exposto. Ela recolheu o pendrive com uma lentidão deliberada, guardando-o novamente.

— Então, vamos renegociar — ela disse, o olhar fixo no dele. — A Cláusula 14.b será anulada. Ou amanhã, na escola, não será apenas a minha reputação em jogo. O mundo saberá exatamente como os Viana fazem negócios. E eu garanto, Arthur: o escândalo será irreversível.

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