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Chapter 8: Escândalo em Manchete

Helena e Rafael enfrentam o vazamento da identidade dela pela imprensa. Rafael transforma o escândalo em uma demonstração de força, legitimando Helena como herdeira e acionista majoritária perante a elite e a mídia. A estratégia destrói a credibilidade de Beatriz, mas deixa Helena confrontada com a nova natureza de sua aliança com Rafael.

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Escândalo em Manchete

O cheiro de antisséptico no apartamento seguro era um lembrete de que a trégua entre Helena e Rafael fora selada com sangue. Com mãos firmes, Helena pressionava a gaze contra o ferimento no ombro dele. O projétil, extraído horas antes, deixara um rastro de carne inflamada que Rafael suportava com uma imobilidade quase desumana. Ele não soltara um gemido, mas o suor frio em sua testa denunciava a agonia contida.

— Pare de se preocupar com a bala, Helena — a voz de Rafael soou rouca, cortando o silêncio. Ele indicou o tablet sobre a mesa com o queixo. — Preocupe-se com o que está lá fora.

A tela exibia o portal de notícias mais influente de São Paulo. A manchete brilhava em letras garrafais: A Farsa da Noiva Viana: Quem é a Mulher que Ocupou o Lugar da Herdeira? Abaixo, fotos granuladas de Helena fugindo da mansão na noite anterior. O vazamento era cirúrgico; não apenas expunha sua identidade, mas minava a credibilidade da fusão corporativa. Helena sentiu o peso da realidade: a piedade que ela evitara nas ruas agora se tornaria uma arma de humilhação pública. Beatriz, sua madrasta, certamente usaria aquilo para selar sua exclusão definitiva.

— Eles nos cercaram — Helena constatou, a voz desprovida de emoção. — Se eu sair, serei devorada. Se eu ficar, a Viana Holding cai.

Rafael levantou os olhos. O cinismo habitual fora substituído por uma determinação gélida. — Deixe que pensem que você é uma oportunista — ele rebateu. — O público adora uma vilã, mas venera uma história de redenção. Beatriz cometeu o erro de acreditar que eu não estava esperando por esse vazamento. Eu mesmo o plantei.

Helena sentiu o sangue gelar. Ele a usara como isca, forçando a mão de Beatriz para que ela se revelasse. A proteção dele não era um ato de bondade, mas uma manobra de xadrez de alto risco. Antes que ela pudesse processar a traição, o som metálico de seu telefone vibrou sem parar. A imprensa já estava na porta do prédio.

— Veste isso — Rafael ordenou, apontando para uma caixa de veludo sobre a cama. Dentro, um traje de alta costura, impecável, digno de uma herdeira. — Vamos dar a eles o espetáculo que esperam. Mas, desta vez, você não será a noiva fugitiva. Você será a mulher que recuperou o que lhe foi roubado.

No salão de eventos do hotel, o flash das câmeras era uma descarga elétrica. Helena estava parada ao lado de Rafael, cujo terno escuro escondia a tipóia. O silêncio no recinto era denso, carregado pela expectativa de uma queda pública que Beatriz, estrategicamente posicionada na primeira fileira, saboreava com um sorriso gélido.

— Sr. Viana — uma jornalista disparou. — As evidências de que a mulher ao seu lado não é a herdeira original dos Viana são esmagadoras. Como o senhor justifica essa farsa?

Helena sentiu o peso do olhar de Rafael. Ele fechou a mão sobre a dela, um aperto firme que exigia que ela não recuasse.

— A pergunta é pertinente, mas a premissa é ignorante — Rafael respondeu, sua voz ressoando com uma calma letal. — Eu não estou apresentando uma substituta. Estou apresentando a única pessoa que, por direito de sangue e por escolha minha, detém o controle da Viana Holding. Helena Viana não é uma farsa; ela é a única sobrevivente de uma família que tentou apagá-la.

Beatriz levantou-se, o rosto lívido. — Isso é uma mentira! Ela é apenas uma empregada que usurpou um nome!

— Ela é a acionista majoritária com poder de voto que assinou a fusão — Rafael corrigiu, mantendo o olhar fixo na madrasta. — E ela está sob minha proteção total. Qualquer ataque à sua legitimidade será interpretado como um ataque direto aos interesses da holding.

A opinião pública, antes sedenta por escândalo, começou a oscilar. O tom de Rafael, a dignidade de Helena e a postura de quem não tinha nada a esconder transformaram a piedade em admiração. Beatriz, isolada, sentou-se, o rosto distorcido pelo fracasso.

De volta à suíte presidencial, o silêncio era pontuado apenas pelo zumbido distante dos helicópteros. Rafael estava sentado na poltrona de couro, o paletó removido, revelando a bandagem manchada de sangue. Helena permaneceu junto à janela. Ela sentia o poder daquela nova narrativa, mas o peso da dívida era quase insuportável.

— Você arriscou sua credibilidade por mim — disse ela, aproximando-se. — Por que me dar esse status, sabendo que a herança que busco anula o controle que sua holding exerce sobre a minha família?

Rafael levantou-se, ignorando a dor, e caminhou até ela. O espaço entre os dois fervilhava com uma tensão diferente.

— Porque, Helena, o contrato foi apenas o começo. E eu nunca fui um homem que se contenta com o mínimo quando posso ter o controle absoluto — ele fez uma pausa, o olhar fixo nos lábios dela. — Eu não quero mais que o nosso casamento seja apenas uma transação.

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