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Chapter 2: O Primeiro Ajuste

Kael testa o protótipo com o log proibido, alcançando uma performance superior, mas o chassi sofre superaquecimento crítico. Valéria aparece para intimidá-lo e tentar confiscar o Mech, enquanto o cobrador de dívidas impõe um ultimato, forçando Kael a buscar uma solução em menos de 24 horas.

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O Primeiro Ajuste

O ar dentro da cabine do protótipo tinha gosto de cobre e isolante queimado. Kael mal conseguia respirar, mas seus olhos estavam fixos no painel de controle, onde um emaranhado de fios expostos pulsava em um vermelho de alerta. O chassi, uma carcaça de metal que ele resgatara do sorteio, tremia sob o estresse do log de dados proibido que ele injetara no núcleo.

— Você vai se fritar, moleque! — A voz de Mestre Aris ecoou pelo hangar, rouca e carregada de pânico. O velho sucateiro golpeou a bancada com uma chave inglesa, apontando para os indicadores de temperatura que subiam em cascata. — Esse log não foi feito para hardware de sucata. Ele está forçando os servos além do limite físico. Se você não parar, esse cockpit vai virar um forno com você dentro.

Kael ignorou o aviso, seus dedos trêmulos conectando o cabo de interface neural à base do crânio. A dívida de 12.400 créditos não era apenas um número; era uma sentença de morte que o empurrava para o fundo da Torre. Sem a velocidade absurda que aquele código desbloqueava, ele era apenas mais um sucateiro descartável. Ele precisava daquela vantagem, custasse o que custasse.

— É a única forma de subir, Aris — respondeu Kael, a voz abafada pelo capacete. Ele ativou o log. O chassi rugiu, placas de blindagem aquecendo instantaneamente. O medidor de temperatura saltou de 87 para 142 graus. A resposta dos servos aumentou 41%. Era visível. Mensurável. O Mech agora virava com uma precisão que faria qualquer máquina do andar 17 parecer um trator enferrujado.

Foi então que a porta de aço da oficina foi aberta com um estampido. Dois drones de vigilância da elite flutuaram para dentro, câmeras registrando cada centímetro do hardware ilegal. Valéria entrou logo atrás, impecável em seu uniforme de piloto da alta torre. Seus olhos cinzentos varreram a oficina com um desdém estudado.

— Sucateiro Kael, patente 347 — a voz dela cortou o ar, fria e precisa. — Vejo que você ainda respira. Impressionante, depois daquele duelo de ontem. Mas esse chassi... não pertence a um lixeiro. Ele possui uma assinatura de linhagem que você não deveria ser capaz de ativar. Entregue-o agora, e eu pagarei o suficiente para você desaparecer da Torre com dignidade.

Kael desceu do cockpit, as pernas bambas pelo calor residual, mas o olhar fixo nos olhos da rival.

— Minha dívida é minha, e este chassi é meu — ele respondeu, a voz firme apesar da exaustão.

Valéria sorriu, um gesto que prometia destruição. — Você não tem ideia do que está segurando. Nos vemos no sorteio de arena amanhã. Espero que você seja tão rápido quanto diz ser, porque lá, não haverá oficina para consertar seus erros.

Assim que ela partiu, Kael não perdeu tempo. Ele correu para o túnel de teste vertical. O cronômetro da Torre piscava em vermelho: menos de 24 horas para o duelo de eliminação. Ele precisava provar que o protótipo era funcional, não uma armadilha.

Ele acionou o log novamente, sincronizando seu batimento cardíaco com o pulso errático do software. O Mech disparou para baixo no abismo, cortando o ar com uma agilidade sobre-humana. O painel de controle chiou, plástico borbulhando nas bordas. 187°C. O sistema de refrigeração gemeu em protesto, tubos estalando como ossos velhos. Kael forçou uma curva impossível, sentindo o calor lamber o assento. Ele estava atingindo marcas de tempo que desafiavam a lógica da Torre, mas a cada segundo, o metal sob seus pés se tornava mais instável.

Ao retornar à doca, o cobrador do Sindicato já o esperava, bloqueando a saída. O homem olhou para o chassi fumegante, onde a carcaça começava a ceder sob o calor excessivo.

— O prazo venceu, Kael. O chassi é nosso por direito de confisco.

— Eu venci o duelo de qualificação — Kael retrucou, o peito arfando. — Eu garanto o dobro desse valor no torneio de amanhã. Se vocês me derem mais vinte e quatro horas.

O cobrador riu, exibindo um holograma da tabela de classificação. Kael tinha menos de um dia para encontrar uma forma de resfriar o protótipo, ou ele seria consumido pela própria máquina que acabara de dominar. Ele percebeu, com um calafrio que nem o calor do cockpit podia dissipar, que aquele protótipo não fora construído para humanos comuns; ele era um motor de destruição que exigia um preço que ele ainda não sabia como pagar.

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