O Labirinto de Dados
O cockpit do meu chassi, o Sucata-09, era um caixão de metal rangendo sob a pressão de 14% de integridade estrutural. O ar cheirava a ozônio e isolamento queimado. Acima, a luz âmbar do Pináculo pulsava como um coração doente, sincronizada com o scanner da Academia que varria minha assinatura energética. Se o Comandante Silva detectasse o consumo residual do módulo proibido, meu chassi seria confiscado antes que eu pudesse ejetar.
— Kaelen, o bypass está sobrecarregando o núcleo de resfriamento! — A voz de Luna, distorcida pelo canal criptografado, soava como um alarme. — Se o Silva cruzar os dados de energia com o log da simulação, ele vai ver que você não usou as rotinas padrão. Desliga isso agora!
Eu não podia. Meus dedos, calejados e trêmulos, dançavam sobre os controles. O núcleo de resfriamento que eu arrancara do Vanguard na última missão era a única coisa impedindo o módulo de derreter o chassi. Eu precisava de um curto-circuito controlado para mascarar a assinatura como uma falha de hardware. O metal gemeu, um som metálico de agonia que vibrou pelos meus ossos. Quando a conexão foi cortada, o sistema de monitoramento registrou apenas um "erro de hardware de baixa prioridade". Eu estava a salvo, mas a integridade caiu para 12%.
Na oficina, Luna me esperava com o rosto pálido. O painel holográfico, construído com restos de sensores, exibia um mapa topográfico das entranhas do Pináculo. Não eram apenas plantas; eram coordenadas de silos de combate não registrados.
— Não é só um módulo, Luna. É um log de guerra — murmurei, a voz rouca. — Eles não estavam testando mechs. Estavam eliminando provas de uma facção rebelde. O acidente do seu mentor... não foi falha técnica. Foi uma queima de arquivo.
Luna recuou, o silêncio sendo preenchido pelo zumbido dos ventiladores. Eu precisava de peças de elite para estabilizar o chassi antes da próxima inspeção de Silva. Sem hesitar, tracei um plano: o depósito da Zona de Elite.
O corredor de manutenção era um vazio estéril. Pilotando o chassi que gemia a cada movimento, aproximei-me da porta selada. O brilho azulado do protótipo pulou para a interface, forçando a trava a aceitar um comando de emergência. A porta deslizou, revelando fileiras de núcleos de energia. Agarrei um, mas o alarme disparou, um som estridente que cortou o silêncio do hangar. Eu era, oficialmente, um piloto renegado.
Ao sair, a armadilha se fechou. Três unidades de elite bloqueavam o corredor. O Comandante Silva apareceu no terminal de comando, seus olhos frios fixos em mim.
— Você é um erro sistêmico, Viana — disse Silva, a voz desprovida de emoção. — Entregue o módulo e talvez eu permita que sua família receba o seguro de descarte.
Eu não tinha saída. Com um movimento desesperado, sobrecarreguei o módulo, liberando uma explosão de energia que desativou os sistemas de comunicação e os drones de elite. O chassi, exausto, paralisou. Eu estava sozinho, cercado, mas as coordenadas em meu visor brilhavam com a verdade sombria: o Pináculo não era uma escola, era o epicentro de uma guerra que estava prestes a começar.